Coleção pessoal de NelsonMedeiros

21 - 40 do total de 67 pensamentos na coleção de NelsonMedeiros

⁠Nossos desvarios emocionais, que são frutos de repetições milenares, somente nos abandonarão quando conseguirmos nos libertar de nós mesmos.

⁠A vida sempre responde aos nossos atos impensados. Às vezes nos adverte com receios e preocupações, mas na persistência nos pune com a dor.

⁠Por que será que os materialistas encontram todas as explicações na ciência, mas não conseguem explicar, por ela, a causa da inteligência humana?

Enquanto a humanidade, inteira, não tiver alcançado a certeza absoluta de que carregamos um corpo mutável e outro imutável a Terra continuará sendo o depósito das mazelas morais que ela carrega há milênios em sua alma.⁠

⁠Às vezes apenas uma única decepção na vida faz o ser humano questionar sobre o propósito seus valores em relação as suas escolhas. Quando isto acontece o homem perde a confiança em si próprio, queda sem esperança, e a motivação da vida material evapora-se de sua alma.


Nenhum detalhe na vida, por mais insignificante que pareça, é banal, e nem é casualidade. Todo acontecimento tem uma finalidade. Nos vemos os menores fatos acontecerem, mas não lhes damos atenção por desconhecemos, ainda, sua causa e sua razão.




Os erros cometidos na infância não são cobrados na juventude; os erros cometidos na juventude são cobrados relativamente na maturidade; mas, os erros cometidos na maturidade são cobrados dente por dente, olho por olho, na velhice.

⁠A vida é um imenso quadro-negro onde o estudante, para redigir seu hoje com claridade, necessita apagar e esquecer o que já redigiu ontem. Sem o esquecimento do antes, a redação do agora sempre parecerá hieroglifo.

⁠Aquele que tem dificuldade de amar ou de expressar seus sentimentos de amor, seja por qualquer motivo, é o que mais precisa dele.

⁠Ninguém é espelho de ninguém. A paciência, a prudência, o saber e a fé, são qualidades que não se herdam. Cada um as adquire na caminhada das vidas por si, e, somente por si.

⁠Não se pode confundir desapontamento com decepção. Ambas são desilusões, mas a decepção é o suprassumo da desilusão, pois diz respeito a realidade sobre a qual jamais se alimentou qualquer expetativa de ocorrer. Ambas são emoções que nos trazem consequências físicas e morais, de menor ou maior gravidade.

⁠A conclusão precipitada pode converter, num instante, uma pessoa de bem na mais terrível fera que habita no inferno, gerando consequências inimagináveis, muitas vezes por séculos.

⁠Quando você escuta um “muito obrigado” sincero, reconhecido, vindo do escaninho mais fundo da alma, saiba que você não recebeu um agradecimento, mas uma profunda oração em seu favor.

⁠O tato não é um sentido apenas material, que nos faz sentir, pelo toque, o que entra em contato com nosso corpo. Na alma, o tato é forma de sensibilidade para lidar com pessoas e situações. Quem não tem tato para lidar com essas coisas, estará sempre conectado com a infelicidade.

⁠Não se pode confundir conhecimento com sabedoria. Conhecimento se obtém pela experiência dos livros, e sabedoria, pela experiência das vidas.

⁠Parodiando o imortal poeta Raul Seixas, “eu nasci há dez mil anos atras”, e, tanta coisa eu sei e vi que preferiria não saber nem ter visto.

⁠Vendo as misérias do mundo a razão nos diz que a morte é o fim da vida, e a fé nos diz que ela é a continuação dela, a eternidade presente. Prefiro a fé, pois que o elo entre ela e a razão é o amor, que não é racional.

O livre arbítrio é uma das provas da inata liberdade da alma. Ele nos dá o poder de não enfrentar as consequências de determinada escolha errada que fizemos, e, fazendo nova escolha, adiar por um tempo as consequências desse erro. Mas, com certeza a cobrança virá nessa nova escolha, ainda que pensemos estar livres, pois o karma é peremptório, e não está adstrito somente nas escolhas feitas em uma existência, mas em várias delas.

Nelson de Medeiros


Somente os fracos de sensibilidade tomam a bondade por fraqueza.

⁠MESA DE BAR

A noite é fria... Lá fora a chuva incessante
Lembra tua ausência que chega a todo instante...
O seresteiro indiferente à minha dor,
Solfeja notas de saudades em langor!
A canção me diz de cabelos anelados,
Longos cachos de fios negro – prateados,
A lembrar teu rosto amado, teu corpo esguio...
Versos de queixumes, lamentos entoados,
Que dentro d! alma ressoam em tons magoados,
E então me perco num olhar distante e frio...
As mãos do artista deslizam ágeis, ardentes
E ao som do piano ando em voos transcendentes...
Na febre dos desejos e da insanidade,
Vejo-me longe, fora da realidade...
Onde estás? Que fazes doce criança?
Meu alento! Derradeira esperança!
Ah! Sorte madrasta... Incauta solidão!
Pobre vate: Inunda de dor a face ingrata,
Tal qual a chuva lá fora, caindo em prata,
Inunda de lágrimas a negra imensidão!