Coleção pessoal de lyra
GOSTO DE SAL
"Vós sois o sal da terra", disse Jesus aos discípulos. Ele estava se referindo também a todos os cristãos, numa das frases mais conhecidas das Sagradas Escrituras, que é citada em pelo menos três evangelhos. "Se o sal perde o sabor, para que servirá?", pergunta um dos discípulos. O sal não é um alimento. Não podemos sobreviver muito tempo com apenas sal. Sozinho, o sal significa muito pouco. Entretanto, na medida em que o sal se relaciona com os outros alimento, sua presença afeta tudo. Não podemos vê- lo, mas sabemos que esta ali, porque sua força se faz sentir. Uma pitada a mais pode estragar um prato. A falta de sal faz com que uma excelente comida perca o gosto e a personalidade. Nós somos o sal da terra quando nos misturamos com as outras pessoas.
"NÃO PODEMOS
VÊ- LO, MAS
SABEMOS QUE ESTÁ
ALI, PORQUE SUA
FORÇA SE FAZ SENTIR"
Jesus quer que a verdade seja preferida a Ele porque antes de ser Cristo Ele é a verdade. Se alguém se distancia dele para ir a verdade, não dará muitos passos sem cair sem seus braços.
Jesus era tão bom, humilde e sábio que ele não queria ser adorado, muito menos ser pop star, ele queria apenas fazer com os homens enxergassem o caminho do bem e do mal para que pudéssemos escolher, mostrar que todos nós temos Deus dentro de nós e não precisamos de intermediários pra falar com Ele, mas a humanidade ainda não aprendeu isso, mesmo em 2000 anos.
Não é um conto de fadas: todo conto de fadas tem um início triste e um final feliz. Quando o início é muito feliz, cuidado com o final triste.
Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita.
Não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar.
Fechamos os olhos para garantir a memória da memória.
É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo.
O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória.
Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível.
Viver é boiar, recordar é nadar.
Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida
inteira. Amizade não é dependência, submissão. Não se tem amigos
para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da
letra. É independência, é respeito. O que é mais importante: a
proximidade física ou afetiva?
Assim como há os amigos imaginários da infância,
há os amigos invisíveis da maturidade. Aqueles que não
estão perto podem estar dentro. Amigo é o que fica depois da
ressaca. É glicose no sangue. A serenidade.
Quando estamos sozinhos, somos pela metade.
Quando somos dois, somos um.
Quando deixamos de ser um dos dois, não somos nem a metade que começamos a história.
Não desejo encontrar alguém que me complete, é pouco, mas que me transborde, até o final cansar e ser só início.
Adeus, meu amor, logo nos desconheceremos. Mudaremos os cabelos, amansaremos as feições, apagarei seus gostos e suas músicas. Vamos envelhecer pelas mãos. Não andarei segurando os bolsos de trás de suas calças. Tropeçarei sozinho em meus suspiros, procurando me equilibrar perto das paredes. Esquecerei suas taras, suas vontades, os segredos de família. Riscarei o nosso trajeto do mapa. Farei amizade com seus inimigos. Sua bolsa não se derramará sobre a cadeira. Não poderei me gabar da rapidez em abrir seu sutiã. Vou tirar a barba, falar mais baixo, fazer sinal da cruz ao passar por igrejas e cemitérios. Passarei em branco pelos aniversários de meus pais, já que sempre me avisava. O mar cobrirá o desenho das quadras no inverno. As pombas sentirão mais fome nas praças. Perderei a seqüência de sua manhã - você colocava os brincos por último. Meus dias serão mais curtos sem seus ouvidos. Não acharei minha esperança nas gavetas das meias. Seus dentes estarão mais colados, mais trincados, menos soltos pela língua. Ficarei com raiva de seu conformismo. Perderei o tempo de sua risada. A dor será uma amizade fiel e estranha. Não perceberei seus quilos a mais, seus quilos a menos, sua vontade de nadar na cama ao se espreguiçar. Vou cumprimentá-la com as sobrancelhas e não terei apetite para dizer coisa alguma. Não olharei para trás, para não prometer a volta. Não olharei para os lados, para não ameaçá-la com a dúvida. Adeus, meu amor, a vida não nos pretende eternos. Haverá a sensação de residir numa cidade extinta, de cuidar dos escombros para levantar a nova casa. Adeus, meu amor. Não faremos mais briga em supermercado, nem festa ao comprar um livro. Não puxaremos assunto com os garçons. Não receberemos elogios de estranhos sobre nossas afinidades. Não tocaremos os pés de madrugada. Não tocaremos os braços nos filmes. Não trocaremos de lado ao acordar. Não dividiremos o jornal em cadernos. Não olharemos as vitrines em busca de presentes. O celular permanecerá desligado. Nunca descobriremos ao certo o que nos impediu, quem desistiu primeiro, quem não teve paciência de compreender. Só os ossos têm paciência, meu amor, não a carne, com ânsias de se completar. Não encontrará vestígios de minha passagem no futuro. Abandonará de repente meu telefone. Na primeira recaída, procurará o número na agenda. Não estava em sua agenda. Não se anota amores na agenda. Na segunda recaída, perguntará o que faço aos conhecidos. As demais recaídas serão como soluços depois de tomar muita água. Adeus, meu amor. Terá filhos com outros homens. Terá insônia com outros homens. Desviará de assunto ao escutar meu nome. Adeus, meu amor.
