Coleção pessoal de MiriamDaCosta

21 - 40 do total de 687 pensamentos na coleção de MiriamDaCosta

É terrível ver
tantos seguidores
da ignorância.
É triste ver
tanta cafonice
cultural.


É terrível
ver a ignorância
com tantos fiéis.
É triste
ver a cultura
reduzida ao raso.
✍@MiriamDaCosta

Paz de espírito?!


É um poder espiritual interior
que bem material algum
consegue negociar.


A paz de espírito
é um poder silencioso e íntimo,
um território sagrado,
onde nenhum bem material
tem moeda suficiente
para sequer tentar entrar.
✍@MiriamDaCosta

Ser
tem um valor elevadíssimo
e cobra um preço
que não se parcela,
não se negocia,
não se adia.


Ser exige sangue, suor,
pele, carne, coragem,
determinação, resiliência
e a renúncia dolorosa
de todas as máscaras confortáveis.


E a maioria dos “eus”
que transitam
nesse mundo apressado e raso
prefere o disfarce, a superfície,
o aplauso fácil e estantâneo
do não-ser.


Porque não possuem crédito,
nem lastro,
nem a ousadia necessária
para sustentar o peso
de existir em verdade.


Então vivem…
mas não são.
✍@MiriamDaCosta

Um verdadeiro poeta
não faz poesia para os leitores,
prefere fazer leitores
para as suas poesias.


Ele escolhe descrever
as nuances da alma humana
em seus versos,
e assim vai...
acariciando
ou golpeando
cada leitor.


Um verdadeiro poeta
não corteja aplausos,
não se curva à pressa
do entendimento,
nem adestra palavras
para caberem em bocas distraídas.


Ele escreve
como quem acende incêndios
em territórios ainda intactos,
como quem abre fendas
na superfície lisa do pensamento.


Escolhe habitar
as multifaces da alma humana,
as zonas de sombra,
os excessos de luz,
os silêncios que gritam
e as verdades
que ninguém ousa nomear.


E assim vai...
verso após verso,
sem pedir licença,
ora acaricia,
como quem reconhece feridas
e sopra delicadeza sobre elas,


ora golpeia,
como quem rompe couraças antigas
e expõe o que o leitor
passou a vida inteira evitando ver.


Porque sabe,
não é o leitor que encontra o poema,
é o poema que encontra o leitor
e o atravessa.


E, quando isso acontece,
já não se sai ileso,
algo se desloca,
algo se inaugura,
algo se ganha ou se perde
para sempre.


E é nesse instante,
silencioso, íntimo, irreversível,
que nasce, enfim,
um leitor.
✍@MiriamDaCosta

Ela aprendeu a ler
não somente
as letras,
as frases,
os textos
e os livros ...


qualquer pessoa
alfabetizada
é capaz disso.


Ela
já cursava a leitura
e a interpretação
dos sinais,
das entrelinhas
e dos mistérios da natureza,
do tempo e das pessoas,
antes mesmo de ser alfabetizada.


✍@MiriamDaCosta

Liberdade?
Cada ser humano possui
a liberdade de escolher
a própria prisão.
✍@MiriamDaCosta

08 de abril - Dia do povo cigano 💃


Oração Cigana 💃


Salve a Lua, salve o Sol!
Salve a Noite, salve o Dia!
Salve a Força do Universo,
salve o Poder da Natureza!


Salve os quatro Elementos:
salve a Água e a Terra,
salve o Fogo e o Ar!


Salve a Fauna, salve a Flora!


Salve o meu Anjo Guardião,
e todas as Entidades de Luz
que me guiam,
que me guardam,
que me protegem!


Salve a Vida,
e todo o sagrado aprendizado
que nela pulsa e floresce.
💃 ✍️ @MiriamDaCosta

A diferença entre pensar e refletir


Todos, de uma forma ou outra,
têm a capacidade de pensar.
Mas poucos são capazes de refletir.


Pensar é um fluxo,
natural, rápido, incessante.
Quase sempre automático,
por vezes raso,
muitas vezes apenas ruído.


Refletir, não.


Refletir é pausa.
É escolha.
É mergulho.


É o ato consciente
de atravessar um pensamento
e olhá-lo por dentro,
por ângulos diversos,
até que ele revele
mais do que aparenta.


Pensar acontece.
Refletir exige.


Pensar passa.
Refletir permanece.


E é nesse intervalo,
entre o que surge
e o que se compreende,
que nasce
a possibilidade da sabedoria.


✍©️ @MiriamDaCosta

A interpretação dá origem
a muitas filhas,
cada cabeça nutre e cuida
da sua própria.


Filhas
incontáveis
e indomáveis,
e cada mente as embala,
alimenta e educa
seus sentidos
à sua maneira.


E assim crescem,
diferentes entre si,
como se a verdade,
muitas vezes,
fosse apenas uma mãe
incapaz de reconhecer
todos os rostos
que dela nasceram.


✍©️@MiriamDaCosta

Um talento, quando sufocado
pelo excesso
ou abandonado ao ócio,
definha em rotina.


Mas, quando dança
no equilíbrio entre ambos,
deixa de ser vício ou inércia
e se revela
plena virtude viva,
pulsante, consciente.
✍©️@MiriamDaCosta

Umbral Park


As pessoas temem o umbral
como se fosse um abismo distante,
um território sombrio reservado
aos que “caíram”.


Mas caminham, distraídas,
por corredores de um mundo
onde a luz é fachada
e a sombra é norma.


Vivem em um parque temático
de ilusões e crueldades sutis,
um Umbral Park
onde a dor é naturalizada,
a indiferença é entretenimento
e a consciência… opcional.


Aqui,
fantasmas vestem carne,
e muitos corpos
já não abrigam presença alguma.


Temem o pós-morte,
mas não percebem
a morte em vida
que respiram todos os dias.


E assim seguem,
comprando ingressos para o próprio esquecimento,
sorrindo nas filas do absurdo,
sem notar
que o verdadeiro umbral
não é para onde vão…


é onde já estão.
✍©️@MiriamDaCosta

A poesia é a ambrosia
que me faz extasiar
com a divindade
do viver.
✍©️@MiriamDaCosta

O oásis silencioso


A praia completamente desnudada
da caótica presença humana
é um dos meus oásis.


Ali,
o vento não disputa espaço com vozes,
nem o mar precisa gritar
para ser ouvido.


A areia repousa em sua própria epiderme,
sem marcas de exibicionismo e vaidade,
sem rastros de pressa, gritaria e estresse.


E eu,
descalça de rumores do mundo,
finalmente me reconheço
na vastidão simples
de existir em simbiose com Ele,
o mar.


✍©️@MiriamDaCosta

Ventos outonais


O Outono vem embarcando
no ùtero da estação
dos meus versos,


e eu ...
lentamente,
vou caminhando
e sangrando poesia
entre os ventos
orvalhados de folhas,
galhos, espinhos,
pétalas e sementes...


e me deslumbro
cada vez mais
com toda a nudez poética
dos roseirais,
arbustos e àrvores
do meu ser ...


Sou filha do Outono
ovulando Primavera.


✍©️@MiriamDaCosta

Ritos e contradições...


Dizem que na Semana Santa
não pode comer carne,
é pecado.


Mas nos outros dias,
fica liberado
devorar o outro
em fatias de indiferença,
temperadas com egoísmo
e servidas frias
na mesa da conveniência.


Na Sexta-feira santa,
o prato é vigiado,
mas a língua,
essa continua afiada,
cortando, ferindo, julgando
sem qualquer jejum.


O corpo se abstém,
mas a consciência…
segue em jejum
o ano inteiro.


E na crueldade das torturas
que se perpetuam,
não há silêncio,
não há luto,
não há penitência.


Que curioso ritual esse
que santifica o cardápio
e absolve a crueldade cotidiana.


Talvez o verdadeiro pecado
não esteja na carne
que se come...


mas na humanidade
que se deixa de exercer.


✍©️@MiriamDaCosta

Os direitistas, bolsonaristas e afins...
fizeram de tudo para condenar e prender ( baseados em convicções) o Lula.


Agora, fazem de tudo para blindar/proteger ( mesmo com evidências de provas)
os seus comparsas/aliados.


Fizeram tribunal de convicções
ergueram sentenças no ar rarefeito
onde provas eram dispensáveis
e certezas… bastavam.


Apontaram dedos em riste,
vestidos de moral emprestada,
gritaram justiça
como quem grita guerra.


E guerrearam.
Condenaram antes do tempo,
antes da prova,
antes da verdade,
porque a pressa
sempre foi inimiga da lucidez.


Agora…
diante dos seus,
das suas próprias sombras
projetadas no chão da história,
erguem escudos,
costuram silêncios,
inventam dúvidas
onde as evidências gritam.


A régua entorta,
a balança pende,
e a justiça,
essa palavra tão usada,
vira apenas instrumento
de conveniência.


Não era sobre justiça,
nunca foi.
Era sobre lado.
Era sobre poder.


Era sobre quem pode
e quem não pode
ser julgado.


E assim,
entre convicções e provas,
a verdade segue,
não absolvida,
não condenada,
apenas…
blindada
e adiada.


✍©️@MiriamDaCosta

A arte e a poesia, em geral, são criações destinadas a serem interpretadas dentro do universo da sensibilidade e da subjetividade de cada indivíduo.
E esse universo, por vezes, pode estar restrito às próprias limitações cognitivas e emocionais.


A arte e a poesia são expressões humanamente divinas que, antes de tudo, precisam ser sentidas no processo íntimo da interpretação individual.
Infelizmente, nem todos possuem essa prerrogativa.


Muitos preferem, antes mesmo de tentar compreendê-las, criticá-las e condená-las como aberrações,
quando, na verdade, é nelas que se veem refletidos.


Afinal… a humanidade, desde os tempos mais remotos, no cotidiano de sua própria realidade, o que é senão uma sucessão de contradições, excessos e deformidades?


A arte e a poesia sobrevivem justamente por isso,
porque testemunham.


Um exemplo histórico dessa incompreensão diante da criação artística é o quadro
#Guernica, de #PabloPicasso,
uma obra que, ao escancarar a dor e a brutalidade humanas, foi por muitos rejeitada,
não por falta de significado,
mas por excesso de verdade.
✍©️@MiriamDaCosta

A semana dita "santa"


Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.


Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.


Eu olho,
e não vejo santidade.


Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.


Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.


Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.


E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?


Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?


Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.


Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.


Mas eu não consigo.


Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.


Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.


Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.


Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta

A superficialidade
estava entediada e inquieta...
e sorrindo, decidiu perguntar à profundidade por que ela era assim tão calma e triste.


a profundidade respondeu assim:


- Para saber...
basta olhar para si mesma
com a superfície dos meus olhos.


A superficialidade riu, leve,
quase distraída, como quem
não entende o peso
de uma pergunta.


- Ora, eu me vejo todos os dias, disse,
clara, brilhante, cheia de movimento e
não há mistério em mim.


A profundidade silenciou por um instante,
como quem escuta o que não foi dito,
e então falou, mansa:


- É justamente isso.
Tu te vês apenas onde a luz toca,
onde o reflexo te devolve intacta.
Mas não te conheces
onde a luz não ousa ficar.


A superficialidade hesitou,
um segundo apenas,
como se algo tivesse roçado
as margens do seu entendimento..


- E o que há lá? ( perguntou)
já sem o mesmo sorriso.


A profundidade respondeu:
- Há o que sustenta o que tu mostras.
Há o que dói, o que cria,
o que transforma.
Há silêncio,
e no silêncio, verdade.


A superficialidade então se inclinou,
curiosa e receosa, tentando enxergar
além do próprio brilho…
Mas recuou.
- É escuro demais.


E a profundidade, sem julgamento,
apenas concluiu:
- Não é escuro…
é vasto.
Imensamente vasto,
como a linha do horizonte
sobre o oceano.


A superficialidade
então ficou em silêncio,
pela primeira vez sem pressa,
sem brilho e sem resposta pronta.


Algo nela vacilou,
não como quem quebra,
mas como quem percebe
que nunca se sustentou sozinha.


E ali, à beira de si mesma,
entre o reflexo e o abismo,
sentiu um chamado
que não vinha de fora.


A profundidade apenas permaneceu,
como o mar que não insiste,
mas espera.
E, por um instante rar
a superficialidade não quis parecer,
quis entender.


Mas o entendimento,
assim como o oceano,
não se atravessa correndo.


É preciso,
com calma corajosa,
nele afundar.


©️✍@MiriamDaCosta

Se algum dia
eu envelhecer suavemente,
ou se, por alguma razão precoce,
a memória se dissipar
como névoa ao amanhecer,
se eu esquecer nomes, rostos
e até mesmo a mim…


Ainda assim,
minha memória
não estará perdida.


Ela apenas
terá recolhido o corpo
para repousar em silêncio,
entre os vales coloridos,
as montanhas verdejantes
e o mar sereno
da minhalma poética.


Ali, ela se banhará tranquila
nas águas mansas das palavras,
recebendo o perfume,
a maresia nas ondas infinitas
dos meus versos.


E ficará livre,
plena,
acolhida no abrigo íntimo
do seu próprio âmago.
©️✍@MiriamDaCosta