Coleção pessoal de LucasCandido
Soneto: Estrela 1°
Fio Cintilante
O seu colo é o meu porto
Que deito e durmo quando preciso.
A minha paz encontra-se no sorriso,
Que vejo em você e até fico absorto.
O sol no declive de sua vida
Não poderá igualar-se a ti,
Na maior explosão que ele expelir
Não chegará ao seu brilho, querida.
A sua coragem, força, proeza, dedicação...,
E a sua imagem com clareza e ação
Tem o poder de me impor contra o mundo.
Mesmo juntando todo o tempo num segundo,
Até tornar-se tudo num ato fecundo
Não haverá outra tão bela em perfeição.
Tsharllez Foucallt -Pierre Ferraz.
Corte Cirúrgico:
Hoje eu deitei para dormir mais cedo
O meu colchão me abraçou bem apertado.
Sufocado, eu senti bastante medo,
E neste enredo eu fiquei desacordado.
Quando despertei naquele lugar trancado,
Senti os meus braços amarrados
E logo isto me apavorou por inteiro.
As luzes piscavam descontroladas
E o suor com gotas geladas
Afirmava que não seria o primeiro.
Vozes me agitavam e risos me cercavam.
Estava em transe sem reação.
Os braços que me tocavam,
Tiravam de mim qualquer ação.
Nessa noção eu avistei o meu pavor,
Reluzindo com as luzes o brilho mortal.
E nesta hora não sabia como me recompor,
E então a dor seria mais do que fatal.
Engoli em seco, pois não havia
Na garganta uma só gota
De saliva que ali possuísse e nem poderia
Me salvar do meu destino com forma marota.
Aquele avental verde lodoso,
Castigava minhas pupilas com ardor
Sentia o meu suor se tornando poroso.
A carne queimando deixava no ar o fedor.
O bisturi cortando, preciso e cauteloso
A dormência na pele me impedia
Que eu sentisse aquele rubro lustroso
Cobrir o meu corpo o quanto podia.
Minha consciência lutava até o fim,
Para eu não cair fácil assim
No golpe de sorte que a vida possui.
No entanto, já exausto eu sei
Que tentei mas não aguentei
Àquele ato a vida logo me exclui.
Tsharllez Foucallt.
Reflexo Distorcido
Sinto o frio do quarto
Corroer a sola do meu pé descalço
E como as dores de um parto
Na beira do infarto
Eu sinto o seu olhar no encalço.
Tudo o que faço é te ver
Me olhando pelo vidro
E eu tento rever
Se algum dia já pude viver
Sem esse olhar tão ferido.
Já está perdido o meu olhar
Pela distância que nos separa
Sinto o meu cabelo molhar,
E pela a minha testa ele suar
Sem o conforto que nos repara.
E isso é para ver nos movendo
Dentro de dimensões paralelas
A mesma dor nos envolvendo
E no torpor nos dissolvendo
Como uma célula sem organelas.
E a bela movimentação
Que faço com meus dedos
Você transmite com a sua ação
Cria um reflexo na retração
Dos nossos próprios medos.
Você mais cedo será 'eu' na frente,
E eu do futuro foi você no passado.
Enquanto as ações do presente
Se tornam presas no inconsciente
Para mudar o futuro solidificado.
Quando pesado ergo o meu braço
Traço uma trajetória duvidosa.
Você seguindo o mesmo passo
Se movendo no mesmo compasso
Com a sua força vigorosa.
A dolorosa vertigem nos embebeda
E nos mostra um mundo novo
E a nossa queda
Traz a escuridão das trevas
Para a nossa vida de novo.
Agora o mundo será mais uma vez sombras na parede
Vamos embora, viajar outra vez nas ondas da complexa rede.
Tsharllez Foucallt
Paródia: Naquela Mesa - Nelson Gonçalves.
Mesa Declinada
Naquela mesa ele nunca foi presente,
E esse amor ausente me bate sem dó.
Naquela mesa não houve vitórias,
E nunca demos glória pelo amor ao redor.
Naquela mesa faltou amor presente
E essa dor persistente vem logo de manhã.
E na minha lembrança só vem gatilho,
Por causa desse empecilho durmo no divã.
Sem saber que doesse tanto,
Tento conter os prantos que matam a mim.
Se eu contivesse essa ferida,
Essa dor da minha vida não seria o fim.
Esse ardor que mais ninguém cala
Embaraça minha fala quase que no fim.
E as memórias que eu tenho dele
Me deixam daquele jeito bem assim.
Esse ardor que mais ninguém cala
Embaraça minha fala quase que no fim.
E as memórias que eu tenho dele
Me deixam daquele jeito bem assim!!
Tsharllez Foucallt
1° Soneto: A Voz Interna
Visão Embaçada
Oh não... Estou caindo.
Gritando até rasgar o peito.
A minha visão sumindo,
Revela-me que não há outro jeito.
Tudo o que tenho feito
Não terá nenhum sentido.
Sei que só tenho vivido
Acreditando ser imperfeito.
Agora não há mais
Como voltar atrás
E escolher outro caminho
O meu futuro está longe demais
O meu presente, agora, tanto faz.
Estou me afogando sozinho.
Tsharllez Foucallt.
SONETO 01 - QUEDA LIVRE
Além de Si
Quando dei por mim
Já não era mais eu...
Tudo onde via ser meu
Faziam partes do fim.
O amor que outrora fora tudo,
Agora não mais restava um pouco.
Momentos marcados como loucos
E eufóricos foram apenas absurdos.
Um todo por metades desiguais,
Ou fragmentos de uma parte.
Pois o meu desejo foi a arte
Que preencheu esse vazio demais.
Agora estou eu cá sem ver o que há aqui...
Por doar-se demais além de si.
Te ver hoje, após 7 anos juntos, é bem diferente de quando nos desejamos pela primeira vez; a eloquência das vontades são mordas, porém mais intensas, o carinho é acolhedor. E por mais que meu dia tenha sido sofrido, ou forçado, saber que você está ali, me esperando, juntinho dela, a nossa pequerrucha, faz tudo se tornar mais leve e confortável.
O mundo toda noite é meu sufoco,
Com pensamentos tortos eu me afundo.
E no fundo do poço eu já dou socos,
Se não saiu por cima, rasgo o meio do mundo.
A fúria que outrora engrandecia os meus sonhos, hoje não passa de um sopro forçado. Os meus medos matam meus sonhos, e me fazem se contorcer toda noite acordado.
Perdas e ganhos,
São tantos enganos
Que moldam a tua vida.
As feridas abertas
E sua índole certa
No mundo de mágoas
Tão reprimidas!
Chamem um psiquiatra
Para o meu psiquiatra
Ouvi o que ele relata,
Ser apenas os meus delírios.
Ou chamem um exorcista
Que não borre as vistas
Quando ouvi a risca
Meus relatos sem lírios.
Perdido na própria essência
O quanto você conseguiria correr atrás de mim, para me tirar esses tormentos da cabeça?
E qual sorriso você usaria para me mostrar que não é o fim, para que eu pudesse viver como uma promessa?
Eu vou sem pressa alcançar esse abismo a minha volta.
Os meus passos são o gatilho que deixa a minha alma solta.
A fúria que outrora engrandecia os meus sonhos, hoje não passa de um sopro forçado.
Os meus medos mantam o meu sono, e me faz se contorcer toda noite acordado.
Janela Parte I
Na sacada a visão emociona,
O amor me abandona,
E o medo me abraça.
O sufoco me mata,
E o desespero me enlaça,
Com tal força que me impressiona.
A decisão torna-se tão incómoda.
Meu desejo é o socego.
É como o belo sobejo,
Que a morte me traz.
Perde-se então a paz,
Pois não acalma o que a alma faz
Para me tornar um pouco cego.
Minhas mãos tocam o ar que não pego.
O Peso Dos Meus Pecados.
O peso de meus pecados
Agora cai sobre mim,
E mudando de lado
Não vejo mais o fim.
A luta é assim, a guerra não vencerei,
E lutando por mim, nada alcansarei.
É o meu jeito poético,
Buscando paz de espírito,
Ter medo disso é patético
Pois já enfrentei os críticos.
A luta resisto, com o meu melhor lado,
E na batalha resisto, para quebrar o legado.
Estou vivendo os meus dias
Com esse vazio sem fim,
E as minhas alegrias,
Já fugiram de mim.
Foi simples assim: Elas me abandonaram.
Meu lado ruim, as fraquesas abraçaram.
Hoje o dia é mais belo,
E tenho mais uma luta.
Colei os medos com celos,
No envelope da disputa.
Minha força ultra, daqui me impulsiona.
O medo da luta, não me abandona.
Essa dor é o acúmulo dos problemas.
Fracassado é o meu novo emblema.
E pensar que temos de andar tanto neste mundo para descobrir que ficar parado nos levaria ao mesmo lugar.
A fraqueza do amor está em utilizá-lo esperando recompensas por isso.
O mundo moderno abusa dos interesses superficiais em troca de dinheiro, e nesse enredo vão-se as mais nobres emoções. Pessoas colapsam-se por sentimentos dos quais não conseguem expressar pelo fatos de outras pessoas não as incentivarem.
Seria muito mais fácil se, neste quesito, todos pudêssemos ter mais desejo em ouvir ao contrário de divulgar.
Hoje em dia o que é mais valioso no mundo, a sua vida, ou o que as pessoas vêem nela? Essa pergunta, a princípio, soa estúpida, entre tanto, os indivíduos moldam-se mais a "Status", e menos a interesses próprios. O belo é o que mais tem "Like" nas redes sociais, que, embora tem algum tom de conotação na rede de informações virtuais, não tem o foco de unificar e socializar pessoas. Pelo contrário, com notícias que circulam neste imenso oceano de informações, p concretizas-se a intolerância, imortalizando a ignorância, avareza, irá, inveja, e por aí perde-se os pecados meramente enraizados nos humanos. Então; amando alguém, ou apenas desejando ardentemente trocar o desejo de amar por migalhas egoístas?
Se a felicidade fosse encontrada nos bens materiais, para se observar a severidade dos interesses humanos, todos estaríamos incrédulos com o excesso de sorrisos vistos em todos lugares.
Fundo do Poço - posSO Ser f u n d o
Me jogaram aqui a muitos anos,
Acabaram com minha vontade de lutar.
Me calaram e acabou-se os planos,
Nem forças eu tenho pra revidar.
O mundo toda noite é meu sufoco,
Com pensamentos tortos me afundo.
E no fundo do poço já dou socos,
Se não saio por cima rasgo o meio do mundo.
Abaixo os amigos são minha lama
Que se grudam a mim como cola.
É cada ideia que se descola,
E eu colo um novo meio de drama.
Passo a mão na parede e tento escalar,
E está lá não me faz ver o topo.
Daqui o aperto é claustrofóbico,
E pra me livrar, tudo eu já topo.
Momentos são apenas momentaneamente,
E de repente a família é minha escada.
Essa é a armadilha mais bem armada,
Que tira o suicida da minha mente.
Mais um passo pra cima e fico
Mais perto de segurar a base com as mãos.
Sei que é difícil sair vivo,
Mas não é o labirinto
Que para o general em sua ação.
São seus esforços que te faz
Ficar voraz; ser e dar o seu melhor.
Seguro firme e não deixo que lá jaz.
Naquela noite não levarei a pior.
Estou me erguendo para me sustentar.
Vejo o quanto eu na vida já escalei.
E com um tropeço a mim empurrar;
Não vou parar, vou lutar,
Pois tudo de novo eu subirei.
