Coleção pessoal de maria_jose_torres_ferreira_lanza
Um relacionamento a dois, é como o vinho. Precisa ser maturado em ambiente adequado e temperatura favorável.
Se não for assim, azeda...
Sessentona
É preciso humildade para aceitar as pelancas, rugas, olheiras profundas e amar esta cara que vai se tornando quase desconhecida.
E me encara sempre que olho no espelho...
Férias.
A casa da avó vira escola, floresta, praia, shopping, escritório, salão de beleza, castelo para as princesinhas.
A avó fica encantada com a criatividade da netinha.
O tempo passa.
Casamentos se desfazem por motivos diversos.
Mas, as páginas do livro da história de um casal estarão sempre espalhadas pelo vento da vida.
Cada descendente é uma página.
Meu coração de avó é um laboratório onde minha netinha pode experimentar, descobrir as coisas da vida, sem se preocupar com erros e acertos.
Passado é o ontem visitando o hoje.
Na pele, no olhar
no cheiro, na mente
o passado sempre é presente.
O circo
Estamos no picadeiro e não existe ensaio.
Palhaços contando as mesmas piadas sem graça.
Trapezistas sem rede para aparar.
Malabaristas tentamos não deixar a peteca cair.
Mágicos sem cartola multiplicando o pouco da dignidade que nos sobra.
Domadores de toda a violência explícita, ou não.
Sem receber aplausos por nossa atuação.
É! Nossa vida parece um circo...
Quero morar em uma garrafa
jogada ao mar
vagar por aí
levada pelas ondas
sem saber em que praia irei parar.
Da série quase sessenta
Escaneando fotos antigas...
Percebo que à medida que vivemos também morremos aos poucos a cada dia. Primeiro morre em nós a infância, depois a juventude. Na idade adulta as preocupações diárias nos envolvem. Falta tempo. Ou não nos damos o tempo que precisamos, para viver plenamente. O tempo vai passando, se desfazendo dia após dia e não percebemos o que deixamos de fazer, ou de dizer.
E nosso livro da vida vai sendo apenas folheado.E não lido...
Retrospectiva
Olhar para trás para ver o feito, o não feito, o desfeito, lágrimas, risadas, suspiros, tédio, força, medo, cansaço, desencantos, ecantamentos.
Juntar tudo em um trampolim que nos impulsione pra cima e pra frente...pra frente... pra frente...
Carrapichos
Quando criança me arreliavam.
Inteiros, pareciam íris a me observar.
Soltos e grudentos, agarravam nas meias brancas, na conga azul.
Hoje, sinto saudade deles.
O vento também levou os carrapichos…
Tempo...tempo...tempo!
Brincando, como um carrossel
passando, rodando, redondo
sem quinas ou cantos
pra gente agarrar ou esconder
e só observar o tempo passar.
Vai nos mudando
depressa
ou devagar.
Mudanças sutis.
Ou grandes mudanças
refletidas no espelho do tempo...tempo...tempo!
Caprichoso, teimoso, impaciente.
Sempre muda a gente
que muda com o tempo.
Gente que não consegue
descobrir mágica, feitiço ou oração
que tenha a chave para mudar o tempo...tempo...tempo!
Arco-íris e felicidade são irmãos gêmeos.
Efêmeros, belos, acalmam após as tempestades.
Talvez, por serem efêmeros, arco-íris e felicidade são tão especiais e bem-vindos.
Orquídeas
admiráveis
amadas
independentes
caprichosas
exóticas
selvagens
só florescem quando é seu próprio desejo...
Trevos de quatro folhas
sorte para quem os encontra
escondidos
no silêncio
no sorriso
na bondade
no respeito
na palavra acolhedora.
Para encontra-los,
é preciso ter olhos para ver
e coração para sentir…
Nesta terra tem palmeiras
onde cantam sabiás
e outros passarinhos…
Meu coração é de mineira
mas nele cabe, junto,
o nordeste inteirinho!
