Coleção pessoal de marcelalobato

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Escrevo sob corpos. Cada música é uma morte. Em todas, eu sou a vítima, deixando sobre o chão o meu próprio cadáver. Renasço como uma vampira, e sugo o meu próprio sangue para fazer da dor uma nova arte, enquanto gasto todas as minhas vidas, até que chegue o dia onde sol me queime, e não me deixe mais voltar a abrir os olhos. Quando terei escrito a última poesia, a última música e o último poema. Quando finalmente a dor cessará e não terei mais que morrer para me manter viva.
- Marcela Lobato

A tristeza tem um peso, preço alto demais pra pagar. Poupança e créditos não cobrem. Salários jamais serão suficientes. Apenas esperamos que se quite, antes que precisemos quitar por nós mesmos, da maneira mais difícil.
- Marcela Lobato


Texto de agosto de 2019.

Quero retomar minha vida. Sair dessa lama. Fugir do esconderijo. Alcançar o maior dos sonhos. Mas por que é tão difícil? Por que o universo vive nos surpreendendo com o pior? Me entorpeço diariamente, para suportar a dor.

Tantos sofrem muito mais, só que isso não me impede de sentir tão absurdsmente, e somando-se a tudo que me faz querer parar, vem a culpa de por, relativametomente tão pouco, explodir, e ser motivo o bastante pra chorar.


Vivo dentro desse extremo caos interno, visivelmente também externo, aparentemente infinito, que não tem cura ou remédio. Como uma maldição jogada para nunca ser feliz. Às vezes, tudo que quero, é desistir, me entregar. Esquecer todos, e me apagar, com a mesma facilidade que tanta gente já me apagou.
- Marcela Lobato


Texto de agosto de 2019.

Depois de refletir muito e mergulhar perigosamente em crises existenciais, a certeza que sempre fica é: eu não pertenço a nada disso e não tenho um lugar aqui.
- Marcela Lobato

Que tipo de monstro criaria um universo como o nosso só pra ver as pessoas sendo dilaceradas pela vida e pelas próprias emoções?
- Marcela Lobato

Talvez meu maior defeito seja essa necessidade imparável de expressar o que sinto pela arte. Eu não sei fazer uma música "do nada". Não sei ver um filme e criar inspirada em uma história fictícia ou longe da minha realidade. Se não escrevo ou canto, sufoco. E não basta criar, preciso mostrar ao mundo.
As vezes seguro coisas que faço por medo de consequências. Por medo que alguém entenda errado, ou que aquilo machuque alguém que me importa, mas me machucou e gerou aquilo em algum momento. O problema é que sinto que sufoco a cada segundo que seguro algo que precisa ser dito, e não sei o quanto ainda posso resistir segurando tudo isso.
E se quem gerou o que me fez compor ou escrever nunca tivesse acesso ao que fiz, sinto que seria como guardar tudo só pra mim. Não quero atingir, apenas falar. Por muitos anos calei todas as minhas dores. Na infância, sempre fingia estar bem, mesmo quando todos os dias era humilhada em ambientes escolares extremamente hostis. Talvez isso tenha me feito ser assim hoje, e talvez o que chamo de "grande trauma primordial" tenha tido tanta força por isso, me afetando até hoje, em 2026, mesmo que tenha acontecido quase em outra vida, em 2011.
Quando eu escrevo, é porque já não tenho opção. Quando escrevo é porque é isso ou desaparecer. É porque é a única forma de suportar e sobreviver a mim mesma. É porque ou grito, ou deixo o que calei continuar me corroendo por dentro. Eu queria poder ser sincera, e explicar as coisas para quem precisa saber, mas na maior parte do tempo isso não é uma opção, e muitas vezes, tentando me explicar, parece que só consigo estragar tudo de vez.
- Marcela Lobato

Certas faltas tiram o sentido da vida.
- Marcela Lobato

O foda é que certas faltas, inevitavelmente, destroem ou, no mínimo, quebram muito qualquer felicidade...
Quanto mais eu tento não pensar, não falar, ignorar, mais difícil é. E sem isso, a real é que nada faz sentido. É como estar em um labirinto onde todas as saídas estão bloqueadas.
Não tem pra onde fugir, muito menos um caminho melhor.
- Marcela Lobato

Faço música para sobreviver ao meu coração partido pela vida. Faço música para não sufocar em minha própria intensidade. Faço música porque, sem ela, não sobreviveria. Faço música porque é a única forma de dizer o que sinto com alguma segurança.
Faço música porque não há outra alternativa. Faço música porque é o que mais amo no mundo. Faço música porque ela é o que me salva. Faço música para sobreviver a minha própria intensidade. Faço música porque, através dela, me conheço e reconheço o que atormenta a minha alma.
- Marcela Lobato

Amar Não É Pecado


Amar jamais será errado, jamais será pecado, jamais será perversão. O amor entre duas pessoas capazes nunca será um crime, ainda que leis retrógradas, ignorantes, preconceituosas e criminosas tentem assim torná-lo. Não há barreiras que impeçam sentimentos, desejos e relações consensuais entre adultos conscientes ou adolescentes iniciando suas vidas sexuais e afetivas.
Não importa se a relação é entre duas mulheres, dois homens, um homem e uma mulher, se são pessoas não binárias ou binárias com não binárias. Nada disso impede ou torna um sentimento, um desejo ou uma relação menos digna, menos real, menos válida e, muito menos, menos verdadeira. O amor não vê gênero, classe, cor da pele, o valor que se tem guardado no banco e nem a aparência. O amor apenas é, e não tem como fugir dele. Ainda que tente, o máximo que conseguirá é a tristeza e o arrependimento de não ter vivido o que era seu por direito, assim como a tristeza de uma vida falsa, camuflada e dominada por medos inúteis.
A vida no armário não é vida, assim como fugir do que sente não apaga o sentir, apenas o amplia. Como mostra a psicanálise há séculos, tudo o que reprimimos cresce. A sombra, que é tudo aquilo que escondemos, muitas vezes até de nós mesmos, devora aqueles que tentam, com todas as forças, reprimi-la. É como uma mola que você aperta e, fatalmente, terá que soltar em algum momento, só que, ao invés das suas mãos e possivelmente também os seus braços, machucará a sua alma, e esses cortes podem nunca cicatrizar.
- Marcela Lobato

Não há nada mais bonito que uma arte nascida de uma dor genuína. Por isso "artistas torturados" costumam ser gênios em suas artes.
- Marcela Lobato

Eu queria que, ao menos, tivesse sido algo, mesmo que acabasse. Mesmo que o fim viesse depressa, queria que tivessemos sido mais que um "quase um quase". Preferia uma tragédia grega do que essa realidade. Ao menos assim você seria mais do que um fantasma, e eu poderia, talvez, seguir em frente. Ao menos assim essa dor valeria a pena.
- Marcela Lobato

As vezes a melhor relação que teremos é com a gente, sem mais ninguém. As pessoas se cobram muito sobre encontrar relações românticas, mas talvez ficar sozinha seja a melhor opção. O amor é algo poderoso, talvez a força mais poderosa do mundo, podendo ser a melhor ou pior coisa na vida de alguém, curando e destruindo na mesma proporção, mas se você não ama ninguém ou não pode estar com quem ama, talvez a melhor coisa seja ficar com você mesma.
Eu amo estar sozinha, amo a minha própria companhia. Filosofar sobre a vida, entender minhas emoções mais profundas no meu bom e velho quarto escuro. Praticamente não tive relacionamentos na vida, justamente porque nunca busquei em outra pessoa uma mera companhia ou "cura pra carência". Sempre levei o amor e a ideia de namorar com alguém como algo muito sério. A única forma de eu desistir da minha amada solidão, ou solitude, como alguns chamam, é se eu realmente amar muito alguém, a ponto de gostar tanto de estar com ela quanto gosto de estar sozinha com meus pensamentos.
Não há nada de errado em se escolher. Não tem problema não querer ter um relacionamento. Eu sempre fui "a última romântica", porém nunca fui alguém buscando matar a carência com relações e pessoas. Cada vez que sofri por estar sozinha, não era sobre não ter alguém comigo, mas sim sobre não ter aquela pessoa específica ao meu lado. Claro, como humana, às vezes queria ter alguém com quem dividir as coisas, e alguém pra ser meu apoio, assim como eu queria ser o apoio dessa pessoa também, porém jamais conseguiria me relacionar apenas pela busca de companhia. Eu amo estar sozinha. Não abriria mão disso por qualquer uma.
- Marcela Lobato

CARTA ABERTA A BANDA FRESNO!
(Escrita após rever um vídeo do Lucas cantando pedaços de músicas antigas só na guitarra e na voz, sendo mais específica, "Uma Música", "Polo" e uma das minhas "mais preferidas" de todos os tempos, "Absolutamente Nada", na noite de 7 de agosto de 2026).

Que nostalgia...
Que saudade dessas músicas...
Ah, anos 2000...
2011 foi quando comecei a ouvir assiduamente a Fresno. Quando finalmente entendi o que as letras queriam dizer, após o meu primeiro coração partido, misturado com a decepção de uma amizade que só existia da minha parte, e cujo fato foi esfregue na minha cara ao declarar o que sentia sem esperar retorno, apenas acolhimento e a amizade que eu acreditava existir. Queria uma mão amiga, e levei centenas de facadas em forma de palavras que ficaram gravadas na minha mente mesmo sem me lembrar mais delas.
Depois, essas músicas se tornaram trilhas de outras histórias e pessoas que amei... De outras dores e conflitos que vivi.
Obrigada Fresno , por cantar e decifrar tão bem minhas emoções. Obrigada Lucas e Tavas (Tavares), por, cantando sobre suas próprias dores e histórias, me mostrarem que eu não estava sozinha. Que não era a única que sentia com tanta intensidade. Que em algum lugar, alguém sabia como era se sentir daquela forma também.
As suas músicas mais tristes foram as que mais me salvaram, inclusive de mim mesma.
Gratidão guris!

Quem sabe um dia a gente compõe e grava algo juntos...
Ao menos posso sonhar...

Com amor e carinho aos que fizeram parte, aos que seguem sendo parte, e aos que talvez um dia também sejam parte dessa banda tão lendária e única que é a Fresno!

Um grande beijo da emo baiana,

Marcela Lobato

As vezes queria fazer um som mais feliz. Mudar um pouco. O problema é ter coisas felizes pra cantar e que sejam mais do que felizes, que me levem ao ápice dessa felicidade pra que eu transborde em arte, principalmente em música.
Geralmente meu som é mais triste porque eu preciso transbordar pra compor as minhas melhores músicas. São as emoções em seus extremos que me levam a criar inevitavelmente. É algo tão natural, tão real, tão orgânico, que sinto que é realmente o meu melhor.
Pensar em criar uma música com a mente nunca será o mesmo que cria-la com o coração no maior pulsar de uma emoção, seja positiva ou negativa. Sinto que, dessa forma, a arte é "mais arte", sabe?
- Marcela Lobato

Talvez o desamor
Seja o único caminho
De quem muito amou
E no fim ficou sozinho.
- Marcela Lobato

Uma dica pra espiritualistas que fazem magia/manipulam energia: decretem que sempre que um cristão tentar invadir seu campo, te desrespeitando, orando por você sem o seu consentimento, que tudo o que aconteceria de bom na vida deles e tudo o que teriam de sorte, prosperidade, saúde, etc de positivo e que você queira, vá pra você. A cada vez que pensarem em você, que orarem enviarão tudo o que teriam de bom pra você.
Use o desrespeito e ignorância deles para vampiriza-los. Não desperdice.
- Marcela Lobato

Quem dera a vida pudesse ser como os filmes e séries com finais felizes...
Geralmente nada é bom o bastante, e muitas vezes é péssimo.
Por isso precisamos tanto da ficção onde tudo dá certo, quem merece acaba sendo feliz, onde o amor é o bastante, onde os "malvados", manipuladores frios, sem escrúpulos, sempre se ferram e a verdade sempre vem a tona. Onde a sinceridade é o mais importante e onde sempre dá certo ser sincera sobre tudo.
A vida real costuma ser o contrário disso.
- Marcela Lobato

Com ou Sem Você


Eu vou seguir, com ou sem você. Vou realizar os meus sonhos, e bater de frente com tudo o que combato, com ou sem você. Vou trazer ao mundo o que resta dos meus sentimentos, de toda essa arte, com ou sem você.
No fim, escolherei a partida. Direi o último adeus, quando meus passos não forem mais os mesmos, e não restarem motivos. Enquanto viver, posso até amar, mas não estarei mais esperando pelo que pode acontecer. Não vou mais te esperar. Eu vou seguir, bem ou mal, com ou sem você aqui.
- Marcela Lobato

No fim, toda a dor e revolta foi apenas uma tentativa desesperada de te ter ou te perder ao me destruir. Nunca foi sobre você. Tudo sempre foi sobre mim. Aprendi a me odiar quando te perdi.
- Marcela Lobato