Coleção pessoal de matheusbomfim
O Infortúnio
Oh, como eras bela
Tu eras encantadora
De todas, a mais virtuosa
Eu olhava para ti com desejo
Tu eras como uma rosa
Tão pulcra e simultaneamente má
Me machucaste de maneira indelével
Deixaste-me com uma ferida aberta
Tal qual nunca cicatrizará
Oh, minha orquídea, por quê?
Não eras tu a mais aromática?
Não eras tu a mais delicada?
O que acontecera contigo?
Abruptamente mudaste comigo
Não entendo, realmente não entendo!
Como pudeste mentir este tempo todo?
Disseras para mim que eras uma rosa
Tu és, na verdade, uma dália negra
Tão sombria e misteriosa
Esconderas de mim coisas mirabolantes
Por que me fizeste de bobo?
Divertias-te com o espetáculo?
Oh, maldita hora em que fui te apreciar
Ah, tua beleza... me enfeitiçou
Tu me enlaçaste com todo vigor
Me descartaste sem nenhum pesar
Nem olhaste para mim
Não pensaste em meu coração?
Graças a ti, mudei
Mudei-me para pior, talvez...
Não, não, realmente não sei...
Guardei para ti algo profundo
Um dia o entregarei
Todas as minhas lástimas
Não...
Toda a minha raiva, ódio, rancor e aversão
Te darei de bom grado
Farei ti entender os meus sentimentos
Entenderás as minhas emoções
Escutarás os meus gritos
E talvez, só talvez... Tocarás meu coração.
Por causa de ti, odiei todas as rosas
Como posso odiar todas sem conhecê-las?
O que fizeste comigo, mudou-me
Transformei-me em alguém perspicaz
Me fizeste experienciar uma perda
Contudo, abriste os meus olhos
Estou enxergando o mundo
Jazem falhas nesse lugar
Lembrarei fielmente disso
Não tropeçarei novamente
Não cometerei o mesmo infortúnio
Tal qual, não chorarei por teu rumo...
