Coleção pessoal de MiriamDaCosta
Hoje acordei com vontade
de pegar o meu barco
e navegar...
Chegando na praia
lembrei que eu só tenho
um barquinho de papel...
Peguei a minha caneta
e começei a remar
no meu batel...
E fui singrando as águas
do que mora em mim
marés de memórias
ventos de saudades
maresia de inspiração
sem fim...
Cada verso
uma onda
cada pausa
um farol
e o sol
se fez verso
no meu
papel batel...
Remando com a caneta
furei as veias do papel
meu barquinho
sangrava versos
mas seguia
( teimoso)
no vendaval
das entranhas...
Não era mar
era voragem
não era água
era o meu
lirismo aflorado...
E mesmo assim
fiz da luta
o leme
das cicatrizes
o casco
e avancei
porque naufragar
também é escrever...
E quando enfim
meu barquinho
afundou
no silêncio
mais profundo
de mim
descobri
não era o fim
era o começo
do poema
que eu suei
para existir...
@MiriamDaCosta
Para um mal extremo... um extremo remédio!
As Nações com bases democráticas
deveriam criar coragem
para isolar os #EUA
até que Trump desapareça
do cenário presidencial...
O mundo pode sobreviver sem os #USA
de #DonaldTrump.
Mas... esse discurso de coragem é muito grande para líderes mundiais tão pequenos nas suas hipocrisias e cinismos... infelizmente!
✍©️@MiriamDaCosta
É Agosto
o mês do Senhor da Terra
SILÊNCIO!
Ele vem coberto de palha
pisando firme o chão
do mistério.
É Omulú
aquele que cura
com as mãos
que também sepultam.
Orixá da beira da vida
do fim
e do renascer.
Dono dos segredos
do corpo
e do destino
dos homens.
A ele, Respeito!
A ele, Silêncio!
Pois onde ele passa,
a doença se curva
e a morte se cala.
Atotô! Omulú!
Pai dos humildes
Senhor dos esquecidos
habita as encruzilhadas da dor
e os recônditos da esperança.
Teu corpo é palha
mas tua essência é chama
que queima as pestes
e aquece os frios da alma.
Teus passos
não fazem alarde
mas transformam
caminhos.
Com teu ibiri
varres o mal
e planta
o renascimento.
És velho
mas és
o começo.
És temido
mas
és abrigo.
Teu silêncio fala
onde nenhum homem
ousa gritar.
No mês de Agosto
a Terra sussurra
o teu nome
Omulú!
És o Rei da Terra!
SILÊNCIO!
E a cura desce
com o mesmo
peso da eternidade.
Atotô! Omulú!
Silêncio sagrado
se faz presente.
A Terra respira
em teu compasso
e sob teus pés
florescem os destinos
entre a morte
e o milagre da vida.
Que a tua palha
nos cubra
que teu axé
nos cure
que teu silêncio
nos ensine.
Salve o Senhor da Terra!
Salve Omulú!
Atotô!!!
Sou filha Dele
o Senhor da Terra
e do Silêncio
Atotô meu Pai!
Trago no peito
a palha
e na alma
o segredo
dos que curam
com o olhar
e sepultam
com o tempo.
Sou feita
de chão sagrado
de cicatriz e poeira
de passos
lentos e firmes
sobre a linha
da vida inteira.
Ele me ensinou
o mistério
de calar para ouvir
e de morrer
um pouco
para poder
ressurgir.
Atotô! Meu Pai Omulú!
Meu Pai
de palmas fechadas
recolho tua força
no escuro
e danço na tua luz velada.
Me ponho em silêncio
e gratidão
diante da tua proteção.
Atotô!!! Meu Pai!
✍©️@MiriamDaCosta
Antes
eu tinha um certo receio
diante do avanço
da Inteligência Artificial...
Agora
eu tenho verdadeiras fobias
diante da propagação
da parvoíce humana generalizada...
✍©️@MiriamDaCosta
Chuva de cores
irriga os canteiros floridos
da minh’alma...
e versos perfumados de luz
germinam de mim...
Uma chuva de cores me invade,
despeja sementes de poesia
sobre os canteiros secretos
da minh’alma inspirada ..
E então, de um lugar que nem sei nomear...
brotam versos, vivos, intensos
e nutridos do perfume
que só a emoção derramada sabe ter...
Cai sobre mim uma chuva mansa de cores,
tocando, com delicadeza antiga,
os canteiros floridos da minh’alma...
E é nesse gesto sutil do céu
que nascem meus versos:
docemente perfumados,
como flores noturnas
que se abrem ao clarão do luar...
✍©️@MiriamDaCosta
Aquele que lança
sementes ao vento
fará o céu florescer...
Como um pintor
e suas pinceladas
na tela...
Como um poeta
e suas canetadas
no papel...
Aquele que lança
sementes ao vento
instiga o próprio céu
a romper em flor,
como se o infinito
também tivesse veias
onde germina o impossível....
Como um pintor
que fere a tela
com profundas pinceladas
de mundo…
Como um poeta
que sangra sílabas
sobre o papel,
até que a palavra
ganhe carne....
Aquele que entrega
suas sementes ao vento
sussurra ao firmamento
um desejo de flor;
e o céu, sensível,
abre claridades
para acolher o gesto...
Como um pintor
que encosta ternamente
a cor na pele da tela…
Como um poeta
que repousa sua alma
na ponta da caneta,
e deixa que o papel
o abrace...
✍©️@MiriamDaCosta
Somos profundamente vândalos ecológicos
e tentamos nos livrar dessa culpa
com superficiais teorias, demonstrações e manifestações de educação ecológica...
Ora bolas!!!
Como raios é possível essa absolvição...
se nem educação humana e social conseguimos ter?!!...
✍©️@MiriamDaCosta
Não é possível debater o feriado de hoje
quando, ao mencionar Zumbi,
alguém responde que não gosta de misturar argumentos...
que isso é coisa de filme de horror,
e que o povo negro agora tem um dia para chamar de seu … para festejar … e isso é o que importa ... e que devem falar e se orgulhar...
“- Você tem razão…”
Respondi assim
e deixei que a minha atenção escapasse
para o céu da minha Região Oceânica.
Ainda temos muito o que ler,
muito o que estudar,
e imensamente mais a aprender, né?!!
Quanto mais a prepotência e a arrogância
se tornam marcas registradas do caráter
de um homem,
mais intensas são a covardia e a mediocridade que habitam o seu âmago.
Quanto maior a prepotência que ele ostenta
e quanto mais alta ecoa a arrogância
que veste como couraça,
mais fundo apodrece, dentro dele,
a covardia que o paralisa
e a mediocridade que lhe corrói o espírito.
É no excesso da pose
que se revela o vazio.
Quanto mais a prepotência se ergue nele
como falso brilho
e a arrogância o envolve num manto ilusório
de grandeza, mais se percebe, em silêncio,
a covardia entranhada em suas sombras
e a mediocridade escondida no fundo
do seu ser.
Há sempre um abismo
por trás de quem
se exibe alto demais...
✍©️@MiriamDaCosta
Todo dia, no mínimo,
há um novo escândalo,
um golpe,
uma fraude,
um feminicídio,
um infanticídio,
um homicídio,
uma crueldade,
uma barbárie,
uma injustiça
e tantas outras atrocidades
que já parecem parte do expediente diário...
Assusta perceber que nos “acostumamos” a essa rotina de horrores,
como se o sangue fosse apenas mais um detalhe do noticiário...
E essa capacidade de adaptação,
esse anestesiamento moral,
é, talvez, mais preocupante
do que os próprios crimes
que nos assombram dia após dia...
✍©️@MiriamDaCosta
A cognição corre
para chegar
até algumas pessoas
mas ....
pelo jeito
elas são mais velozes...
✍©️@MiriamDaCosta
O Traidor da Pátria
é tão desprovido de valor
quanto de cognição...
Mal sabe ele
que acaba sendo
também
desvalorizado e traído
pela Nação
que diz defender
erguendo a bandeira
como se fosse sua...
Tão vil
é seu caráter
que o único solo
possível
é nenhum
seu destino mais justo
é ser apátrida...
✍©️MiriamDaCosta
Caneta louquaz
Sentei-me à beira do silêncio
com as mãos tão quietas
e a caneta tão louquaz...
As palavras
me invadiam os pulsos
como se a pele
fosse papel
e o sangue
tinta em desatino...
Respirei fundo
para não dessangrar
em versos
mas cada sopro
era um poema
lutando pra nascer
sem anestesia...
Meu corpo
um caderno de cicatrizes
e rascunhos mal acabados
pedia descanso...
mas a alma
essa insone
insistia em escrever
na carne viva do instante...
Já não sei
se escrevo pra viver
ou se vivo apenas
pra não sufocar
o que escrevo...
Às vezes
penso
que sou só palavra
disfarçada de pele...
Que meu silêncio
é só pausa
entre estrofes
e meu olhar
um parágrafo contido...
Tudo em mim
é verso preso
até que sangro...
E quando sangro
não é dor
é linguagem...
E quando calo
não é paz
é poema em cárcere
pedindo redenção
na ponta da caneta louquaz..
✍©️@MiriamDaCosta
Todos querem falar
poucos querem ouvir
menos ainda
querem pensar..
A escrita não grita
mas incomoda
em silêncio..
Falar
virou esporte
de egos...
Escrever é resistência
é recusa à pressa
à histeria
ao espetáculo...
Quem lê
pausa
Quem escreve
sobrevive...
✍©️@MiriamDaCosta
Existe uma total escassez cognitiva nesses indivíduos, que vivendo num regime democrático, defendem em plena liberdade
os princípios da ditadura
e se contradizem ao refutar os da democracia.
Vai entender esse estranho fenômeno?!!..
Da séria série: "Nem Sigmund Freud explica".
✍©️ @MiriamDaCosta
O sedentarismo cognitivo
está cada vez mais epidêmico
e a atrofia do pensar
um dado de fato sistêmico...
Há cérebros imóveis
como corpos no sofá
deitados nas certezas
e afogados em telas
que piscam e calam...
Pensar cansa
sentir dá trabalho
imaginar é perda de tempo
num mundo que lucra
com a pressa
e com a distração contínua...
Mentes antes acesas
hoje pisoteiam o ócio criativo
com rotinas programadas
para não questionar...
A palavra vira ruído
A dúvida um defeito
O silêncio um incômodo...
E o pensamento
atrofia em repouso
sem uso
sem impulso
sem pulso...
Mas o cérebro
Ah!
O cérebro precisa dançar
com ideias novas
quer sangrar versos
errar teorias
enlouquecer de beleza
e de dúvida...
O cérebro necessita sentir
sede de perguntas
não se embriagar
com respostas prontas...
O perigo
não é a ignorância
é a inércia
é o conforto da mente
anestesiada
pela repetição...
Despertar dói
mas viver em coma
é o fim do pensamento
e da sua poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
26 De Julho - Dia da Orixá Nanã
💜 Sou de Nanã 💜
Sou filha de Nanã
da lama sagrada nasci
com o tempo nos olhos
e o silêncio das águas profundas
a me embalar o destino...
Carrego no ventre
a memória dos ancestrais
o segredo dos pântanos
o eco dos trovões distantes
e a ternura que cura...
Sou lenta como o rio que pensa
e densa como a neblina que cobre a dor...
Meu passo é velho
é sabedoria
é colo de avó que acolhe
e espírito que não se apressa...
Sou filha de Nanã
deusa da criação e do fim
teço com fios invisíveis
o ciclo eterno da vida
onde tudo começa
e tudo retorna...
Sou filha de Nanã,
e em mim dança o barro da origem
a substância da existência
antes mesmo do verbo ser soprado...
Minh’alma tem cheiro de chuva antiga
meus olhos vêem para além da carne
meu silêncio pesa como bênção
e minhas palavras brotam
devagar como cura...
Sou o portal entre mundos
o lodo que nutre a raiz
o tempo que gira em espiral
a avó que embala o futuro
no colo do passado...
Trago a paciência dos búzios
a firmeza do cajado de osso
e a compaixão que renasce
do que apodrece
pois tudo
até a dor
tem sua flor na lama...
Sou filha de Nanã
e caminho
com passos de eternidade
sabendo que cada morte
é apenas um outro nome
para recomeço...
Sou filha de Nanã
e minha pele carrega o pó das estrelas
misturado ao húmus da terra
Sou feita de ontem
sou feita de sempre
sou feita do que não morre...
Na palma da minha mão
repousam mistérios antigos
o sopro do mundo
quando ainda era ventre
o primeiro choro
do que viria a ser gente...
Falo com os ventos
que cruzam os manguezais
ouço a saudade do tempo
no coaxar das rãs
e entendo os silêncios
como quem lê oráculos...
Sou filha de Nanã
e ando entre os vivos
com os pés de quem sabe
o caminho dos mortos...
Mas não temo
carrego em mim a luz lilás
que me guia mesmo na escuridão...
Tenho em meu peito
o tambor do mundo
e no meu olhar
o reflexo do espelho
onde o tempo se penteia...
Sou filha de Nanã
e meu corpo é altar de calma
cada ruga que um dia terei
já vive em mim como promessa
cada perda já me prepara
para a colheita mais profunda...
Sou quem recolhe o que caiu
quem vela o que se parte
quem canta para embalar
o fim que anuncia o recomeço...
Meus braços foram feitos
para envolver tormentas
meus olhos para enxergar
o que não cabe na luz do dia...
Sou a noite que consola
o luto que ensina
a transformação que silencia...
Na beira do pântano
planto segredos com fé
e mesmo sem pressa
sei que tudo germina
sob o olhar de Nanã...
Sou filha da lama
da vida espessa e viscosa
que molda o espírito em paciência
e quando danço,
a terra respira mais devagar...
Sou filha de Nanã
e em cada passo que dou
carrego a força mansa
de quem sabe que a eternidade
não se alcança correndo
se cultiva...
Sou filha de Nanã,
e meu destino
não se escreve com pressa
ele se desenha
no fundo das águas paradas
onde moram os reflexos
do que já foi
e do que será...
Carrego no peito
a memória do mundo submerso
onde palavras não alcançam
onde apenas a alma entende.
Sou barro moldado com reza
sou sopro de tempo
soprado com fé...
Minha fala é murmúrio
de quem conhece o silêncio
minha força é de raiz
que se agarra ao invisível...
Sou filha de Nanã
e por isso não temo a morte
ela é só outra veste
outra dança
outra travessia...
trago no meu ventre
a semente do renascimento
e nos meus cabelos
o orvalho do tempo antigo...
não me iludo com brilhos fáceis
prefiro o brilho fosco
das verdades profundas...
Sou filha de Nanã,
e toda vez que o mundo se cala
eu escuto
toda vez que o mundo corre
eu paro
toda vez que tudo parece acabar
eu recomeço...
Saluba Nanã!!! 💜
✍©️ @MiriamDaCosta
25 de Julho
*Aniversário da #ABL-Dia Nacional do Escritor*
Ode ao Escritor
Abençoada é a mão do escritor
que faz da palavra
um lume na escuridão
que costura silêncio e sonho
em versos de redenção...
É ele quem dá voz
ao que o mundo cala
quem ouve o sussurro
do tempo
e escreve com a alma
aberta, ferida
e farta de sentir...
Do caos
ele tece sentido
do amor
faz abrigo
do medo
um poema
do instante
eternidade...
Semeia letras no papel
como quem planta futuro
cada frase
um sopro de mundo
a germinar consciências...
Escritor
guardião da memória
alquimista do verbo
voz dos que
não puderam falar...
Neste dia
reverencio tua coragem
teu ofício sagrado
de transformar
dor em beleza
e silêncio
em liberdade...
Parabéns e Gratidão!
✍©️ @MiriamDaCosta
