Coleção pessoal de maria_vitoria_52
Confusão do Coração
Tudo começou simples,
nós éramos só amigos.
Até que um dia você perguntou:
— Quer namorar comigo?
Eu disse sim, sem dúvida nenhuma,
sem pensar, sem hesitar.
Foi assim que eu aprendi
o que é de verdade amar.
Um ano de felicidade,
até que alguém apareceu.
Do nada, sem esperar,
e mudou tudo o que era meu.
Nós nos aproximamos,
e eu comecei a perceber:
não era só amizade,
havia algo a mais no seu ser.
Veio um abraço,
e eu não consegui pensar.
Depois veio o medo:
— Isso não pode acontecer,
eu tenho alguém que amo,
e é preciso entender.
Você disse: foi sem querer,
te vejo como amiga, é verdade.
Mas no fundo eu não acreditei,
e não consegui me afastar,
mesmo sem entender
o que estava a passar.
E então aconteceu o que eu temia:
um beijo, sem avisar.
Eu fiquei sem entender nada,
só consegui me afastar.
Mas não conseguia parar de pensar,
então resolvi falar,
contei tudo o que sentia,
sem medo de me entregar.
Você disse não estar pronto,
mas depois voltou a falar,
falou em esperar um dia,
em um dia poder ficar.
Mas sumiu por uma semana,
e voltou como se nada fosse,
como se tudo o que aconteceu
fosse apenas uma doce ilusão.
E mesmo hoje você continua aqui,
repara em cada detalhe, em cada coisa que eu digo.
Uma vez eu disse que tinha esquecido minha garrafa,
e do nada você me entregou a sua, sem dizer mais nada.
Gestos tão pequenos, mas que dizem tanto...
E ao mesmo tempo, parece tão distante,
como se nunca tivesse sentido nada.
Me trata como amiga, com toda a calma do mundo,
e é como se aquele beijo, aquelas palavras,
tudo tivesse sido apenas na minha cabeça.
Como se nada tivesse acontecido.
E ao meu lado, sem saber de nada,
está quem me acolheu com todo carinho.
Quem me conhece de verdade,
quem segura a minha mão,
quem me ama com calma, com certeza,
sem dúvidas, sem medo, sem hesitação.
Eu o amo tanto, de um jeito tão bonito,
um amor que é paz, que é abrigo, que é lar.
Eu poderia escolher ser feliz com ele,
com quem sempre esteve ao meu lado,
com quem nunca me deixou na dúvida.
Mas é aí que mora a minha dor:
eu posso escolher o que é certo,
mas não consigo mandar no coração.
Não consigo simplesmente esquecer
quem apareceu do nada
e bagunçou todo o meu ser.
E agora eu estou aqui,
com uma música tocando alto
pra tentar abafar o que sinto.
Mas não adianta.
E ainda tem aquela música,
aquela que você me mostrou.
Ela me assombra todos os dias,
como uma lembrança,
que eu não consigo apagar.
E eu fico presa no meio,
sem escolha, sem saída,
só com o som dela na cabeça,
me lembrando de tudo
que eu só queria esquecer.
© 2026 Vitória — Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia da autora.
