Coleção pessoal de LucianoSpagnol

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Chover no cerrado
cada gota
banha o ressecado

Eu era Rio
agora cerrado
e neste sulcado
sou vestígio

Alvorecer do dia
o sol nascente
o vagalume espia
o cerrado ardente

Eu na janela
além dela
o cerrado
cascalhado...
Não sei se fico
ou voo,
num pinote salvífico.

Assim eu

Nada fui tão igual
Nada tive ovação
Nada foi excepcional
Nada encontrei em vão
Sempre fui usual
Sempre fui exceção
Sempre fui atual
Sempre fui exclusão
Um solitário nunca só
Um amante sem paixão
Um alegre de dar dó
Um genuíno de tradição
E neste novelo de nó
Aprendi a poetar grão a grão
Como companhia de um caxingó

14/05/2016, 03'35"
Cerrado goiano

Poetar é uma explosão de alma tão intensa, que nada acalma, só papel e tinta e os conselhos do vinho...

Se achas o cerrado estranho
experimente-o
ele é diversidade em tamanho...
E encanto!

Sou um incorrigível romântico
A poesia é a lira do meu coração
Com ela alinhavo um cântico
Para embalar-te na emoção
Da rima de verso semântico
Desbravada da iluminação

E assim a poesia é reticência...
Começo, recomeço, interrupção
De balanço na ilusão em reverência
Num recanto totalmente atemporal
Dum balé de palavras em penitência
De amor, alegria, lágrima, em arte final

A volta

Quando eu partir
quero ir com saudade
assim, poderei sentir
saudade e liberdade
juntas no meu existir
arrumadinhas
sem nada por vir
só lembrancinhas
que as carregarei
no meu poetar
e assim, estarei
lembrando, sem recuar
sem mala, sem passaporte
pois estou voltando...
me deseje sorte!

Sou de onde o cascalho forra o chão
Onde o vento se perde no horizonte
Aqui nasci, e a poeira trago na canção
Sou do cerrado, árido, a minha fonte
Onde bebo da água da poética ilusão

De partida!
Pois quem vai volta
Volta na saudade,
de ida e vinda
Embora seja outra rota
Várias até que se finda
Então,
que venha outra cota
E também outra filosofia
Pois a vida é uma pelota,
e viver uma mercearia...

Eu não tenho mais saudade
Tu trouxe vida na minha vida
Tu foste amor de verdade
Eu já estou de partida

És entre montanhas e flores
Amante dos amores
Unicamente mãe, mulher
Limitada em chorar, forte nas dores
Sua poesia é lírica no que disser
Nunca foi de fáceis caminhos
Em suas ruas de subir e descer
Teu rosto nos dá vastos carinhos
Na tua solitária solidão és ronda
De um amor vário, nunca de espinhos
Poetisa maior, teu nome é Verconda...

(Para a poetisa capixaba Verconda Spadarott Bullus)

Se buscar bem terás achado
Não os galhos (ressequidos) do cerrado
Não o chão (cascalhado) do cerrado
Mas a diversidade (inexplicável) do cerrado.

(Parodiando Carlos Drummond de Andrade)

E desde então, sou cerrado
Desde quanto cá vim
sou árido, ressecado
Por servidão, assim
cá estou, sou, até o fim...

Se és do cerrado
Quanto mais amado
O cerrado é admirado

Se és sem moradia
E vive em romaria
O cerrado é ousadia
E aqui tem poesia!

Depoimento

A caixa de surpresas do planeta
Está cheia de espantos e trova
Em cada rima o coração do poeta
E nos lamentos o amor à prova

Maleta de viagem

O poeta veio pro cerrado
foi visto na meseta
em minas foi saudado
nas mãos poemas e uma maleta

O cerrado
Mais antigo que as eras
Ficou todo enrugado
O chão de quimeras
Um poema encantado