Coleção pessoal de marcelo_monteiro_4
“Há silêncios que dizem mais que palavras, porque neles a alma conversa diretamente com o infinito.”
“O perdão é a chave que abre portas enferrujadas pelo tempo e devolve ao coração a liberdade perdida.”
“A humildade é a flor rara que cresce no jardim daqueles que descobriram que a alma vale mais que todas as conquistas do mundo.”
“Não temas as noites prolongadas; muitas estrelas só revelam sua beleza quando o céu se veste de sombras.”
“A verdadeira grandeza do homem não está na altura dos seus passos sobre a Terra, mas na luz que deixa por onde passa.”
“Há lágrimas que não anunciam tristeza; são apenas as fontes silenciosas onde a alma lava as dores que o mundo não compreende.”
OS GRITOS DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU.
Autor:
Allan Kardec.
REVISTA ESPÍRITA
SETEMBRO DE 1858.
Na sua Histoire de l´ordre du Saint-Esprit, edição de 1778, De Saint-Foy cita a passagem seguinte, tirada de uma coletânea do Marquês Christophe Juvenal dês Ursins, tenente general do governo de Paris, escrita pelos fins do ano de 1572 e impressa em 160l.
“A 31 de agosto de 1572, oito dias após o massacre de São Bartolomeu, eu tinha ceado no Louvre, em casa da senhora de Fiesque. Durante todo dia havia feito muito calor. Fomos sentar-nos sob uma pequena latada, ao lado do riacho, para respirar ar fresco. De repente ouvimos no ar um barulho horrível de vozes tumultuosas e de gemidos misturados a gritos de raiva e de furor; ficamos imóveis, transidos de espanto, olhando-nos de vez em quando, mas sem coragem de falar. Creio que esse barulho durou cerca de meia hora. É certo que o rei Carlos IX o ouviu, ficou apavorado e não dormiu o resto da noite; contudo, não fez comentários no dia seguinte, mas foi notado o seu ar sombrio, pensativo e desvairado.
“Se algum prodígio deve não encontrar incrédulos, este é um, e é atestado por Henrique IV. Em seu livro I, capítulo 6, páginas 561, diz d´Aubigné: Várias vezes aquele príncipe nos contou entre os seus familiares e cortesãos mais íntimos, e tenho várias testemunhas vivas de que jamais no-lo repetiu sem sentir tomado de pavor, que oito dias depois do massacre da Noite de São Bartolomeu, havia visto uma grande quantidade de corvos pousar e crocitar sobre o pavilhão do Louvre; que na mesma noite Carlos IX, duas horas depois de se haver deitado, saltou da cama, fez com que os camareiros se levantassem, e mandou dar busca, pois ouvia no ar um grande barulho de vozes gementes, em tudo semelhantes às que se ouviam na noite do massacre; que todos esses gritos eram tão chocantes, tão marcados e tão distintamente articulados, que Carlos IX pensou fossem os inimigos dos Montmorency e os seus partidários atacando-os de surpresa, pelo que mandou um destacamento de sua guarda para impedir esse novo massacre; que os guardas informaram que Paris estava tranqüila e que todo aquele barulho que se ouvia estava no ar”.
Observação: O fato relatado tem muita analogia com a história do fantasma que aparecia a Mademoiselle Clairon, relatada em nosso numero de fevereiro, com a diferença que neste caso foi um único espírito a manifestar-se durante dois anos e meio, ao passo que depois da Noite de São Bartolomeu parece ter havido uma inumerável quantidade de Espíritos, que fizeram o ar vibrar apenas por alguns instantes. Aliás, ambos os fenômenos têm evidentemente o mesmo princípio que os outros fatos contemporâneos e da mesma natureza, por nós já relatados e deles não diferem senão em detalhes de forma. Interrogados sobre a causa desta manifestação, vários Espíritos responderam que era um castigo de Deus, o que é fácil de compreender.
Nota: São Bartolomeu foi um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo. Pregou o Evangelho na Índia e na Armênia, onde foi crucificado no ano 71, por ordem de Astiage. A Noite de São Bartolomeu é o nome dado a uma das maiores chacinas feitas pelos católicos nos protestantes. Em linhas gerais os fatos foram estes: durante os séculos XVI e XVII, o Protestantismo desenvolveu-se na França sob duas seitas: os Calvinistas e os Luteranos; de 1560 a 1598 houve naquele país oito guerras religiosas, desencadeadas pela política católica que visava aniquilar o Protestantismo; a luta uniu ou federou aquelas seitas, cujo nome Huguenotes provavelmente de deriva do vocábulo alemão eidgenossen, isto é, federados, posto alguns suponham provir do da Torre do Rei Hugo, em Tours, onde aqueles se reuniam. Na célebre Noite de São Bartolomeu, a 24 de agosto de 1572, obediente às manobras dos católicos, e da rainha mãe, Catarina de Médicis, Carlos IX, rei da França, ordenou a matança dos Huguenotes, dando ele próprio o sinal do início da carnificina. O fato passou à História com os nomes de Noite de São Bartolomeu e de Matança do Huguenotes, inspirando de várias maneiras os artistas, entre os quais Meyerbeer, que em 1836 escreveu a célebre ópera Os Huguenotes.
Estas lutas religiosas explicam o interesse e esforço francês por uma França Antártica e o aparecimento na História fo Brasil, de nomes como os de Villegaignon, Duguay-Troin e Coligny.
Em verdade, o rei pretendia eliminar um número limitado de líderes huguenotes. O que não havia previsto, segundo os autores do Histoire et Dictionnaire des Guerres de Religion, é que a execução limitada aos chefes daria o sinal de um massacre, que em Paris durou até o 29 de agosto, com um paroxismo de violência durante os primeiros três dias.
Há quem fale de setenta mil a cem mil mortos. Segundo relatos, os cadáveres boiaram nos rios durante meses, de modo que ninguém comia peixe.
Quem deve ter ficado muito feliz com o massacre foi o papa Gregório XIII, que cunhou uma medalha comemorativa da data e encarregou Giorgio Vasari de pintar um mural celebrando o massacre.
*1. A Noite de São Bartolomeu – O Crepúsculo da Tolerância.
Na sombria transição da noite de 23 para 24 de agosto de 1572, os sinos da catedral de Saint-Germain-l’Auxerrois ecoaram sobre Paris, prenunciando o dia consagrado a São Bartolomeu — o apóstolo martirizado que, ironicamente, se tornaria símbolo de um dos mais terríveis massacres da história cristã.
O badalar lúgubre foi o sinal para que multidões armadas, integradas por milícias populares e incitadas pelo fanatismo, se lançassem pelas ruas em desvario homicida. Portas foram arrombadas, janelas despedaçadas, e o ar parisiense se converteu em uma sinfonia de gritos lancinantes. Assim teve início o morticínio conhecido como a Noite de São Bartolomeu.
Em poucas horas, a cidade mergulhou em um abismo de sangue. Somente em Paris, cerca de três mil huguenotes protestantes franceses foram impiedosamente exterminados. As matanças logo se alastraram por todo o território francês, ceifando dezenas de milhares de vidas. O rumor dos sinos tornou-se o eco do ódio religioso, e a capital da França, o palco do martírio coletivo.
Dias antes, o ambiente era de aparente concórdia. Celebrava-se um matrimônio que pretendia selar a paz entre católicos e protestantes: a união de Henrique de Navarra, líder huguenote, com Margarida de Valois, princesa da França e irmã do rei Carlos IX.
Filha de Catarina de Médicis, a rainha-mãe de olhar impenetrável e vontade férrea, Margarida fora escolhida como instrumento político para cimentar uma aliança frágil. Todavia, sob o verniz das festividades palacianas, urdia-se uma armadilha sangrenta.
Os mais ilustres huguenotes do reino a fina flor da nobreza reformista foram convidados a Paris para as celebrações nupciais. A cidade, que se revestira de pompa, preparava-se, na verdade, para um banquete de morte.
O casamento não se deu no interior da catedral de Notre-Dame, pois o noivo protestante não tinha permissão para adentrar o templo nem participar da missa. Um palco improvisado foi erguido diante do portal ocidental, sobre o rio Sena. Quando perguntaram a Margarida se aceitava o enlace, ela não respondeu verbalmente: limitou-se a um aceno frio, sinalizando o “sim” exigido pela política.
A França do século XVI estava subjugada não pelo rei, mas pela Igreja Católica, cujas estruturas eram dominadas pela nobreza conservadora. Qualquer tentativa de reforma religiosa representava o risco de desmantelar o poder feudal e a influência do clero. À frente dessa resistência encontrava-se a poderosa Casa de Guise, inimiga declarada dos protestantes.
Assim, o casamento real, ao invés de selar a paz, reacendeu a desconfiança. Poucos dias após a cerimônia, o almirante Gaspard de Coligny, líder respeitado dos huguenotes e conselheiro do rei, sofreu um atentado nas ruas de Paris. O projétil que o atingiu, embora não o tenha matado, bastou para deflagrar o pânico entre os seus correligionários.
Suspeitou-se imediatamente da rainha-mãe, Catarina de Médicis, e dos Guise conspiradores astutos, empenhados em eliminar a influência protestante junto ao trono.
O crime nunca foi plenamente elucidado. Alguns historiadores, como Arlette Jouanna, apontam Charles de Louvier, senhor de Maurevert, como o executor material, homem já envolvido em outro assassinato político anos antes. Contudo, a autoria intelectual permanece envolta em sombras.
A ferida aberta pelo atentado precipitou a catástrofe. A trégua selada pelo casamento foi rompida; o ódio latente encontrou vazão. Em meio à confusão, o rei Carlos IX, de temperamento instável e olhar febril, foi tomado por fúria desmedida ao saber do ataque contra seu conselheiro. A tensão explodiu em violência generalizada, e os sinos de Saint-Germain anunciaram a sentença de morte dos protestantes.
Naquela madrugada, Paris se transformou em campo de extermínio. O sangue escorreu pelas pedras antigas, misturando-se às águas do Sena. Corpos foram lançados ao rio, casas incendiadas, famílias inteiras dizimadas.
A chamada “Noite de São Bartolomeu” tornou-se o símbolo maior do fanatismo religioso e da intolerância humana um marco sombrio na história da Europa, que demonstrou até onde pode chegar o homem quando cega a razão e se corrompe a fé.
Reflexão.
A tragédia da Noite de São Bartolomeu não foi apenas o massacre de um povo, mas a morte temporária do espírito cristão em sua essência. Ela recorda, ainda hoje, que a fé, quando divorciada da caridade, torna-se instrumento de tirania e destruição.
A Noite de São Bartolomeu.
– O Édito da Tolerância.
A aurora que se seguiu àquela noite de horror amanheceu sobre uma Paris silenciosa e profanada. As águas do Sena, turvas e lentas, arrastavam corpos, e o odor da morte impregnava o ar. As portas das igrejas estavam entreabertas, não para o culto, mas para abrigar os algozes. O massacre, iniciado sob o toque dos sinos, estendeu-se pelos dias seguintes com uma fúria metódica, como se o próprio inferno tivesse descido à terra.
A notícia do extermínio espalhou-se rapidamente pela França. Em cidades como Lyon, Rouen, Bordeaux e Orléans, o mesmo ritual de sangue repetiu-se sob a complacência das autoridades locais. Os huguenotes outrora respeitados pela inteligência e pela sobriedade moral tornaram-se inimigos do Estado e da fé dominante.
Calcula-se que entre trinta e cinquenta mil protestantes tenham sido trucidados em poucas semanas, em um dos capítulos mais sombrios das guerras religiosas europeias.
O rei Carlos IX, sob o domínio psicológico de sua mãe, Catarina de Médicis, oscilava entre o remorso e a insanidade. Historiadores narram que, atormentado pelos gritos que julgava ouvir nas noites que se seguiram ao massacre, exclamava em delírio:
“Sangue! Sangue por toda parte!”
Sua saúde física e mental declinou rapidamente, e, em 1574, morreu aos vinte e quatro anos, deixando o trono ao seu irmão Henrique III monarca de temperamento fraco, que não conseguiria conter a fragmentação política do reino.
Durante duas décadas, a França viveria um cenário de guerras intestinas, conspirações e traições. Entre as sombras da intolerância, o nome de Henrique de Navarra o príncipe huguenote que sobrevivera ao massacre começava a despontar como símbolo de esperança.
Perseguido e exilado, Henrique demonstrou rara habilidade diplomática e uma lucidez que o destacaria como o único capaz de reunificar o país dividido.
Em 1589, após o assassinato de Henrique III, o navarrense ascendeu ao trono como Henrique IV da França, inaugurando a dinastia Bourbon. O novo rei herdava um reino devastado, exaurido pela guerra e pela miséria espiritual.
Compreendendo que a França necessitava mais de paz do que de dogmas, Henrique pronunciou a célebre frase:
“Paris vale bem uma missa.”
Convertendo-se formalmente ao catolicismo gesto político, não de renúncia interior Henrique buscou unificar os corações de seus súditos sob o estandarte da reconciliação.
Em 1598, promulgou o histórico Édito de Nantes, que garantia aos protestantes a liberdade de consciência e de culto, além do direito de exercer cargos públicos e manter guarnições militares em determinadas cidades.
Foi o primeiro documento europeu de larga abrangência a reconhecer, oficialmente, a coexistência entre credos rivais uma vitória tardia da razão sobre o fanatismo.
A França, enfim, respirava. A ferida aberta em 1572 não se fechara totalmente, mas o sangue derramado dos huguenotes fertilizara o solo moral de uma nação que aprenderia, a duras penas, o valor da tolerância.
Henrique IV seria assassinado em 1610, vítima de um fanático católico uma ironia trágica e coerente com o destino da França pós-medieval. Mas seu legado permaneceria. O Édito de Nantes não apenas encerrou décadas de carnificina: ele inaugurou a lenta, porém irreversível, marcha da civilização rumo à liberdade de consciência.
Epílogo.
A Noite de São Bartolomeu permanece, até hoje, como o mais lúgubre epitáfio da intolerância humana.
Foi a vitória efêmera da força sobre o espírito, da imposição sobre o entendimento.
Mas do sangue dos mártires huguenotes emergiu, séculos depois, a aurora dos direitos humanos, a sacralidade da liberdade de crer ou de não crer.
A história, implacável em suas lições, nos recorda que nenhuma fé se engrandece quando oprime, e nenhuma verdade se torna divina quando exige sangue como tributo.
“O fanatismo pode acender fogueiras, mas só a tolerância ilumina o mundo.”
*1: Artigo de: Marcelo Caetano Monteiro.
LIVRO: AS MESAS GIRANTES E O ESPIRITISMO.
O ponto central do livro é mostrar que aquilo que inicialmente parecia um simples divertimento de salão ganhou, progressivamente, uma dimensão muito mais profunda. Os fenômenos de movimentação de objetos e das chamadas mesas falantes espalharam-se pela Europa e despertaram discussões entre curiosos, céticos, cientistas e intelectuais.
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" Pas de charme qui vous aime
m'alma larmoyant et incultes
supprime la belle plante mail
le sourire qui me insulte. "
V.H.
'' No encanto do que te ama
m'alma lacrimosa e inculta
retira a mais linda planta
do sorriso que me insulta.''
V.H.
" O que sinto por dentro
e aos gritos até pelo silêncio,
passa a atacar o meu íntimo,
que emudeço. "
AO AMANHECER.
Quando a manhã desponta em véus dourados,
E a luz visita os becos esquecidos,
Vejo os destinos frágeis, consumidos,
Nos corredores tristes e calados.
Erguem-se os homens, sonhos fatigados,
Com olhos de esperança já vencidos;
Carregam seus fantasmas escondidos,
Sob os céus vastos, frios e nublados.
Mas há no sol nascente uma promessa,
Um sopro que renova a alma aflita,
Mesmo onde a dor se mostra mais espessa.
Pois toda aurora, humilde e infinita,
Revela que a existência recomeça,
E a fé resiste à sombra que a limita.
O LIVRE-PENSAMENTO SEGUNDO ALLAN KARDEC: A DIGNIDADE DO ESPÍRITO QUE APRENDE A PENSAR.
A EMANCIPAÇÃO DA CONSCIÊNCIA HUMANA.
Marcelo Caetano Monteiro.
Allan Kardec ao afirmar que “o livre-pensamento eleva a dignidade do homem, dele fazendo um ser ativo, inteligente, em vez de uma máquina de crer”, Allan Kardec apresenta uma das mais profundas reflexões filosóficas do Espiritismo acerca da liberdade intelectual e do desenvolvimento moral da criatura humana.
A frase, publicada na Revista Espírita de fevereiro de 1867, não representa uma defesa da dúvida sistemática ou da negação de toda espiritualidade, mas uma exaltação da capacidade racional do ser humano. Para Kardec, Deus concedeu ao homem a inteligência justamente para que ele pudesse investigar, compreender e progredir.
O Espírito humano não foi criado para permanecer aprisionado ao pensamento alheio, repetindo ideias sem compreensão. A verdadeira evolução exige participação consciente, porque o progresso espiritual não ocorre pela imposição exterior, mas pela transformação íntima que nasce do entendimento.
FÉ CEGA E FÉ RACIOCINADA.
Durante séculos, muitas pessoas receberam crenças através da tradição, da autoridade ou do medo. Kardec reconhece que a fé possui um papel essencial na vida moral, porém estabelece uma diferença fundamental: existe uma fé passiva, que apenas aceita, e uma fé iluminada pela razão, que compreende.
No pensamento espírita, a fé raciocinada não destrói a espiritualidade; ao contrário, fortalece-a. A razão torna-se instrumento de discernimento, permitindo separar o verdadeiro do falso, o essencial do secundário, o conhecimento elevado das interpretações humanas.
Por isso, Kardec define o livre-pensamento como livre exame, liberdade de consciência e fé raciocinada, elementos que representam a emancipação intelectual e a independência moral do indivíduo.
O HOMEM COMO SER ATIVO E INTELIGENTE.
A expressão “máquina de crer” utilizada por Kardec possui grande força simbólica. Uma máquina executa movimentos determinados sem consciência própria. Transportada para o campo espiritual, a comparação demonstra o perigo de uma existência guiada apenas por opiniões herdadas, sem reflexão pessoal.
O homem, segundo a visão espírita, é um Espírito em evolução. Sua inteligência é uma faculdade concedida para que ele participe conscientemente da obra divina. A evolução espiritual pressupõe aprendizado, experiência, escolha e responsabilidade.
O indivíduo que pensa, analisa e compreende torna-se colaborador consciente do próprio progresso. Ele deixa de ser conduzido exclusivamente pelas circunstâncias externas e passa a construir sua caminhada moral através do livre-arbítrio.
O VERDADEIRO SIGNIFICADO DO LIVRE-PENSAMENTO.
Kardec esclarece que o livre-pensamento não significa simplesmente rejeitar crenças ou assumir uma posição de incredulidade. O livre-pensador é aquele que possui liberdade para examinar ideias e formar sua própria convicção.
Segundo a análise apresentada na Revista Espírita, tanto uma pessoa religiosa quanto uma pessoa sem crença podem exercer o livre pensamento, desde que suas opiniões sejam fruto de reflexão pessoal e não de submissão cega.
A liberdade verdadeira não está em negar ou aceitar determinada ideia previamente, mas em possuir autonomia para investigar e escolher conscientemente.
Assim, o Espiritismo apresenta uma proposta de equilíbrio: nem a servidão intelectual do dogmatismo, nem a limitação de considerar impossível tudo aquilo que ultrapassa os sentidos físicos.
O PAPEL DA RAZÃO NA LEI DO PROGRESSO.
Dentro da perspectiva espírita, o progresso intelectual prepara o progresso moral. Uma inteligência desenvolvida, quando orientada pelo amor e pela responsabilidade, torna-se instrumento de elevação.
Jesus, ao ensinar que a verdade liberta, apresenta uma profunda relação entre conhecimento e transformação interior. A libertação espiritual não ocorre apenas pela posse de informações, mas pela compreensão que modifica sentimentos e atitudes.
O livre-pensamento, portanto, não é apenas um exercício intelectual; é também um compromisso moral. Quem pensa livremente deve buscar a verdade com humildade, pois a inteligência sem amor pode transformar-se em orgulho, enquanto a fé sem reflexão pode transformar-se em fanatismo.
CONCLUSÃO: O EFEITO MORAL DO LIVRE-PENSAMENTO.
A grande lição de Allan Kardec é que Deus não deseja criaturas submissas pela ignorância, mas Espíritos conscientes pela compreensão.
O homem digno não é aquele que simplesmente acredita porque outros acreditam, nem aquele que rejeita tudo sem investigação. O homem digno é aquele que utiliza a razão, ilumina o sentimento e busca compreender as leis divinas através do estudo e da experiência.
O livre-pensamento, quando unido à humildade e à caridade, transforma-se em caminho de libertação espiritual. Ele retira o ser humano da condição de repetidor inconsciente e o coloca como participante ativo da própria evolução.
A maior homenagem que o homem pode oferecer ao Criador é desenvolver os talentos que recebeu: pensar, compreender, amar e progredir.
FONTE.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos. Fevereiro de 1867. Artigo: “Livre pensamento e livre consciência”.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIX — A fé transporta montanhas.
O POETA FRANCÊS VITOR HUGO E O ESPIRITISMO.
Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon, França, no dia 26 de fevereiro de 1802. Filho do Conde Joseph Léopold-Sigisbert Hugo, general de Napoleão, e Sophie Trébucher, ele passou quase toda a infância fora da França, em viagens constantes, que faziam parte da vida de seu pai.
De 1814 a 1816, fez seus estudos preparatórios no Liceu Louis le Grand. Nessa época, seus cadernos ficavam repletos de versos. Com 14 anos lia os livros de René Chateaubriand, iniciador do Romantismo francês. Dizia: "Quero ser Chateaubriand ou nada". Recusou-se a ingressar na Escola Politécnica para se dedicar à carreira literária. Em 1817, recebeu um prêmio em um concurso de poesia da Academia Francesa.
Em 1819, recebeu o "Lírio de Ouro", prêmio máximo da Academia de Jogos Florais de Toulouse, por uma Ode, ao restabelecimento da estátua do rei Henrique IV, que foi derrubada na Revolução. Nesse mesmo ano fundou, junto com os irmãos, a revista "O Conservador Literário". O primeiro ensaio publicado foi "Ode ao Gênio". Com quinze meses de vida a revista havia publicado mais de cem artigos, entre política e críticas literária, teatral e artística.
Em 1820, tem o seu talento reconhecido pelo rei Luís XVIII, que passa a lhe pagar uma pensão ao ver qualidade em sua obra “Ode Sobre a Morte do Duque de Berny”.
Em 1822, casa-se com Adèle Foucher, amiga de infância. Nesse mesmo ano publica sua primeira antologia poética "Odes e Poesias Diversas" e os poemas "Ode e Baladas, Orientais". Em 1823, publica seu primeiro romance: "Han de Islândia”. Em 1827, “Cromwell”, sucesso de público e crítica; e em 1829, publica "O Último Dia de um Condenado" e escreve a peça "Marion Delorme".
Em 1831, Victor-Hugo escreve seu grande romance histórico: “O Corcunda de Notre-Dame” e, no mesmo ano, publica “Folhas de Outono”. Em seguida, em 1833, lança "Lucrécia Borgia" e "Maria Tudor". Passa a viver com a atriz Juliette Drouet, sem se separar de Adèle. Em 1835, escreve “Cantos do Crepúsculo”, onde retrata toda a sua dor.
Em 1841, já célebre e rico, é eleito para a Academia Francesa de Letras, tendo sido a posteriori um dos maiores representantes da escola romântica, e frequenta a corte das Tulherias. Em 1848, após a revolução que depõe Luís Filipe, Victor Hugo é eleito deputado em Paris. Preocupado com a miséria do povo, funda o jornal "O Acontecimento", em que os filhos François e Charles são também redatores. Escreve artigos nos quais defende a candidatura do príncipe Luís Napoleão para a presidência da República. Eleito, Napoleão III viola a Constituição. Desiludido, Victor Hugo não aceita a política adotada por quem ajudara a eleger.
Ele, então, é perseguido ao tentar organizar a resistência à ditadura de Napoleão III e se exila por um longo período de 18 anos, a princípio na Bélgica e, posteriormente, na Ilha de Jersey, no Canal da Mancha, seguindo dali para a Ilha de Guernsey juntamente com sua esposa e filhos.
Nessa época, escreve “As Contemplações” (1856), "Os Miseráveis" (1862), e o "Homem que Ri" (1869). Retornou ao seu país em 1870; em 1876, é eleito Senador. Em 1883, morre Juliette Drouet, sua amante e companheira por 50 anos.
Victor Hugo desencarnou em Paris, no dia 22 de maio de 1885, aos 83 anos. Em seu testamento deixa cinquenta mil francos aos pobres e pede preces de todas as almas. Foi sepultado em 1º de junho no Panteão de Paris, o monumento fúnebre dos heróis nacionais.
CAUSAS SOCIAIS E ESPIRITISMO
Além de grande romancista, poeta e dramaturgo, Victor Hugo ficou conhecido pelas suas inclinações às causas sociais. Defendia a paz universal, os direitos das crianças e dos homens, a abolição da pena de morte e o progresso social. Aproximou-se da política ingressando no Parlamento Francês, defendendo a democracia como um sistema válido de governo.
Seu legado é imenso no âmbito da literatura, e seus pensamentos igualmente influenciaram filósofos e escritores modernos.
Victor Hugo aproximou-se dos estudos ocultistas e também do Espiritismo, especialmente após ter contato com as mesas girantes, no período em que ficou no exílio em Jersey, através da mediunidade da poetisa e romancista Madame Delphine Girardin, que também passava por exílio na Ilha de Jersey. Em uma das sessões com Madame Delphine, a mesa, através das pancadas, trouxe informações sobre a filha de Victor Hugo, Lèolpoldine, desencarnada em um naufrágio no rio Sena, em 1843. Após esta experiência, Victor Hugo continuou recebendo recados de sua filha, usando esta experiência concreta para desenvolver suas ideias sobre a imortalidade, sobrevivência e reencarnação.
Em 1863, Allan Kardec já reconhecia Victor Hugo como um expoente no Movimento Espírita, incluindo na Revista Espírita do mesmo ano uma carta de Hugo para o escritor, político e poeta francês Alphonse de Lamartine (1790-1869), em face da desencarnação da esposa deste.
A busca espiritual de Victor Hugo foi evidenciada por Emmanuel Godo, escritor e ensaísta atual no livro “Victor Hugo et Dieu”. No entendimento de Humberto Mariotti, em seu livro “Victor Hugo Espírita”, menciona que a qualidade espírita do escritor se depreendia da forma do seu estilo romântico que transcendeu as formas clássicas, pois a sua maneira de ver o mundo passava pelo invisível, ou seja, o fundamento imaterial do mundo físico.
Hoje, o Espírito Victor Hugo, lúcido e imortal, continua nos oferecendo a sua palavra espiritualizada, através da psicografia de vários médiuns brasileiros. Em 1923, 38 anos depois da morte do poeta francês, a médium mineira Zilda Gama psicografou, do genial escritor, as seguintes obras: “Na Sombra e na Luz” (1923); “Redenção” (1931); “Do Calvário ao Infinito” (1944); “Dor Suprema” (1945); “Almas Crucificadas”, e “O Solar de Apolo (1946)”.
Victor Hugo também manifestou-se através da mediunidade de Divaldo P. Franco, que declarou ser Zilda Gama o mesmo Espírito Lèopoldine, filha de Victor Hugo. Pela sua psicografia, o francês escreveu: “Párias em Redenção”; “Sublime Expiação”; “Do Abismo às Estrelas”; “Calvário de Libertação", e “Árdua Ascensão”.
A IMPORTÂNCIA DA REVISTA ESPÍRITA E O PERFIL DOS ESPÍRITAS SÉRIOS:
Marcelo Caetano Monteiro.
Reflexões a partir de Herculano Pires.
A obra O Homem Novo, de José Herculano Pires, oferece ao movimento espírita um olhar lúcido e criterioso sobre a monumental contribuição de Allan Kardec à humanidade. Dentre os pontos de destaque, a Revista Espírita surge como fonte insubstituível para a compreensão do Espiritismo em sua gênese, desenvolvimento e aplicação prática. Herculano Pires resgata a dimensão histórica e filosófica desse periódico, demonstrando que nele se encontram as bases de sustentação da Codificação e o espírito vivo da Doutrina.
Kardec, ao organizar a Revista Espírita, não apenas colecionava casos, mas criava um verdadeiro laboratório experimental do pensamento espírita. Ali, eram publicados diálogos com Espíritos comunicantes, relatos de sessões mediúnicas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, artigos científicos, filosóficos, literários e refutações rigorosas às críticas que a Doutrina recebia. Esse trabalho de síntese e análise caracterizava o método kardeciano, unindo o espírito científico, a prudência investigativa e a clareza pedagógica.
Herculano Pires destaca que Kardec respondia com serenidade e lógica às objeções, sem se deixar arrastar por ataques pessoais ou diatribes superficiais. Sua postura demonstrava não apenas erudição, mas sobretudo equilíbrio moral e fidelidade ao método. Esse exemplo de firmeza e ponderação caracteriza o que Kardec chamou de “espíritas sérios”: aqueles que estudam com afinco, discernem com maturidade e não se deixam seduzir por paixões ou personalismos.
“Os artigos de fundo da Revista, as refutações a críticas científicas, filosóficas ou religiosas, o método rigoroso de Kardec no trato com os adversários, são exemplos de como o Espiritismo se fundamenta em bases sólidas, nascidas do bom senso e da razão.” (O Homem Novo, José Herculano Pires)
A herança deixada por essa postura crítica e construtiva chega até os dias atuais como exigência de maturidade dos espíritas que desejam manter viva a Doutrina. O “espírita sério” não é o que apenas lê, mas o que estuda, analisa, pondera e vivencia os ensinamentos. Kardec advertiu, desde o século XIX, sobre os perigos do fanatismo e da leviandade, lembrando que o Espiritismo só poderia avançar se fosse constantemente revisto sob a luz da razão e da moral do Cristo.
Nos tempos modernos, essa lição é de vital importância. As distrações das redes sociais, a superficialidade dos debates e a pressa em “opinar” sobre tudo ameaçam diluir o caráter profundo da Doutrina. O estudo sistemático da Revista Espírita permanece como antídoto contra os desvios, pois oferece contato direto com a metodologia de Kardec e com o seu equilíbrio entre ciência e fé.
Assim como no século XIX, o Espiritismo precisa hoje de estudiosos comprometidos — não com opiniões passageiras ou disputas pessoais, mas com a seriedade de quem se coloca como aprendiz da Verdade. A herança deixada por Kardec, evidenciada por Herculano Pires, é um convite para que os espíritas atuais resgatem esse perfil: humildes investigadores, perseverantes no estudo e firmes na vivência do amor e da caridade.
Conclusão.
A Revista Espírita não é apenas um repositório histórico, mas um instrumento vivo de aprendizagem e renovação. Nela, os “espíritas sérios” encontram a exemplificação do método kardeciano, o respeito à razão e a disciplina moral. A atualidade desse legado é inquestionável: em meio às crises e incertezas do mundo moderno, o Espiritismo necessita de homens e mulheres comprometidos com a seriedade da pesquisa, a fidelidade à Codificação e a vivência do Evangelho.
“Ser espírita sério é não se afastar da luz da razão nem do coração de Cristo.”
Referência:
PIRES, José Herculano. O Homem Novo. São Paulo: Paideia.
A IMPORTÂNCIA DA REVISTA ESPÍRITA E O PERFIL DOS ESPÍRITAS SÉRIOS.
1. Introdução
José Herculano Pires, em O Homem Novo, destaca que a Revista Espírita, organizada por Allan Kardec, não foi apenas um periódico de divulgação, mas sim um verdadeiro laboratório experimental do Espiritismo.
Ali, Kardec reunia observações, analisava fenômenos, apresentava refutações às críticas e dialogava com a ciência, sempre com base no método da razão e da lógica.
2. A Revista Espírita como fonte doutrinária
Publicava artigos científicos, filosóficos e literários;
Registrava sessões mediúnicas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas;
Refutava críticas com clareza e serenidade;
Servia de campo de experimentação e amadurecimento para o Espiritismo.
Herculano Pires ressalta que, sem a Revista Espírita, não compreenderíamos a amplitude da Codificação. Muitos temas foram aprofundados nela antes de ganharem forma definitiva nos livros básicos.
3. O perfil do espírita sério segundo Kardec
Kardec, em seus escritos, deixa claro que não basta simpatizar com o Espiritismo. É necessário:
Estudar com dedicação, buscando entender o método e os princípios;
Manter postura de equilíbrio, sem cair em ataques pessoais ou paixões;
Praticar a paciência e a tolerância, mesmo diante de críticas e adversários;
Viver o Evangelho, unindo o conhecimento à caridade.
Herculano Pires recorda que Kardec jamais respondeu com ofensas, mas sempre com firmeza lógica. Esse é o retrato do espírita sério, capaz de distinguir o essencial do acessório.
4. Atualidade da lição
Hoje, em tempos de redes sociais e debates superficiais, o alerta de Kardec é ainda mais necessário.
Há risco de se difundir opiniões pessoais como se fossem doutrina.
A pressa em falar sem estudar enfraquece o movimento espírita.
O verdadeiro progresso virá dos que unem razão, estudo e vivência cristã.
“Ser espírita sério é estudar Kardec, raciocinar com clareza e praticar com amor.”
5. Perguntas para reflexão em grupo
1. O que diferencia um “espírita simpático” de um “espírita sério”, segundo Kardec?
2. De que forma a Revista Espírita pode nos ajudar a compreender melhor a Codificação?
3. Como evitar que opiniões pessoais ou modismos sejam confundidos com o verdadeiro Espiritismo?
4. O que significa, hoje, manter a mesma postura equilibrada que Kardec tinha diante das críticas?
“À medida que o amor ilumina minha alma, revela também os recantos ocultos onde minha dor permanecia adormecida.”
Enterro de Victor Hugo.
EXÉQUIAS DE VICTOR HUGO.
(Autor: Eduardo C. Monteiro - Obra: Victor Hugo e seus Fantasmas).
Durante nove dias o povo parisiense velou o corpo embalsamado do maior gênio literário do século XIX, tendo desfilado diante de seu caixão humilde mais de um milhão de pessoas. A 1º de junho,1 pelo alvorecer, o esquife foi transferido para o Arco do Triunfo, em Paris, de onde saiu para ser exumado no Panteão, o monumento fúnebre dos heróis nacionais. Dois milhões de admiradores compuseram o cortejo, cuja ordem foi mantida pela mobilização de dez mil soldados.
Outros números também impressionam: participaram do enterro delegações de 141 municipalidades, 155 círculos políticos, 200 sociedades de socorros mútuos e previdência, 141 câmaras sindicais, 61 sociedades de livre pensamento, 43 associações militares, 122 escolas, 38 organismos estrangeiros, 161 sociedades artísticas, mais o corpo diplomático da França.
O Cardeal Arcebispo de Paris, durante a agonia de Victor Hugo, tentou ministrar-lhe os sacramentos, no que foi veementemente repelido por Edouard Lockroy, amigo do poeta. Este fato não deve espantar os leitores, pois não é costume da Igreja converter os grandes homens, quando estes já perderam a consciência durante a agonia da morte?
Victor Hugo, prevendo que seria vítima da Igreja, dois anos antes deixou por escrito suas últimas vontades, e fez muito bem, caso contrário o clero proclamaria, triunfante, que Victor Hugo abominara o Espiritismo em prol do Catolicismo, momentos antes de deixar esta vida...
Diante do enterro apoteótico, de certo modo ofensivo à Igreja, pois Victor Hugo não era católico, só restava ao clero tomar uma atitude: excomungar o poeta, e taxá-lo de herege. Mas isso só serviu para aumentar a glória de Victor Hugo e propagar, em todo o mundo, o Espiritismo, doutrina que ele tanto amava e da qual se fizera um apóstolo fervoroso, durante trinta anos.
Nesse sentido, o Espiritismo muito deve a Victor Hugo! Aliás, é preciso que se defina a posição de Victor Hugo na história do Espiritismo; foi ele o grande divulgador da Doutrina dos Espíritos (talvez o que mais atraiu curiosos para o Espiritismo, graças à luminosidade intensa de seu nome). Ainda mais, na história do Espiritismo, o nome de Victor Hugo ficará como um dos que abriram caminho para a entrada gloriosa de Allan Kardec. Ficará, pois, como um dos pioneiros do Espiritismo em nosso planeta.
1 - Victor Hugo morreu em 22 de maio de 1885.
TUDO SE MOVE, SE LEVANTA, SE ESFORÇA, GRAVITA, SE ALÇA, REENCARNA E VIVE. NADA FOI CRIADO PARA VIVER NA OBSCURIDADE RECEOSA.
