Coleção pessoal de mayte_balter
Tem dias em que a vida parece uma piada escrita por alguém com um senso de humor extremamente duvidoso.
Você acorda, resolve um problema, aparecem três. Tenta respirar, vem outra pancada. E no fim do dia ainda perguntam: “Mas e aí, tudo bem?”
Tudo. Bem.
O mais curioso da vida adulta é perceber que ninguém sabe realmente o que está fazendo. Tem gente sorrindo com ansiedade, motivando os outros enquanto desaba no banho, dizendo “fé” com a alma parcelada em 12 vezes sem juros.
E mesmo assim o mundo continua.
O ônibus passa.
Os boletos vencem.
O sol nasce com uma arrogância absurda, como se nada tivesse acontecido.
A dor mais funda nem é a tragédia.
É o desgaste.
É perceber que a vida não destrói de uma vez; ela vai mastigando aos poucos: expectativa, inocência, paciência, esperança… E quando você percebe, ficou mais fria, mais cansada e absurdamente boa em dizer “tá tudo certo”.
Mas existe algo quase poético nisso tudo:
Mesmo decepcionada, exausta e ironicamente consciente do caos… continua levantando.
Talvez não por coragem.
Talvez só porque amanhã ainda tem roupa para lavar.
