Coleção pessoal de michelfm

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Faço um esforço tremendo,
Para crer em tudo que digo,
Discordo de tudo o que dizem,
Contudo, não diga nada a ninguém.

Nada disso acaba,
Tudo tem sabor,
Mas só o amargo salva,
Na canção do vencedor.

Toda coisa tem um preço,
Coisa alguma tem valor,
O sempre chega ao fim,
Na canção do perdedor.

Onde a luta se encerra
E o luto é permitido,
Fazem tanto sentido quanto,
Os sentimentos que perdi.

Mais um soneto inútil,
Outra película estúpida,
Difundindo teu veneno,
Consciência podre a nos intoxicar.

A existência aprisionada,
Faz do calabouço nosso lar.

Canções do Olhar Inconsolável

O olhar inconsolável,
Denuncia a vida cativa,
Na privação do ser,
Ao qual foi negada a liberdade.

A existência aprisionada,
Faz do calabouço nosso lar.

Indiscutivelmente Bela

Ela era lindíssima !
Indiscutivelmente bela.
Tornava-se belíssima !
Através de seu ar indebelável.

Mechas em castanho-claro lisíssimas,
Modeladas em franjas esvoaçantes,
Compunham seus traços rubros,
De feições escarlates e vidrantes;

Olhos de um castanho-escuro,
Naturalmente realçado,
Por longos cílios arqueados,
Em desproporção ao seu rosto,
Simetricamente traçado.

Alongando-se num semi-losango,
Avolumado,
Moldurado por sobrancelhas torneadas
E questionadoras.

Ela era lindíssima !
Indiscutivelmente bela.
Tornava-se belíssima !
Indiscutivelmente bela.

Recolhendo estilhaços,
Contorcionista teu,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.

Na linha horizontal
somos pontos de fuga,
Irradiamos proporções em plena vertical,
Desequilíbrio, assimetria e relatividade,
Nossa constituição é desproporcional.

Contorcionista teu,
Recolhendo estilhaços,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.

Na linha horizontal
somos pontos de fuga,
Nossa constituição é desproporcional.

Abrimos mão do consenso
Sobre a resposta correta,
Trezentos e sessenta e tantos dias
Ou uma volta completa.

Translações

Dentre trezentos e sessenta e tantos dias,
Que compõem os anos,
Foi este que escolhemos,
Foi neste que estreamos,
Juntos.

Entre presentes e vestimentas finas,
Roupas íntimas e trajes estranhos,
Nos trajamos na nudez,
Viemos da raiz aos ramos,
Juntos.

Hedonista convicto,
Extremista libertário,
Pretendente insensato,
Contra-o-verso persistente.

Trezentos e sessenta e tantos dias,
Uma volta completa, nossa intersecção.
Ângulos retos, agudos, completos,
Juntos e obtusos, radianos ou não.

Um aspirante a aprendiz,
Vitorioso em fracassos,
Submetido a tuas normas,
De anormais embaraços.

No início, desejamos mudar o mundo. Então o tempo passa e com ele, se vão as esperanças, ideologias, sonhos e utopias. Enfim, você compreende, que a questão nunca foi mudar o mundo e sim, sobreviver a ele.

Eu só quero poder acreditar em Deus, cara.
Do meu jeito, à minha maneira e com um objetivo real e prático. Sem nenhum religioso fanático, me dizendo o que eu não posso fazer. Sem nenhum cientista lunático, me dizendo o que eu devo fazer.

Num mundo repleto de muros,
viemos para construir Pontes.

Lamentavelmente,
Não sei contar histórias,
Nunca aprendi.

A narrativa que me perdoe,
Mas foi na rima que me perdi.

Imponente e rijo, invertebrado, maleável,
Limpo ou sujo, pomposo, eretificado;

Nunca digerindo refeições,
Insatisfeito consigo,
Sempre cuspindo em ninguém.

O simplório não nos pertence.
Não me nutri de meias tigelas,
Não somos proferidores de meias palavras;

Me coloco em pleno corpo;
Nosso corpóreo verso, sorve; composto,
Pretenso, denso e condensado.

Osteoblastos e Osteoclastos,
Laborando por entre as Lacunas de Howship.

Não me oponho ao que sou,
Quando escrevo me imponho,
Sou o que há de pior em mim,
Somos o que há de vil em nós.

Reconhecendo que não há condição outra,
A não ser o excesso e a exceção de sermos melhores.

À parte disso tudo,
Talvez tenha chegado, de fato, o momento,
Para se importar.

A grande maioria das pessoas,
Chegou e partiu sem motivos,
Continuará chegando e partindo sem motivos
E pouquíssimos terão algo a acrescentar.

Que abandonemos os ensaios,
Que tudo se resuma a estreias.

Apenas outro fragmento,
Desse todo confuso,
Profuso e sedento.

Traz alívio, conforto, alento.
E ainda que tímido,
Voraz.

(como é bom versar, com alguém que entende de verso).

Nas Aguadas Aventuras do Homem Mexilhão,
O Peso do Mundo sobre a Tróclea do Tálus,
É reduzido, graças ao empuxo.

Ele aconteceu por acaso,
Deu a mínima pra nada
E partiu sem querer.

A Arte é um apetrecho mordedor,
Desejando mastigar todas as Gominhas do bairro.

Fadário Sutil da Grosseria Aguda

Nos enfrentamentos do pedante inveterado,
Sustenta-se apenas um único desejo,
Inundar o mundo de poesia,
Num dilúvio de versos catatônicos.

Que toda mediocridade débil,
Intolerância senil,
Decrépita miséria psicológica e atitudinal,
Seja delicadamente trucidada,
Varrida pela torrente das estrofes.

Repetida realidade reflexa.
O "novo" e o "novamente" se fundem,
Se confundem, se desfazem,
São recursos, gastos, obsoletos, renováveis.

Tudo acontece com tamanha frequência,
Que somos tomados pela indiferença.

Talvez tenha chegado o momento, de se importar.

Nada de sublime nos homens.
A digna elevação humana,
Benévola e sacra,
Só pode ser localizada em algumas mulheres (Mães, vez por outra).

Todos podem agregar algo a este mundo,
Mas não espere que o façam.

Dialoguemos pois, frases curtas em longos textos, não me venha com desculpas, está diante do Mestre dos Pretextos.

Sujeitos Insubordinados

Desponta imponente
A legião solícita,
De luzes ofuscantes
Contra nós.

Em contração a conta bate,
Pelos meus cálculos,
Nenhum resultado correto
Ou significante.

Onde não há prova real,
Os problemas, são meros produtos
Felpudos, deste sistema envolvente,
Gracioso calculista acolhedor.

Permita-me carregar,
Todo o peso necessário,
Prossigo satisfeito
Com meus fardos.

Nós estruturamos
Nossa própria imposição,
De Sujeitos
Insubordinados.

Ah Maria,
Você salvou meu dia primeiro;
Depois salvou minha semana,
Meu mês e finalmente,
Salvou meu ano inteiro.