Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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Responder com explicações polidas a rotulações extemporâneas, calculadas para embolar a discussão, é coisa de trouxa, evidentemente. Mas até para xingar é preciso alguma engenharia, para não cair na mera expressão impotente de uma reação emocional. Todos os meus palavrões são antecipadamente pesados na balança da estilística e da semântica.

Não faça um plano de luta. Essa é uma boa maneira de perder os dentes.
[...] Se tentar lembrar, você irá perder! Esvazie sua mente. Seja sem forma, sem forma, como a água. Coloque a água em um copo, torna-se o copo. Coloque a água em um bule de chá, torna-se o bule de chávena. A água pode fluir ou escorrer, ou gotejar, ou bater. Seja água, meu amigo!

Como todo mundo, você procura aprender como vencer, mas nunca como perder — como aceitar a derrota. Aprender a morrer é se libertar da morte. Então, quando amanhã chegar, você precisa se livrar da sua mente ambiciosa e aprender a arte da morte.

"As pessoas da direita não se identificam como tal, não como parte de um grupo. Nós apenas nos agarramos às coisas que amamos."

(Recusando-se a ser qualificado como um homem “de direita”, em debate com o crítico marxista Terry Eagleton).

A religião existe para revelar aos homens um OUTRO mundo, infinitamente maior e mais real do que este. A moral existe apenas para ensiná-los a comportar-se bem NESTE mundo pequeno e transitório. Desde que Kant inverteu as proporções, fazendo da moral a base da religião em vez do oposto, aconteceu o inevitável: as pessoas não só passaram a pensar exclusivamente neste mundo, mas a acreditar que só ele existe.

Os decretos dos governantes passam, mas a influência intelectual, quando é séria, permanece. O filósofo que deseja poder político é como um leão que, não sabendo a força que tem, invejasse os bicos das galinhas.

Para cada livro de filosofia que vocês lerem, leiam cinco de História. Saber o que aconteceu é mais importante do que saber o que alguém pensou.

Aos vinte e poucos anos, carregado de filhos e dívidas, cheguei à conclusão de que não seria bosta nenhuma na vida. Então pedi a Deus que me fizesse compreender certas coisas, mesmo que eu não conseguisse explicá-las a ninguém. No fim consegui explicar algumas e me tornei pelo menos um bosta de sucesso.

Um método é um conjunto de proposições auto-evidentes (ou provadas com base nelas) que delimitam um objeto e os meios de conhecê-lo. O bom método não define o seu objeto, mas recebe essa definição de uma prévia descrição fenomenológica.

Minha sorte foi não ser professor universitário. Se fosse, teria sido tentado a iniciar um combate cultural pela expressão oral pura e simples, em vez de escrever livros primeiro. E teria só levado porrada sem conseguir persuadir ninguém. O livro ainda é e será sempre o instrumento maior nesse tipo de confronto. Principalmente se não é livro de mera polêmica jornalística, mas tem um valor cultural por si próprio.

Se o cristianismo fosse apenas uma doutrina, não haveria problema em reinterpretá-lo mil vezes até que se transformasse, como ocorreu com o marxismo, até mesmo no seu oposto dialético.
Mas a Ressurreição de Cristo é um fato único e imutável, de modo que, para mudar o sentido da fé cristã que esse fato determina, será preciso esperar pela ressurreição do Leonardo Boff.

Se ferir brutalmente os sentimentos dos cristãos fosse crime -- como hoje em dia é crime incomodar um pouquinho os membros de qualquer grupo minoritário queridinho das esquerdas --, todos os jornalistas estariam na cadeia junto com um monte de professores universitários.

"Considera como a maior infâmia preferir a vida à honra e, para (salvar) a vida, abrir mão das razões de viver." (Summum crede nefas animam praeferre pudori / Et propter vitam vivendi perdere causas)

"O antipetismo e mesmo o anticomunismo são apenas desenvolvimentos laterais do meu trabalho, cujo objetivo essencial é a formação de INTELECTUAIS CAPAZES E HONESTOS. Se, em nome do antipetismo e do anticomunismo, devo sacrificar o objetivo essencial, consentindo em endossar lendas urbanas em lugar dos fatos e da honradez intelectual, toda a minha obra e a minha vida se tornam automaticamente desprovidas de sentido. Quem me exige isso não é, decerto, meu amigo."

Sou católico há 68 anos (com intervalos de indiferença) e, depois de tudo o que aprendi a respeito, embora saiba defender perfeitamente o catolicismo contra a militância ateística e contra os inimigos do cristianismo em geral não me considero qualificado para defendê-lo com argumentos teológicos adequados numa polêmica com protestantes. Prefiro deixar isso para quando eu estiver mais crescidinho, e sugiro que meus alunos façam o mesmo.

Só acredito nestas três leis do processo histórico:
1. A difusão dos fatos produz novos fatos.
2. À medida que a difusão aumenta, os fatos se precipitam em velocidade alucinante, até o ponto em que ninguém mais consegue acompanhá-los.
3. A ignorância, a loucura e a confusão crescem na razão direta da quantidade de conhecimento disponível.

Conclusão de meio século de estudos de História: as teorias têm mais efeitos práticos do que qualquer idéia prática. Só que os porras dos homens práticos não sabem disso.

A única forma de salvar as ciências sociais do entojo que se tranformou em razão do marxismo é a reconstrução da teoria social a partir das sólidas bases iniciadas por Edmund Husserl, Max Weber, Alfred Schutz, von Mises, Cristopher Dawson, Voeglin e Gilberto Freyre. Essa linha em debate com a que se estrutura a partir de Durkheim, retirando o marxismo como fonte de elaboração teórica e o reduzindo ao seu valor devido: a de doutrina que, só na sua prática política, resultou no assassinato de mais pessoas do que a soma de todas catástrofes naturais, epidemias e duas guerras mundiais durante o século XX.

Lição número um dos estudos políticos:
PREMISSA: A base de toda ação bélica é fazer o que o inimigo não imagina que você vai fazer.
CONSEQUÊNCIA: Na luta militar ou política, a verdade é quase sempre INVEROSSÍMIL.
COROLÁRIO : Qualquer bom estrategista militar ou político levará em conta os padrões de verossimilhança em que o adversário se baseia, para usá-los como arma contra ele.
ADENDO: Para as elites, o inimigo a ser ludibriado é sempre o povo inteiro.

"Eu me aproximei do cristianismo em virtude do interesse e da reverência pela melhor imaginação pagã, e amei Balder antes de Cristo e Platão antes de Agostinho..."

[...], o deslumbramento ante as sutilezas da lógica e especialmente da lógica matemática é, por si, prova de imaturidade filosófica. Embora algum estudo dessas disciplinas seja indispensável, a contribuição delas à grande filosofia é bem irrisória. O próprio criador da ciência lógica, Aristóteles, fez pouquíssimo uso dela em suas investigações, preferindo a confrontação dialética, tecnicamente inferior porém mais rentável como logica inventionis, 'lógica da descoberta' em oposição à lógica da prova.