Coleção pessoal de neno_m_marques
Maumau
William Contraponto
Te conheci no avesso da estrada,
quando o mundo esquecia de nós.
Havia silêncio em cada palavra,
mas teu abraço fazia voz.
Não prometemos céu nem destino,
nem juramentos diante do altar.
Só dividimos o peso dos dias,
sem perguntar onde ia dar.
Maumau,
se o tempo nos feriu, também nos fez.
Nos corredores da tempestade
aprendemos outra forma de viver.
Maumau...
amor não é o nome que se dá.
É quem permanece quando tudo
parece querer desmoronar.
Hoje te vejo travando batalhas
que nem sempre consigo alcançar.
Queria roubar um pouco da dor,
mas só consigo contigo ficar.
Porque às vezes amar é tão simples:
sentar em silêncio, estender a mão.
Ser companhia quando a esperança
esquece o caminho do coração.
E nossos filhos de patas
fazem da casa um pequeno universo.
Bob, o catiolo, corre feliz
como se toda tristeza pudesse perder a corrida.
Baby, a catiola,
deita entre nós sem escolher um lado,
como quem sabe
que amor não precisa tomar partido.
Eles nos lembram, todos os dias,
que carinho é uma linguagem
que nunca precisou de tradução.
Maumau...
se houver manhã, caminharemos nela.
Se houver noite, acenderemos riso
no olhar de Bob e de Baby.
E quando a vida nos pedir coragem,
que ela nos encontre assim:
com as mãos marcadas pelo tempo,
com o coração ainda inteiro,
e com esse amor teimoso,
que insiste em florescer
mesmo onde quase ninguém acredita.
As Pontes Invisíveis
Vivemos em uma era estranha. Nunca foi tão fácil atravessar continentes com uma mensagem e, ao mesmo tempo, nunca pareceu tão difícil encontrar pertencimento. Cercadas por conexões instantâneas, muitas pessoas seguem isoladas. Cercadas por discursos sobre liberdade, muitas continuam aprendendo a esconder quem são.
Talvez uma das grandes tarefas do nosso tempo seja reconstruir aquilo que as fronteiras, os preconceitos e os interesses dividiram. Não através de novas muralhas, mas por meio de pontes. Não por meio da uniformidade, mas pelo reconhecimento da pluralidade humana.
Há uma força silenciosa que atravessa povos, idiomas e culturas. Ela aparece quando alguém estende a mão sem exigir semelhança. Quando uma pessoa protege outra sem esperar recompensa. Quando o respeito supera a necessidade de controle. Quando a solidariedade se torna mais importante do que a identidade.
As grandes transformações raramente começam nos palácios ou nos parlamentos. Elas nascem em pequenos gestos, em encontros improváveis, em redes invisíveis de confiança que se espalham lentamente até formarem algo maior do que a soma de suas partes.
O século XXI exige novas formas de comunidade. Formas que não dependam da geografia. Formas que não imponham uma única visão de mundo. Formas capazes de reunir pessoas diferentes em torno de princípios simples: dignidade, proteção mútua, autonomia, respeito e cooperação.
Uma comunidade verdadeira não é aquela que exige obediência. É aquela que inspira responsabilidade. Não é aquela que determina como todos devem pensar. É aquela que permite que cada pessoa pense por si mesma sem medo de ser abandonada.
Em tempos de intolerância, proteger torna-se um ato de coragem. Em tempos de vigilância, confiar torna-se um ato de resistência. Em tempos de fragmentação, construir laços torna-se um ato revolucionário.
Nesse horizonte, a obra de William Contraponto ecoa como um lembrete de que toda estrutura humana precisa permanecer aberta ao questionamento, sob risco de se transformar naquilo que diz combater.
Talvez o futuro pertença menos às instituições rígidas e mais às redes humanas capazes de atravessar fronteiras sem carregar consigo a pretensão de dominar. Redes discretas, porém presentes. Diversas, porém unidas por valores comuns. Invisíveis para quem procura poder, mas essenciais para quem procura pertencimento.
Porque toda época produz seus muros.
Mas são as pontes que sobrevivem.
A Palavra Permanece
A minha arte incomoda. Incomoda tanto que fui banido dos serviços da META. Incomoda a extrema-direita. Ainda assim, minhas palavras continuam encontrando outros caminhos. Já enfrentei censura em jornais impressos e sobrevivi. Não será a censura de uma empresa que transformará minha escrita em silêncio.
A META passará. O que escrevo permanecerá. De alguma forma.
Há muito tempo desafio a extrema-direita, e nunca conseguiram me apagar por completo. Sempre ressurjo. Pela minha própria escrita ou pela lembrança deixada na escrita de outros. Às vezes, por uma citação. Outras vezes, apenas por uma ideia que segue circulando sem que sua origem seja lembrada.
E mesmo quando não houver redes para me citar, estarei presente no pensamento que ajudei a provocar. A empresa hoje poderosa será apenas mais uma empresa na história. A palavra, a ideia e a arte lançadas por mim e por tantos outros artistas perseguidos continuarão seu percurso.
Empresas podem falir. Plataformas podem desaparecer. Impérios econômicos podem ser substituídos. Mas as ideias atravessam o tempo. E a arte, quando encontra eco, permanece.
O texto reforça a permanência das ideias em contraste com o caráter transitório das empresas e instituições, mantendo o tom combativo associado à voz ensaística de William Contraponto.
Sigo na rede: Aqui no blog oficial, em inúmeros outros site nos quais sou citado. Em outras redes não associadas a empresa citada. Ou seja: YouTube, TikTok, X (twitter), nos meus livros publicados no que podem ser adquiridos aqui (em breve gratuitamente), no Clube de Autores ou no Google Livros do PlayStore em português em versões escritas ou adaptadas em espanhol. Etc. Etc...
William Contraponto
