Coleção pessoal de LeonidaFerreira
O POLÍTICO...
Agora estás diante do julgamento.
Assumiste o comando de um grande movimento, mas carregaste toda a responsabilidade de forma irresponsável, até o ponto de fazê-lo afundar.
Quando chegou a hora da verdade, não estiveste no convés: preferiste resguardar-te, em segurança, enquanto tua tripulação foi jogada ao mar.
Hoje, muitos que acreditaram em ti estão presos, esperando por um gesto, um socorro, um “salva-vidas” — mas tu os deixaste à própria sorte.
Esse é o preço da covardia: inflamar multidões e depois abandoná-las.
Um verdadeiro líder não sobrecarrega nem expõe seu povo, reparte a carga e enfrenta a tempestade junto com eles.
Aprende com o bambu: ele se curva ao vento sem se quebrar, porque sabe que a humildade é mais forte que a arrogância.
A Fé...
Círio de Nazaré chegando,
os pescadores vão logo se ajoelhando,
orando, pedindo com fé,
que da maré ao oceano
não falte gente votando.
De tanto orar,
meu primo Zé
esqueceu de como pescar...
Mas para que se preocupar?
Meu voto está "seguro",
pois tenho minha "defesa".
Com isso, não vai faltar
comida em vossa mesa.
Pode pisar em terras diferentes, vestir-se de um bom casaco de pele mesmo que isso leve a óbito seu dono, tentas impressionar até o teu reflexo em um espelho estático.
“Mas ainda sim... o bode de terno continua sendo um bode...”
Manifesto dos Colarinhos
Sem o varejo da esquina, os colarinhos não brilhariam.
Precisam do primo pobre sujando as mãos,
exposto, caçado, condenado...
Enquanto isso, lá em cima,
os colarinhos se banham em alvejante.
- Brancos.
- Engomados.
-Respeitáveis.
Mas o brilho deles não é pureza —
é o reflexo da miséria de quem sustenta a base.
Que dó do primo pobre...
Nunca mais irá para a esquina,
incansavelmente esperando a carta do judiciário.
Meu país
Não o vistam de altar,
pois o sagrado não precisa de muros.
O vazio é vasto —
cabe a fé de cada um,
sem que se torne prisão de muitos.
Não o vistam de quartel,
pois a ordem não precisa de correntes.
O vazio é vasto —
cabe a voz de cada um,
sem que se torne grito de comando.
Não o vistam de cerca,
pois a terra não precisa de invasores.
O vazio é vasto —
cabe o chão de cada um,
sem que se torne espólio de guerra.
A obtusidade entrou em erupção, nos lóbulos frontais dos apaixonados por políticos...
SOCORRO, SOCORRO...Tem alguém aí...
"A obtusidade entrou em erupção..."
Os lóbulos frontais,
campos outrora férteis da razão,
agora soterrados pela lava quente da idolatria.
Milhões assistem, aplaudem, repetem, defendem...
Não pensam. Sentem.
Sentem com o fígado. Pensar dói.
SOCORRO, SOCORRO... TEM ALGUÉM AÍ?
Entre os destroços da lógica e da ética,
há ecos de consciências exiladas.
Vozes roucas pedem lucidez.
Mas o fanatismo grita mais alto.
Cegos por escolha.
Surdos por conveniência.
Presos em bolhas que eles mesmos inflaram.
Políticos passam.
O povo fica.
Feliz Dia Mundial do Rock!
O Rock in Roll é sinérgico, é resistente, é empático.
É mais que som — é alma, é revolução.
Está em toda a esfera terrestre, em cada batida que incomoda, em cada grito que liberta.
Somos privilegiados por ouvir esses “ruídos” que muitos não suportam —
porque o Rock não é para qualquer um.
Você não aprende a gostar de Rock — ele nasce com você, tatuado na alma, instalado no cérebro.
Já fomos julgados, marginalizados, silenciados. Mas nunca parados.
Se o mundo ainda treme, é porque o Rock ainda existe — e sempre existirá.
O Rock é passado, é presente e é futuro.
Não é modinha que chega hoje e sai amanhã —
é resistência cravada na história, nas veias, nas guitarras.
Enquanto houver opressão, haverá Rock.
Enquanto houver silêncio forçado, haverá barulho.
Porque o Rock não pede licença — ele invade. Ele grita. Ele é eterno.
Somos ruídos, somos verdade. Somos Rock in Roll.
Servo do Eu
Seu vício alimenta-te, matéria corporose,
Esquece-te de teus movimentos,
Pois já não és senhor de ti — és servo do eu que te devora.
Teus olhos veem, mas já não contemplam,
Teus passos seguem, mas não mais escolhem.
És arrastado por correntes invisíveis,
Que tu mesmo forjaste, dia após dia.
O desejo vestiu-se de rei,
E tu, súdito fiel, curvado ao trono do hábito.
O espelho já não te reconhece,
Pois o reflexo é de um estranho sem vontade.
Corpo e mente em guerra silenciosa,
Onde o grito da razão é abafado
Pelo sussurro doce da repetição.
És o que repete. És o que consome. És o que se apaga.
E ao fim do ciclo, se fim houver,
Resta a dúvida sussurrada ao silêncio:
Quem é teu dono?
Ou foste tu quem se deixou possuir?
O ignorante é o instrumentista do aborrecimento, o condutor da irregularidade, o provedor da mentira, desprovido de qualquer informação, simplesmente o verdugo de sua mente...
Hoje vivemos em um mundo de zeros e uns, um mundo tecnológico, mas é incrível como esses jovens carregam tacapes e andam cambaleando retrocedendo o amanhã...
Hoje no atual cenário, os terráqueos não brigam por política, e sim pelos "políticos"...
As pessoas não estão discutindo ideias, ideologias ou políticas públicas (que seriam debates saudáveis e construtivos), mas sim brigando em defesa de políticos específicos, como se fossem ídolos ou times de futebol., sem falar na polarização política que acontece em muitos países, onde eleitores defendem figuras políticas de forma apaixonada, muitas vezes sem avaliar suas ações de forma crítica, o que era para ser algo coletivo mas em vez disso, muitas discussões giram em torno da lealdade a indivíduos.
