Coleção pessoal de MoacirLuisAraldi
Dou-me conta: hoje é o dia.
Dou uma trégua
Dou um sorriso
Dou um grito de amor à vida
Na mais amável poesia.
Não sei de onde veio. Era de número privado.
Li por acaso, assim, meio desconfiado.
Valeu a pena ter apreciado.
Curto. Um breve recado.
Dizia apenas: Sorria filho por Deus amado.
Ninguém mais do que eu esta ao seu lado.
Sou Jesus.
Quando até a verdade apavora
consciente ou não o homem chora.
Mas quando a mentira se sobrepõe
não há verdade que consola.
Prefiro pessoas que tem o mesmo sorriso na frente ou atrás das câmeras.
Que sentam comigo na mesa mesmo sabendo que não tenho como pagar.
Que mesmo preferindo a areia não me impeçam de entrar no mar.
Gente que estende e aperta a mão com vontade.
Que tem brilho nos olhos e na alma e, ainda assim, vive sem ostentar.
Que se ajusta ao ambiente sem mudar o humor.
Que abraça o porteiro, o manobrista e o mensageiro com a mesma intensidade com que abraça o doutor.
Gente que tem a senha dos sentimentos tatuada nas suas ações.
Que são inteiras em qualquer situação.
Gente iluminada que quer te ver feliz de verdade.
Pessoas querida que valorizem a simplicidade da vida.
Que levam e te dão um pouco de vida.
Se Neil buscasse inspiração poética, ao pisar no solo lunar diria:
Um pequeno passo para o poeta, um grande salto para a poesia.
Vem... Vamos.
Chamou seu cachorro meio incrédulo da vida. Ao ajoelhar-se para acariciá-lo, sentiu o desconforto da cintura maior.
Queria outros ventos. Buscava uma vida sem rodeios e pessoas sem “nove horas”.
Estava farto de lirismo comedido, tanto quanto Bandeira.
E ao rasgar a foto em que usava gravata, talvez buscasse repetir Getúlio e entrar para a história ou, no fundo, no fundo mesmo, desejasse ser o Policarpo.
Contudo trocou de roupa.
Lustrou os sapatos. Abriu a geladeira, devorou meia fatia de melancia rapidamente.
Segurou com a mão direita o blusão no ombro esquerdo.
Uma última olhada no espelho.
- Outra pessoa - concluiu.
Nem percebeu a marca de patas no jeans.
Fechou a porta deixando a luz da sala ligada.
Não voltaria para apagá-la.
Com pequenos assovios chamou Serelepe:
- Vem... Vamos...
Delírios.
As palavras, por vezes, me emprestam verdades
Por outras... Sonhos.
Sei diferenciar pela reação da frase.
Realizo-me quando vejo uma frase sorrir.
Imagino os sonhos que passam na cabeça de cada letra que,
Certamente, decolam em viagens delirantes e inesquecíveis.
Palco
Seja palco por um momento...
Faça você à cena,
Solte a imaginação
aproxime-se da plateia
deixe só a metáfora te distanciar.
Agradeça ao público
mande beijos para as críticas,
aperfeiçoe só o possível
não endureça, seja sensível.
Quem não sente não chora,
Mas também não vive.
Suave e leve como o pouso da borboleta
a brisa cobriu a vida,
embaçando o vidro cristalino.
Pela fresta da janela
o vento vira a página do livro aberto.
Cheiro de flor penetra minhas narinas.
Alguma deve existir por perto
além do ipê florido que desapareceu.
Ao longe um latido
acompanha a imaginação
romper o véu e sumir.
Ancorado sou escondido
pela minha respiração
esbaforida na vidraça.
Dia agourento
pesado e cinzento
passando...
Se tivesse trilha sonora
seria melancólica e triste...
Triste como tango.
Fico feliz pelos elogios e ainda mais pelas criticas
aos meus textos, assim é que vou tentando melhorar.
Quando é pessoal poderiam ser evitadas
sei dos meus defeitos, aliás
eu odiaria ser perfeito.
Fecha-se noite.
Volte teus olhos para dentro de si.
Não quero ser visível.
A lua nos esqueceu.
Siga teu rumo
Eu seguirei o meu.
Brilho
Onde tem brilho
nasce uma vida
cresce a poesia
de versos e sabor.
Onde tem brilho
as mãos se entrelaçam
os olhares se cruzam
os sorrisos florescem.
Onde tem brilho
os passos são ritmados
a direção é conjugada
as pessoas são amadas.
Onde tem brilho
nasce uma flor.
o sol se controla
pra que vença o amor.
A folha em branco é de dúvidas.
Todo o cuidado é pouco para preenchê-la.
É preciso acertar.
Tem-se que superar o medo de errar
A resposta certa, quem sabe onde estará?
Não seja pretensioso.
Ninguém saberá se já chegou à velhice.
Sente-se. Vai passar.
Toda dor é rasa quando se tem a alma encharcada de esperanças.
