Coleção pessoal de LeoniaTeixeira

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Me roube por um momento
Me leve pra qualquer canto
Me carregue, me amarre,
Me esconda !
Me use, abuse...
Tou aqui me entregando.
Me faça festa para os teus olhos
Faça do meu corpo tua cama
Me pegue de jeito,
Me banhe de cheiros
Me toque, provoque...
Me esbaldei com teu sorriso
Me jogue no paraíso,
Morda, abrace, beije...
Me lambuze.
Tou assim, fácim
Tou assim querendo
Tou assim me dando !

É que não sou perigo pra você, é que não conto.
Não te causo arrepios, não te provoco...
Não há desejo na tua boca, não há vontade no teu olhar.
Pra você é tanto faz,
Se tou com frio, se tiro a roupa.
Pra você tanto faz que eu fale, cale.
Não diga nada
Não aumento, nem subtraio.
Sou nada,
Já você é tudo !
Meu riso solto, minha estrada...

Amor é amar além de tudo e do nada.

Não se peca só em palavras, silenciar também é pecado. Se é pecado, pecamos os dois: um por escancarar o outro por omitir !

Não espere que eu te esqueça, vá !
Um dia passa, há de passar.
Se chega, vai.
Se começou há de terminar,
Se nem começou, paciência !
Não há o que fazer.
Não depende de mim
Esta além,
Nem você, nem eu.
Porque somos bem iguais
Paramos há tempos na esquina da vida,
Vivendo presos a outras histórias.

Sou mar de águas douradas, sou versos...aversos !
Sou presa fácil nos teus olhos, sou vulgar na tua cama.

Porque nem as horas
Porque nem os dias
Porque nem os anos após anos,
Porque nem segundos a segundos
Porque nem minutos a minutos
Porque nem o tempo, há tanto tempo...
São só tempos marcados, tatuados...
São só horas cravadas, desenhadas...
São só dias queridos, sonhados...
Porque são e só !

De repente você foge, finge...some !
De repente já foi, já era.
E de novo eu só, solidão.

Sou pra você uma história entre o passado e o presente.

Faço dos meus versos tua presença, te sinto nos dedos, te guardo na alma. Esta tatuado em mim em partes ocultas, guardadas...te escondo no peito e nas águas que dos meus olhos desaguam.

Por que teus olhos são versos nos meus, porque tua boca é sinfonia aos meus ouvidos. Nas ondas, nas tardes...vejo luzes, danço em cores. Abraço o cheiro do teu sorriso, entrelaço teus gestos, viajo em músicas...em marés de sonhos e paixões.

Bendita a loucura dos poetas, bendito os sonhos !

Encontrei um pássaro cantando uma flor, pensei: quem dera fossem teus olhos cantando os meus !

Que venha do mar o meu sorriso, que nasça das flores. Que meu canto seja de luz mesmo em trajes de tristeza e solidão. Que a saudade machuque menos, que não te ter não me leve ao desespero, não me arranque a paz. Preciso acreditar numa nova chance, viver outros caminhos...se não deu, não dar; mas que eu não perca o melhor de mim: meu riso, minha inspiração...porque foi dos teus olhos que roubei poemas, com tua boca sonhei.

Se é de lembranças nossa história, indo ao encontro dos momentos guardados. Indo buscar o que deixei escondido em cada pedacinho de mim: nossos, risos, nossos olhares...músicas tocadas, trocadas ! Guardando meus enganos, desenganos... guardando o que faltou ser dito e o que eu queria ouvir. Deixo meus sonhos, guardo desejos.

Sinto que me tens, sinto que estou em ti. Me vejo em músicas que toca, me encontro em caminhos que muda, desvia...me reconheço em teu silêncio, nas poucas palavras...tou no teu momento de descontrole, de raiva...é como se me culpasse pelos teus pensamentos que acredita serem errados, pecados...estou na tua fuga; no desejo de esquecer meu riso, minha fala. Estou no teu desespero de me arrancar do peito, de não lembrar meus passos, versos, risadas...me acho nos teus medos. Pode ser loucura, talvez...quem sabe, seja esse o motivo de não conseguir me libertar desse amor sem hora, doente.

Abandonando a mesa, cartadas em vão...final de jogo: sonhos perdidos; cantadas jogadas ao vento.

Me completo em sons, sou riso, sou palavras.
Vou ser sempre música apesar das letras erradas, das faltas, das falhas... dos sons tortos, loucos...apesar das cordas desafinadas !

Que aconteça tão natural quanto o sol
Quanto o dia,
Que seja risos, que seja ondas...
Que nasça do rio, que venha do mar
Que aconteça de mansinho,
Devagar !
Que não me leve a esperança
Que não me jogue ao desespero
Que não seja em vão,
Que não machuque: mente, coração
Que não se acabe em pouco tempo
Que não caia no esquecimento,
Que não me faça ficar calada,
Culpada.
Que tenha flores, que traga versos
Que toque músicas,
Que se aconchegue no meu peito
Que me acaricie na maresia,
Que seja suave, que seja canto
Que cole no corpo, que fique na alma
Que seja pássaros nadando, navegando...
Que cante, que me encante em poesias.

Entre uma dose e outra, descem lágrimas. Revendo videos, fotografias...revivendo tua voz. Trago no peito a dor do abandono, bate o desespero...nada cura, não há remédio para mal de solidão. Escondo sonhos, amordaço...para não vê-los quebrados, jogados ao chão.