Coleção pessoal de lubaffa

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A riqueza do tempo está em valorizar o presente. É só o que você tem...

“Ele já muitas vezes vos disse que não coloca fardos pesados em ombros fracos. O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem.”

" A sociedade não é mais do que o desenvolvimento da família se o homem sai da família corrupto,corrupto estará para a sociedade. "

Por grande e digno que seja o ideal a que se aspira, se aquele que pretende alcançá-lo se vale de meios miseráveis, é sempre um miserável.

Eu gosto de quem facilita as coisas. De quem aponta caminhos ao invés de propor emboscadas. Eu sou feliz ao lado de pessoas que vivem sem códigos, que estão disponíveis sem exigir que você decifre nada. O que me faz feliz é leve e, mesmo que o tempo leve, continua dentro de mim.

Eu quero andar de mãos dadas com quem sabe que entrelaçar os dedos é mais do que um simples ato que mantém mãos unidas. É uma forma de trocar energia, de dizer: você não se enganou, eu estou aqui. Porque por mais que os obstáculos nos desafiem o que realmente permanece, costuma vir de quem não tem medo de ficar.

Sobreviventes são perigosos porque sabem que podem sobreviver. Ouvi esta frase em algum lugar, mas não lembro a fonte. Só sei que ela me parece muito impressionante e verdadeira. Sobreviventes sabem que é na dor que nos fortalecemos.
É na perda que aprendemos. É no fim de um ciclo que recomeçamos. Sobreviventes têm muitas histórias para contar, conselhos para dar e palavras sábias que podem mudar radicalmente a vida do outro. Sobreviventes improvisam, se reciclam, transformam lixo emocional em lição de vida, em combustível para novas experiências mais plenas...

Tenho 1,56m, 52 quilos que variam para mais com facilidade. Poucas coisas me irritam, mas a placa “proibido virar em U” me deixa perplexa. Já comi vários bichos, dentre eles macaco, cobra e jacaré e acho que teria provado gato se tivessem me oferecido. Hoje além de ateia e de esquerda holics, sou vegetariana. Não posso beber nada alcoólico porque meu corpo não metaboliza a meritocracia e, por falta de aldolase, o álcool. Namorei um mesmo homem durante trinta anos e agora tomo chá de alfazema em pleno verão. Creio que quando usamos nossa autoridade estamos falhando muito em alguma coisa, por isso, pedalo ao menos dez quilômetros duas vezes na semana. Medito para conseguir dormir e quando acordada, sonho. Moro ao lado de meus pais até hoje, mas sinto-me preparada para aprender a tocar bateria. Não sou muito de me socializar, prefiro a solidão bem acompanhada. Com o cordão umbilical faço adereços e com meu primeiro salário comprei um anel de ouro para mim. Tenho sete livros publicados, doze escritos e vinte e dois ainda para fazer. Só possuo uma bolsa, uma manicure e eu mesma me depilo. Não acredito em Deus, embora Chico Buarque me deixe assustada e tenha como amuleto as velas que são acesas pela minha ex-empregada. Gargalho quando me vejo com lingerie e choro quando lembro de minha primeira gravidez. Tenho três filhos e não acredito em escolhas. Leio de tudo, mas não ouço quase nada. Durmo em todos os filmes que vejo em casa e, no cinema, só fui sozinha uma vez. Não entendo quem não vê beleza nas lutas de resistência e na Gisele Bundchen. Quando casada, minha casa vivia cheia de amigos, agora, solteira, só meus filhos a frequentam. Não me considero escritora porque escrevo o que quero quando quero e o que me sustenta é a leitura. Adoro pintar minhas unhas de vermelho e os meus cabelos têm horror a cigarro. Nas paredes do meu cafofo, há quadros pintados por mim e por quem eu amo. Acredito que toda forma de amar seja natural, o cultural é o ódio por qualquer coisa. Sou inteira mas um quarto é meu paraíso com o Pipo. Adoro começar qualquer texto e sempre quis terminar um no meio de uma fras

Para o sábio tudo é ordem, o néscio acha desordem em tudo.

Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.

Todas as mulheres sofrem por causa do seu gênero. Trabalhamos mais, ganhamos menos, andamos com medo na rua, sofremos assédio no transporte público, na escola, em casa, pensamos na roupa que vamos usar não por causa do nosso conforto ou gosto, mas por medo. Somos compulsoriamente as cuidadoras da família: filhos, irmãos, sobrinhos, pais idosos. Somos consideradas propriedade de homens: pais, irmãos, companheiros. As mulheres mães precisam trabalhar como se não tivessem filhos e cuidar dos filhos como se não trabalhassem. Qualquer desvio do que é considerado feminino nos estigmatiza e nos coloca em um lugar de não pertencimento. Nossos corpos são escrutinados sempre: nossa beleza (no olhar dos homens), nosso peso, nosso envelhecimento, nossa sexualidade, nosso direito à reprodução. Somos santas ou putas. Tememos esses olhares. Deixamos de fazer coisas por medo.
Somos violentadas. Ou tememos a violência. As mães de menina são apavoradas com abuso. Todas conhecemos mulheres (ou somos elas) que foram abusadas, que fizeram um aborto, que foram silenciadas, que abandonaram seus trabalhos porque era impossível conciliar tudo.
Todas as mulheres sofrem. As barreiras e sofrimentos aumentam se você for negra, índia, imigrante, refugiada, lgbtq, trans.
Todas as mulheres sofrem isso. Seja você feminista ou não.
Você, moça feminista, abrace uma mulher que se diz não feminista. Ela sofre como você. Também tem medo. Apenas ainda não entendeu que a nossa luta é para que as mulheres não precisem sofrer mais por causa do nosso gênero. Queremos igualdade de direitos, dignidade, acesso à produção de riquezas, acesso aos espaços de poder e decisão. Queremos ser quem somos. Livremente e sem medo. Se você também quer isso, venha para rua. Ser feminista é lutar por você, pelas nossas mães, filhas, sobrinhas, amigas, colegas e pelas outras mulheres que virão.

Revista Prosa Verso e Arte
O Aquém – Eduardo Galeano
Revista Prosa Verso e Arte
Por Revista Prosa Verso e Arte
Literatura




©Joel Robison


Estimado senhor Futuro,
de minha maior consideração:
Escrevo-lhe esta carta para pedir-lhe um favor. V. Sa. haverá de desculpar o incômodo.
Não, não se assuste, não é que eu queira conhecê-lo. V. Sa. há de ser um senhor muito ocupado, nem imagino quanta gente pretenderá ter esse gosto; mas eu não. Quando uma cigana me toma da mão, saio em disparada antes que ela possa cometer essa crueldade.
E no entanto, misterioso senhor, V. Sa. é a promessa que nossos passos perseguem, querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde V. Sa. nos espera. A mim e aos muitos que não cremos em deuses que prometem outras vidas nos longínquos hotéis do Além.
Aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam como se fosse uma pelota. Brincam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A continuar assim, temo eu, mais cedo do que tarde o mundo poderá ser tão só uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem água, sem ar e sem alma. É disso que se trata, senhor Futuro. Eu peço, nós pedimos, que não se deixe despejar. Para estar, para ser, necessitamos que V. Sa. siga estando, que V. Sa. siga sendo. Que V. Sa. nos ajude a defender sua casa, que é a casa do tempo.
Faça por nós essa gauchada, por favor. Por nós e pelos outros: os outros que virão depois, se tivermos um depois.
Saúda V. Sa. atentamente,
Um terrestre.

2001

— Eduardo Galeano, no livro “O teatro do bem e do mal”. tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2006

Os outros...
Quando conseguimos viver a nossa vida em plenitude, nada nos tira do foco. Quando damos muita atenção aos que os outros estão pensando ou vão pensar sobre nós, estamos saindo justamente do foco.
Sair do foco é não dar atenção aos seus pensamentos e aos seus desejos e tentar agradar aos outros para se sentir incluído em um grupo.
Quando conseguimos chegar a consciência que não somos só mais um na roda da vida, percebemos que podemos sair dos padrões exigidos pela sociedade, sair do consumismo desenfreado, sair do modismo, pois paramos de dar atenção ao que os outros pensam e sim damos atenção ao que nós pensamos e somos, posso até gostar de algo que todos gostam, mas não é necessário ser tudo igual, ou seja, entrar na onda...
É necessário ter bom senso, não podemos fazer coisas que vão de encontro ao minimo de respeito com as outras pessoas, mas não temos que ficar nos ocupando com o que os outros vão pensar se eu fizer isso ou aquilo. Cada vez que agimos dessa maneira, deixamos de ser autênticos, de ser o que realmente somos e passamos a ser uma cópia...
Viva sua vida! Procure ocupar-se com as suas coisas, ocupe-se com os seus desejos. Não fique pensando no que os outros pensam ao seu respeito, pois o que eles pensam é fruto de uma imagem e essa imagem é diferente para cada um...
Só você sabe o que você passou para chegar até aqui...
E perceba, quando estamos pensando na vida dos outros estamos perdendo uma grande oportunidade de pensar na NOSSA VIDA.
Lembrando que vivemos juntos, mas não nascemos grudados.
Aceite sem julgar... Pode ser que um dia você faça igual...
Ocupe-se com você e verás quanto você vai evoluir...
Siga dando exemplos... Faça o seu melhor...
Aceite! Agradeça! Perdoe-se! Perdoe!
Medite!
A paz começa comigo!
A paz começa com você!

NÃO SE ANULE
Arte de Jim Dine

Fabrício Carpinejar

Mesmo que seja um hotel cinco estrelas, se não tem liberdade de ir e vir, é uma prisão. Mesmo que seja paparicada, festejada e endeusada, se não tem como dizer o que acredita, é uma prisão. Mesmo que seja atendida em qualquer capricho, se não tem espaço para a sua solidão, é uma prisão. Mesmo que os filhos sejam educados com segurança e conforto, se não pode sair com os amigos, é uma prisão. Mesmo que tenha o que sempre sonhou ao lado de alguém, se não pode discordar, é uma prisão.

Nunca ceda a sua independência financeira e emocional a uma pessoa. Nunca se sustente de mesadas. Nunca viva sem ter um outro lugar. Nunca abdique de seu emprego, de seu contexto, de sua chave, de sua conta bancária, de suas conversas, de suas escolhas, de sua fonte de orgulho. Nunca se torne refém de uma estrutura onde é apenas uma peça secundária. Nunca transforme uma relação, feita de constante merecimento, em obrigação. Nunca se anule pela estabilidade. Só ao perder tudo perceberá que, infelizmente, nada era seu - era favor, escambo, troca, chantagem, prêmio de bom comportamento.

Estar à mercê de alguém, que não seja a si mesmo, é perigoso, é temerário, é submissão, é muito poder para depois combater.

Mesmo que pareça amor, mesmo que pareça que conquistou a eternidade, mesmo que a foto da família feliz fique brilhando no porta-retratos na sala, será sempre uma prisão.

Há pessoas desagradáveis apesar das suas qualidades e outras encantadoras apesar dos seus defeitos.

"Existem pessoas que se sentem ofendidas, magoadas por qualquer coisa: à mais leve contrariedade, se sentem humilhadas.Ora, nós não viemos a este mundo para nos banhar em águas de rosas. Somos espíritos altamente endividados; dentro de nós o passado ainda fala mais alto. Não podemos ser tão suscetíveis assim"

O que não precisamos no meio das nossas batalhas é sentir vergonha de sermos humanos.

A vulnerabilidade é a nossa medida mais precisa de coragem.

Assumir a nossa história pode ser difícil, mas não tão difícil como passarmos nossas vidas fugindo dela. Abraçar nossas vulnerabilidades é arriscado, mas não tão perigoso quanto desistir do amor e da pertença e da alegria - as experiências que nos tornam mais vulneráveis. Só quando formos corajosos o suficiente para explorar a escuridão vamos descobrir o poder infinito da nossa luz.

A vulnerabilidade soa como verdade e sente-se como coragem. Verdade e coragem não são sempre confortáveis, mas elas nunca são fraqueza.

Em vez de vivermos de julgamentos e críticas,devemos ousar, aparecer e deixar que nos vejam. Isso é a coragem de ser imperfeito!
Isso é viver com ousadia!
Estamos aqui para criar vínculos com as pessoas!
Amor e aceitação são necessidades irredutíveis de todas
As pessoas.