Coleção pessoal de mazzaborone

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Sou tua...

Quando a sua boca a minha boca usa
e sua mão sedenta em meu corpo ousa
com ardor arranca-me os botões, a blusa
na mesa me tem, mesmo junto à louça!

Sou tua... e os dedos longos percorrem-me as linhas
decorando a anatomia se agarrando às curvas
estremece as retas colinas minhas
ou simplesmente para e assim tortura-me!

Sou tua... se minha boca busca, procura
e o meu peito arfa, coração dispara
se sua voz sussurra me fazendo juras!

Sou tua... quando em gemidos a palavra fala
roucas de calor no temor me fazem surda,
frenesi por seu corpo em meu corpo exala

e sou tua!

Saudades...

Do seu perfume em minha pele,
do seu gosto em minha boca,
do seu beijo que me toca leve,
do arrepio que me deixa louca!

Saudades, da sua voz que me fala rouca
da sua mão que me percorre o corpo,
de me despir, quando me tira a roupa,
do seu olhar de desejo, morto!

Do seu suor a me escorrer no rosto,
do meu a cabelo a te envolver, molhado,
colado em seu belo torso!

Saudades de sentir de novo
o seu amor, por mim tão desejado,
apagar-me o fogo, me amar com gosto!

Violão

Companheiro de horas
incertas,
amigo de madrugadas
abertas,
dedilhar de lembranças
tão certas !


Percorro o seu braço
longo,
nas noites que passo
sem sono,
acaricio suas linhas
finas, sonadas,
que vibram e ecoam
melodias apaixonadas!
É o som do amor tardio,
solitário,
nas horas mortas da
alvorada !

E o choro geme nas cordas
da saudade.
Nas suas curvas,
envolvo o meu abraço;
e nos dedos ágeis;
ávidos da lembrança
do toque,
suas fibras cantam,
uníssonas, sonoras,
plagiando sinfonias de
outrora!

É o companheiro amigo,
solidário,
que canta comigo o amor
perfeito;
juntinho, abraçado,
bem encostado em meu peito,
arrancando de mim suspiros
com jeito!

Em perfeita parceria,
nos longos dias,
madrugadas quentes,
ou em noites frias;
esse "companheiro dileto"
tem sido por mil vezes,
"o meu único afeto"!

Amigo sincero,
bem junto ao coração,
canta pra ela minha
grande paixão;
o meu amor afinado
gemido, chorado,
apaixonado em canção;
arrancado das dedilhadas
cordas,
vibradas e sonoras;
do meu fiel violão !

Rendeiras

O sol amanhece na terra
da luz
é cedo, aurora, mas mesmo
assim, seu brilho já seduz.
A água de azul, prateada,
tremeluz, e envolve em uma
visão fascinada!

Coqueiros se balançam
suaves ao vento,
como em um adeus sonolento
ao luar que se foi;
brindam ao alvorecer azul,
de raios quentes, brilhantes
que vão do norte até o sul!

E o jangadeiro moreno,
chapéu de palha de carnaúba
amarra a sua rede de tucum;
eleva aos céus uma prece;
beija a mulher com ternura;
a mão forte apanha o remo,
e o cesto de bambu !

Passos firmes pela praia,
avista no balançar da marola,
o pequeno barco que se move,
ora pra lá, ora pra cá !
E ele, pescador experiente,
depressa a corda enrola,
e nessa hora, a sua jangada
vai pro mar!

De longe, com um olhar firme
de esperança,
enquanto a brisa os
seus cabelos destrança,
joga um beijo e acena
é o adeus e carinho da morena!

O mar, como a agradecer o gesto,
envia uma onda mansa,
que borbulhante, desenrola a espuma branca
se esgueira pela areia,
chegando bem perto,
e molha e beija-lhe os pés com afeto!

E a morena, de volta ás sombras
dos coqueiros,
nos lábios um cantaroleio,
no peito um coração de amor, cheio;
e nas mãos, as obras de um artista
verdadeiro!

Acomoda a almofada com jeito,
espinhos de mandacaru no traçado
feito;
segurando os caroços de macaúba,
tece e não pede ajuda, no pedaço
de pano desfeito !

Desfiar o pano e o recompor
em enchimento, bainha e caseio,
com mãos seguras, cheias de permeios;
dão nós coloridos de artistas,
com bordados, que a nós,
encantam as vistas!
Nas praias, cabrochas,
verdadeiras sereias,
com sua arte, orgulham
o Ceará, as suas lindas Rendeiras !!

Paraty

Areias mornas, sob os pés, macias;
praias de beleza ímpar,onde
o olhar se perde, se delicia;
límpidas águas calmas
que refrescam a pele, que molham,
banham e são refrigério para a alma!

O amor floresceu junto a ti,
entre montanhas, mar e cachoeiras,
por aqui, como a febre do ouro, passou,
aquecendo, percorrendo as suas veias!
Saltou e nadou por lagunas, entre
rochas e corredeiras!

Sobreviveu em dias de fé, poesia e namoradeiras!
Com luares que se derramam
nas solitárias madrugadas,
por ruas alagadas e maresias,
em brumas ora densas, ora amenas,
num gotejar suave de fria e fina neblina!

A vida transborda em suas vielas,
aos olhares dos casais enamorados,
que se encantam e se apaixonam
em suas varandas ou janelas!

O sol, quando aqui amanhece,
o dia, quando entardece,
o luar, vela por ti, e anoitece;
o mar do seu leito desce; então, todo
o meu amado amor, que enaltece,
é Paraty, bela! Que adormece...