Coleção pessoal de NelsonMedeiros

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⁠A precipitação, no julgamento de atos alheios, é filha do medo e herdeira da insegurança pessoal, desencadeando, via de regra, rancores, injustiças e vinganças cujas consequências vão muito além do nosso imaginário.

⁠Existem coisas que não vemos. Saber delas e crer nelas, porém, não basta. Necessário vivê-las. E esta vivência consiste em praticar, diuturnamente, respeitando nossas limitações, os princípios superiores que adotamos baseados na razão.

Nelson de Medeiros

⁠Depois dos cinco anos de idade aprendemos a ler, nas linhas da escrita, e descobrimos as belezas do pensamento humano. Depois dos sessenta, aprendemos a ler nas entrelinhas de suas atitudes, e descobrimos as feiuras seus pensamentos.

⁠A mente é perecível, o pensamento é imortal. Por isso somos Pensamento. Ele é nosso Fórum, nosso Juiz, nosso Advogado e nosso Promotor. É, antes de tudo, porém, nosso Conciliador que a cada lide que travamos com a vida, sempre nos sugere a melhor solução. Aceitá-la ou não é questão de livre arbítrio.

⁠DE UM DIÁRIO.



No objetivo da vida a reencarnação é a lógica mais perfeita para o reajuste na tarefa interrompida, por nós mesmos, quanto ao descumprimento dos deveres e compromissos assumidos. A questão é de raciocínio: Sem a verdade das vidas sucessivas, além da matéria não existiria nada, nem Deus...

A velhice não incomoda, mas os erros da juventude, nela refletidos, com certeza sim...

⁠GUERRA



A cada dia que passa, a cada batalha que venço contra o mundo, mais tenho certeza de que um dia não aportarei mais nele.




Esquece a minha tristeza,
Pois dela a vida é repleta!
Lembra, porém da esperteza
De Deus que me fez poeta!

⁠APENAS, POR TI

Não! por mim não atropelas distâncias...
Antes, as aumentam nas inconstâncias
que tisnam meu céu de noites sem estrelas!
Teu canto é de medo que se acovarda
ante o trovador que o amor te brada
e que teimas não as sentir, não vê-las!

Eu?! Não me amo... No coração dum vate
não cabem dois amores, ainda que me mate
a dor que n! alma queima e não se finda!
Faço versos, também! Mas nunca ausentes,
Pois, se é imenso este amor que tu sentes,
te digo que muito mais te amo ainda...

⁠NUMA FESTA DE SÃO JOÃO

Era São João... O luar passeava
Na ruazinha apinhada de gente!
Uma noite por ano, tão somente,
E por isso a rua inteira dançava!

Uma figura, porém, se esgueirava
De encontro ao vate que, ansiosamente,
A esperava... E o longo beijo, fremente,
Um grande amor, então, profetizava!

Um instante de luz... Lance sem par,
Lembrança que mesmo agora eu desfruto,
Pois que ela embala o outono da idade!

Mas, até hoje eu não sei me explicar
Como este amor que nasceu num minuto,
Morre em dor que já beira a eternidade!

O PERFUME

Ela evolava rara e doce essência ...
De pronto prendeu-me sua fragrância!
Então, numa invencível e estranha ânsia,
ao seu corpo me rendi, sem prudência!

Seu aroma era a marca da constância,
e, sempre que a via, em nossa vivência,
ela enchia de meiga experiência
mi! alma, mal saída da infância!

O passado, porém, no tempo, é bruma
que em sua viagem sem volta, esfuma
nossos momentos mais inebriantes!

Mas, hoje eu pude ver o ontem no ar
ao sentir que a jovem, na orla do mar,
tinha o perfume daqueles instantes!

⁠SURDO, CEGO E MUDO

Infeliz gente podre que se arrasta
No alvorecer do milênio terceiro!
Pervertido poder que, galhofeiro,
Na desgraça alheia pisa e repasta!

Tripé desnaturado e rapineiro
A servir tão somente sua casta!
Gládio vil que na pujança nefasta
Não poupa o pobre e infeliz caminheiro!

De que esgotos sobem, assim, aos bandos,
Com seus discursos imorais, nefandos,
A iludir o sofrido poviléu?

Vêm certamente de ignoto averno,
E achando que o poder é sempiterno
Dos umbrais da vida fazem seu céu!

⁠O homem sempre buscaou a felicidade através dos milênios, mas nunca fez nada para merecê-la.

A busca da felicidade no amor é uma aventura ao desconhecido. Para este "tour" necessitamos de, pelo menos, um guia: Nosso caráter.⁠

ATALHO

Se pro céu queres atalho,
Um conselho vais ouvir:
Que não te peje o trabalho,
No momento de servir!

10/08/2019- AEJR

⁠A UMA AMIGA

Não posso dizer: - Eu te amo.
Ah! se eu pudesse - Quem dera!
Por isso sempre te chamo:
Minha amiga mais sincera!

ACASO

Nada na vida é acaso;
acaso é coisa do nada.
Por isso que o nosso caso
é cena já reprisada!

⁠MÁQUINA DO TEMPO

Não creio que tudo na vida seja predeterminado; não mesmo. Apenas certos acontecimentos que marcam períodos importantes de nossa existência já vieram conosco de onde viemos.

Acredito, sim, em tendências. Nossos atos é que determinam as tendências do nosso destino quando estes acontecimentos ocorrem. É que eles trazem consigo uma gama de insatisfações, de dores, de incompreensões, de amarguras, intolerâncias, frustações etc., que são os carmas descritos pelos budistas e hinduístas.

Tendências são quase pré-escolhas, pré-decisões de nossa consciência, do nosso livre arbítrio. Elas também vêm conosco e afloram, diuturnamente, em nossa mente. São impressões que marcaram, um dia, nossa derrocada moral e se repetem no dia de hoje, como uma prova a desafiar a nossa capacidade de aprendizagem pelo dor já sofrida.

Nosso “destino”, então, que é traçado por nós mesmos, pode ser relativamente mudado a partir do momento em que escolhemos, tomamos uma decisão e a colocamos em prática.

A vida pode ser comparada a uma viagem com vias bifurcadas e rodovias vicinais, mas cujo destino é certo e imutável: O progresso moral e intelectual da alma, adquirido através de inúmeros percursos. Cada estrada escolhida e percorrida por nossa vontade apresenta uma tendência mais ou menos inevitável que, realizada, atrasará ou adiantará nossa chegada.

Tudo contribui, nesta escolha, para isto. A maneira que a percorremos, as atitudes que tomamos em relação aos outros neste percurso, e, principalmente os meios que empregamos para atingir o objetivo escolhido.

A vida, queiramos ou não, funciona assim, desde sempre: Somos livres; escolhemos o que queremos, colhemos o que plantamos. Não somos robôs fabricados com programas de vida adredemente traçados. Se assim fosse nenhum mérito teria o bem que praticamos e nem os erros que cometemos e que resultam em prejuízo do próximo ou de nós mesmos, seriam condenáveis. Não vivemos ao léu, como folhas secas ao sabor da brisa.

Nossas leis civis e criminais são, todas, arremedos da Lei pré-existente, imutável. A Lei Natural que nada mais é do que o passado revivido no presente, nos alertando para o futuro que nosso livre arbítrio pode melhorar.

Nossa consciência é a verdadeira e única máquina do tempo que nos transporta pelas dobras do infinito.

A mentira fabricada enseja descrédito geral e deixa os mentirosos sem qualquer sistema de freios e, portanto sem limites. ⁠

Nossas tendências são frutos de conhecimentos e hábitos que trazemos arraigados desde milênios em nosso eu inconsistente.⁠