Coleção pessoal de MariaLuizaGrochvicz

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⁠"Luz de Verdade"

Eles não me olharam com os olhos do julgamento,
não levantaram os dedos para meus erros,
nem me pediram para ser outra.
Eles me olharam com paciência,
com carinho,
com a verdade que só quem acolhe de verdade tem.

Eles foram luz quando tudo parecia sombra,
brilho suave em meio a amizades tortuosas
que se quebravam como vidro
no peso da falsidade.

Nos risos, encontrei liberdade,
nas brincadeiras, encontrei abrigo.
Nos momentos simples,
vi o que realmente é ser amigo:
não é uma troca de favores,
mas uma troca de almas.

Com eles, fui eu, sem máscaras,
sem o medo de não ser suficiente,
porque com eles, sempre fui mais
do que eu imaginei ser.

Lembro das saídas,
das histórias contadas sem pressa,
das noites que se estendiam
como se o tempo não fosse mais importante
que o abraço da amizade verdadeira.

Se eu pudesse, reviveria cada um desses dias,
porque sei que os momentos ao lado deles
são pedaços de eternidade
que vou carregar para sempre comigo.

⁠Quadro em Branco

Ela me chamava de linda,
maravilhosa, incrível —
mas só quando alguém via.
Quando ninguém olhava,
eu era só um quadro em branco
pronto pra receber os rabiscos que um dia ela recebeu.

Dizia gostar de mim,
mas me empurrava
pra dentro de um mundo que não era meu,
cheio de palavras que eu não queria ouvir,
de ideias que não me vestiam.

Era como se sua escuridão
pedisse companhia.
Mas não por consolo —
por arrasto.

Ela era lousa cheia de marcas,
de frases cuspidas com força,
e queria que eu,
calma, limpa,
me tornasse reflexo do que ela já foi um dia.

Queria me ver tropeçar
onde ela caiu,
me ver perdida
onde ela se perdeu.

E eu, que só queria acolher,
quase fui moldada por mãos que não sabiam tocar.

Meus amigos viam —
viam o que eu demorava a ver.
Que havia elogio, sim,
mas era casca.
E por dentro, só o desejo
de me fazer menos eu.

Mas eu não fui.
Não me tornei.
Não desci o esgoto
pra caber no escuro dela.

Preferi ser ponte,
não túnel.
Preferi ser flor que cresce fora do caos,
e não raiz que se enrosca no que fere.

Hoje, guardo a lembrança,
mas não a culpa.
Porque às vezes,
a amizade também é saber dizer:
"eu não vou contigo,
não desse jeito."

⁠"Peso de Uma Mão Só"

Ela se aproximou como quem oferece abrigo,
mas só procurava abrigo em mim.
Trazia a capa da amizade,
mas por dentro só carregava espera —
espera de tudo que eu podia fazer.

Fazia de mim degrau,
escada, ponte,
me pedia tudo,
e eu — tola por amizade — dava.

Corria por ela,
dobrava o tempo,
me sacrificava em silêncio
por uma amizade que era só espelho,
refletindo só o que a favorecia.

E quando a luz se acendia,
ela estava no centro.
O brilho era dela,
o feito era dela,
eu era só a sombra que ninguém nomeia.

E o mundo a aplaudia,
como se ela fosse santa,
como se o esforço fosse dela,
como se eu não existisse atrás da cortina puxada.

Fui corpo sem rosto,
mão sem palma,
voz que ecoava no fundo
sem nunca tocar o ar.

Ela nunca quis me conhecer,
só queria o que eu podia oferecer.
E quando precisei,
sequer se virou.

Hoje vejo:
amizade que pesa só de um lado
é corrente, não laço.
É prisão, não afeto.

"⁠Cicatrizes Invisíveis"

Fui jarro nas mãos erradas,
quebrada sem que me vissem,
minhas palavras, vazias
no silêncio das piadas disfarçadas,
minhas histórias, rasgadas
nos sorrisos forçados.

O que era risada
era apenas disfarce.
Havia inveja mal escondida,
um veneno suave,
despido de palavra,
mas que se infiltrava
no olhar que cortava sem tocar.

Tirei 10,
mas foi um prêmio falso,
uma vitória que não era minha,
encoberta pelo peso
do olhar que disfarçava o desgosto
e se escondia atrás de uma máscara
de amizade,
que, na verdade, não passava de um jogo.

"Vai confiar em cobra besta",
disse a professora, com um sorriso
que não via minha dor,
mas refletia o reflexo de quem me cercava,
de quem me deixava sangrar
sem sequer perceber o corte.

E naquele espaço vazio,
encontrei o que faltava:
amizades que nunca se esconderam
na sombra da inveja,
que não precisaram me diminuir
para se sentir elevadas.

Porque o que é genuíno
não fere, não corta,
não ri do sangue que escorre.
Agora, sou inteira.
Não sou mais jarro.
Minha autoestima, antes despedaçada,
é agora uma fortaleza construída
com os pilares da verdade e da confiança.

A inveja mal escondida
já não me atinge,
não porque ela desapareceu,
mas porque, agora, sou forte o suficiente
para não me deixar mais quebrar.

E quem riu enquanto sangrava,
não entenderá a paz que hoje tenho,
pois aprendi que a luz verdadeira
não se apaga com sombras alheias.

⁠Sobre me parecer com eles...
Por Luiza_Grochvicz.

Às vezes me perguntam: com qual filósofo você se parece?
E eu fico em silêncio.
Porque me parecer com alguém é sempre também uma forma de não ser ninguém por completo.
Mas se for preciso traçar espelhos, que sejam espelhos em águas agitadas — nunca nítidos, sempre em movimento.

Com Kierkegaard, compartilho a vertigem.
Aquela dor silenciosa de estar vivo, de ser livre demais, de pensar tanto que quase se dissolve.
A angústia dele não me assusta — ela me reconhece.
Como se a alma dele tivesse escrito cartas para a minha, antes mesmo de eu nascer.

Com Clarice, é o sangue da palavra.
Não escrevemos — sangramos.
Ela também sentia demais e dizia pouco, mas o pouco explodia.
Clarice escreve como quem ama o que não entende. E eu também: escrevo para encontrar o que nunca procuro.

Com Camus, compartilho o absurdo.
A beleza de estar num mundo que não faz sentido, e ainda assim levantar todos os dias.
Ele era o silêncio das pedras; eu sou talvez o sussurro do vento.
Mas ambos sabemos: é preciso imaginar Sísifo feliz, mesmo com o peso da pedra.

Com Beauvoir, é a liberdade.
O incômodo.
A recusa em aceitar que viver seja só obedecer.
Ela pensava com coragem, sentia com lucidez.
Me inspira a ser mulher sem rótulo, filósofa sem jaula, pensadora com pele.

Me pareço com todos, e ainda assim, sou outra.
Porque filosofar, pra mim, é tocar o invisível com palavras.
É doer bonito.
É pensar como quem ama demais.

⁠Se uma frase emociona, inspira ou transforma... importa quem a escreveu?

⁠Você não é difícil de amar. É só que sua profundidade assusta quem só sabe nadar na superfície

⁠Tem gente que vive leve não porque não sente, mas porque já aprendeu a carregar o peso sem se esquecer de respirar.

⁠Às vezes, desaprender é o primeiro passo pra lembrar quem você era antes do mundo ensinar demais.

⁠Não existe pressa para quem está aprendendo a sentir. Sentir já é demora suficiente

⁠O amor que não tenta te consertar é o único que sabe onde mora tua alma.

⁠Algumas dores não pedem cura — pedem espaço para existir sem serem julgadas.

⁠Você não precisa ser compreendido o tempo todo. Só precisa ser verdadeiro o suficiente para não se trair.

⁠Tem silêncio que grita mais alto do que qualquer discussão. E é nesse grito mudo que a gente se encontra ou se perde.

⁠Às vezes, ser livre é só aceitar que há dias em que nem a gente se entende.

⁠Nem todos vão me entender. Nem todos vão ler. Mas os que lerem... esses não vão me esquecer.

⁠Aquela que sabia mais do que dizia uma vez sussurrou: amigos não existem. Existem apenas presenças passageiras, que se dissipam com o tempo e se tornam sombras difusas em nossas lembranças.

⁠A liberdade verdadeira é o peso de ser responsável por nossa própria existência.

⁠O ser humano nasce com a angústia de saber que a vida não lhe pertence, e ainda assim, busca nela seu significado.

⁠A busca por sentido é o que torna a vida insustentável, pois quanto mais buscamos, mais nos perdemos.