Coleção pessoal de lasana_lukata

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Tarde de outono
Na terra ensanguentada
banham-se pássaros.

inoportuno


na escuridão marítima
cego apoio-me na garça
vou com suas pernas
o coração aberto como uma ferida
sem rota
anda pelo mar
este grito que não tem onde atracar

absoluta
sentada no ombro esquerdo,
eu navio adernado,
ninguém no ombro direito,
para sempre desequilibrado.

poeta não é para ser canonizado,
é para ser carbonizado,
renascer das cinzas.

por todos os mares,

em surdas remadas por águas injustas,

o peixe a acardumar-se para indignar-se

contra as ondas que o empurram para as margens,

para longe dos hiperônimos, dos hipônimos,

e, fora do vinho,

por todas as terras,

convertido em hiena que fatalmente ferida

busca um lugar para o seu fim,

vim hoje aqui

para morrer neste poema.

a poesia apodrece a realidade