Coleção pessoal de Mohara

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Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado.

Às vezes a simplicidade e o silêncio dizem mais que a eloquência planejada.

O segredo para ser infeliz é ter tempo livre para se preocupar se se é feliz ou não.

Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode.

Sonha e serás livre de espírito, luta e serás livre na vida.

Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, completamente livre, é a que não tem medo do ridículo.

Não se pode separar paz de liberdade porque ninguém consegue estar em paz a menos que tenha sua liberdade.

A minha liberdade não deve procurar captar o ser, mas desvendá-lo.

Pela liberdade, assim como pela honra, pode-se e deve-se arriscar a vida.

O natural também é uma pose.

As melhores fotos não são as com melhores poses, mas são aquelas em que você está nela…

Nossa maior posse é nossa autenticidade.

O que me importa são instantâneos fotográficos das sensações – pensadas, e não a pose imóvel dos que esperam que eu diga: olhe o passarinho! Pois não sou fotógrafo de rua.

Os pequenos atos de cada dia fazem ou desfazem o caráter.

Ninguém se importa com o penteado quando é a leve brisa do mar que bagunça os cabelos.

Estar equilibrado é o mesmo que navegar num oceano sem ondas e sentindo a brisa refrescante e harmoniosa da vida

Às vezes tudo o que mais preciso é sentar em frente ao mar, sentir a brisa do vento e deixar fluir meus pensamentos.

Investigo-me
Nas boas energias

Em nenhuma,
Com exceção daquela
Com a qual não sabemos lidar,
Transbordo-me por completo

Em todas
Encontro partes do agora mim

Em cada uma
Inauguro-me outra vez

No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.
Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.

Há tanta pureza
tantos sonhos
tanta leveza.
Desejos secretos
guardados
camuflados.
Um olhar desconsertado
um coração balançado
um sorriso acalmado.
Suspiros constantes
olhos flertantes.
Coração vivo
acelerado
aliviado.
Ah eu quero voar
correr
me esconder
viver
e não despertar.