Coleção pessoal de joseluisdesousa20232
Quando observamos a história do Cristianismo, percebemos que, alguns anos após a vinda de Jesus Cristo à Terra, sua mensagem começou a ser mal compreendida pelos próprios seguidores. A instituição religiosa que se dizia seguidora de seus ensinamentos acabou se desviando e passou a comercializar a própria fé por meio da venda de indulgências e de outras práticas desumanas. Nesse período, muitos sacerdotes cristãos, já praticantes da meditação e moradores de mosteiros, começaram a perceber as incongruências existentes na fé cristã. Foi então que um deles, chamado Martinho Lutero, o reformador, levantou-se com uma mensagem de reforma, tendo como um de seus principais pontos de defesa a chamada salvação pela graça mediante a fé em Deus.
Tal situação trouxe uma nova reflexão para dentro do Cristianismo. No entanto, com o passar do tempo, tornou-se notável que, mesmo entre os seguidores da Reforma, ainda permaneciam aspectos não compreendidos. Assim, práticas horrendas voltaram a ser cometidas, inclusive o assassinato daqueles que eram chamados de hereges. Nesse ponto da história, surge novamente a necessidade de uma nova reforma, capaz de explicar aos cristãos o que, de fato, significa a salvação pela graça mediante a fé. Digo tudo isso apesar de não ser um cristão católico nem evangélico, mas sim um cristão cabalista.
Uma nova reforma significa explicar às pessoas que a fé nasce no solo do amor, e que este se constitui como um estado integrado da alma, no qual o indivíduo domina o mal a partir de um profundo olhar interior. Se antigamente as pessoas acreditavam que a salvação seria alcançada por meio de práticas externas, hoje muitos acreditam que não precisam realizar nenhuma transformação interior para serem salvos. Ambas as visões estão equivocadas, haja vista que a salvação pela graça nos ensina que somos salvos sem precisarmos realizar obras externas, mas também nos mostra que, sem dominar o mal interiormente, será impossível alcançar a salvação.
A graça se revela a todo momento na história humana. Caim, por exemplo, foi advertido três vezes sobre a necessidade de dominar o mal, o que evidencia que a graça esteve manifestada o tempo inteiro, ainda que ele não tenha sido salvo. Mesmo quando comete um homicídio, a graça se revela no fato de Deus não destruí-lo; contudo, isso não significa que a salvação estivesse nele. A graça continuará se revelando por meio da vinda de Jesus, advertindo outros semelhantes a Caim de que é necessário dominar o mal interiormente. Ainda assim, muitos não compreendem essa mensagem e acabam por matá-lo.
Existe algo que pode ser chamado de graça transformadora, mas ela só pode existir a partir do momento em que o ser humano domina o mal interiormente. Dessa forma, Deus pode guiar esse indivíduo para que ele seja conduzido a uma contínua transformação interior. Precisamos estar atentos, porque somente somos transformados por essa graça quando nos abrimos para dominar o mal interiormente, por meio de um profundo olhar da alma sobre si mesma.
AQUILO QUE NOS HUMANIZA!
Quando olhamos para a história humana, percebemos que a falta de compreensão sobre a necessidade de dominar o mal a partir de um olhar interior profundo da alma acabou custando um preço alto para a humanidade. Ao se esconderem atrás de religiões, homens perpetraram terríveis assassinatos, como o genocídio de mais de 7 milhões de judeus em campos de concentração, assim como o próprio assassinato de Jesus Cristo.
Independentemente da religião que seguimos, devemos ter em mente que existe uma orientação do Criador para que possamos compreender e orientar o mal a partir de um olhar profundo para nossas almas. Toda a mensagem de Jesus dialoga com a mesma orientação dada desde o início do mundo: a necessidade de dominar o mal interior.
Se desejamos construir uma nação mais justa, com menos violência, precisamos nos unir para que, ao dominarmos o mal — ou a desintegração interior — possamos desenvolver uma relação melhor com o nosso próximo.
Toda a nossa vida é permeada pela relação com o outro. Nesse sentido, tudo o que fazemos em sociedade — no trabalho, na família e em nossos vínculos cotidianos — passa pela forma como nos relacionamos. Somente conseguimos manter uma boa relação com o outro quando temos uma boa relação conosco mesmos e com tudo aquilo que habita dentro de nós.
Mais do que questões financeiras e materiais, a verdadeira prosperidade passa pela relação com o outro, quando contribuímos efetivamente para a construção de uma sociedade melhor e nos comprometemos a fazer deste lugar aquilo para o qual ele de fato foi criado: um espaço de paz e de compartilhamento da luz do Criador.
Nesse sentido, quando nos dedicamos a dar o nosso melhor em nosso trabalho, a tratar bem nossa família e nossos filhos, podemos, de fato, espelhar a divindade que habita em cada um de nós.
Quando observamos a carta de Paulo aos Coríntios, percebemos que aquele homem havia compreendido que o amor é, de fato, a essência da vida, e que, sem ele, tudo se torna vão. Sua história nos mostra que aquele que antes era um grande religioso, mas sem amor, agora se torna um convertido, porque, ao dominar a desintegração interior, pode reencontrar-se com a sua essência divina.
Muitos de nós teremos dificuldades em saber, de fato, o que é o amor, porque não o recebemos ao chegar a esta existência, razão pela qual carregamos uma noção equivocada dele ao longo da vida. Mas o amor é algo que nasce a partir de um estado integrado da alma. Nesse sentido, isso nos permite conhecer verdadeiramente as profundezas da espiritualidade e atingir um grau de consciência que nos conduz a um estado em que nos tornamos cada vez mais humildes, misericordiosos e perdoadores. Uma elevação da espiritualidade verdadeira não nos leva a um patamar de “saber o que o outro não sabe”, mas de ser aquilo que de fato somos, reconhecendo que não sabemos tudo, porque somos limitados. Nesse sentido, passamos a ter a capacidade de servir e de descer, porque estamos conectados conosco e com o divino.
Quantas vezes, pela falta de amor, nos tornamos implacáveis e sem misericórdia. No entanto, o amor nos conduz ao equilíbrio entre justiça e misericórdia. Enquanto resistimos a adentrar na dimensão do amor, somos levados pela vida a uma escola que nos trará fatos e situações desconfortáveis para que possamos perceber o que realmente importa e, com isso, desenvolver a capacidade de discernir entre o essencial e o superficial. Esse processo é como um refinamento, em que o fogo que queima retira as impurezas para que a alma brilhe.
Ao nos reencontrarmos com o Criador, podemos reconhecer que somos uma unidade e que o outro também faz parte da nossa família. Assim, somos chamados à responsabilidade pela construção da nossa história e de uma nova relação com Deus, conosco e com o próximo. Ao nos permitirmos viver o amor humano, podemos nos reencontrar e reconstruir uma nova história fundamentada no amor divino.
Nem sempre o que parece bom é bom e nem sempre o que parece mal é mal. As vezes o que parece mal no final é o bom!
Quando observamos a prudência como uma análise crítica do inconsciente humano e da relação estabelecida com o outro, percebemos uma íntima ligação dela como um elemento regulador que, de certa forma, regula a dor. A prudência pode ser considerada uma virtude prática.
A prudência, nesse sentido, apresenta uma faceta de introspecção, na qual o indivíduo, ao olhar para as profundezas de si mesmo, percebe como sua posição em relação ao problema é determinante para o estabelecimento da dor. Nesse sentido, sua análise começa quando ele se implica na sua dor, deixando de ser mero agente passivo e tornando-se protagonista na construção de uma nova realidade psíquica.
No caminho da prudência, o indivíduo busca novos conhecimentos que lhe trarão uma nova perspectiva de vida sob outro ângulo. Esse conhecimento sobre o que é humano lhe permitirá atuar de maneira mais eficaz consigo mesmo, retirando a ignorância que o impede de entender sua complexidade como um ser espiritual.
Dessa forma, ao trazer para o consciente o seu inconsciente, ele se torna capaz de mudar sua posição frente ao problema. E, ao fazer isso, encontra a função reguladora que ameniza a dor por meio da prudência. Ao agir assim, muda sua concepção sobre o outro, pois também mudou sua concepção de si mesmo. Nesse novo caminho, já não é refém de emoções provocadas por situações externas, mas consegue nutrir boas emoções internamente, mantendo-se em equilíbrio e resgatando a noção de humanidade.
Afinal de contas, o amor é prudente!
No passo que vai e vem,
carrega-se a vontade — viva, inquieta.
Que passos são esses,
que a areia reteve como lembrança?
São vestígios de quem busca o sentido,
de quem caminha sem saber,
mas deixa, mesmo assim,
marcas fundas no tempo.
Pegadas que narram silêncios,
segredos que o vento não levou.
São mapas ocultos no chão,
histórias que sussurram nas entrelinhas.
Memórias ancoradas num instante,
revivem quando o tempo nos alcança.
O tempo — esse não apaga tudo.
Há passos que nos guiam de volta,
e neles, talvez,
o nosso destino esteja escrito.
Quem lidera a si mesmo, pode ter Deus como líder. Quem não age, coloca a culpa em Deus. Escravo não tem líder, só mentes livres o tem. A liderança de si produz determinação e resiliência!
"A gratidão só existe em corações que foram lapidados pelo amor. Quando amamos, podemos sentir gratidão, mas não esperamos a gratidão do outro. Neste caminho, desejamos o amor do outro, mas não precisamos dele, porque nos amamos e somos gratos em qualquer circunstância. Será feliz e terá uma jornada longa na Terra aquele que se ama, que aprendeu a viver de uma forma que o torna feliz, que não depende de realizações para sentir efêmeros prazeres que não suprem o desejo da alma humana. O único caminho para o amor está dentro de cada ser humano; a felicidade se constrói a todo instante, a cada segundo. Ela é o segredo contido na prática, e não no conhecimento."
Entendendo a lição do célebre entendimento de Heráclito a respeito dos 100 soldados na guerra, é correta a noção para a vida de que o fraco ou falso combatente não dá valor ao guerreiro. O que não milita de verdade, não dá valor ao que milita. O guerreiro luta pela sua pátria, mantendo o seu propósito, independente do resultado e do reconhecimento.
O Salmo 23 nos diz que há unção que é derramada sobre a cabeça da ovelha, representa a restauração da autoridade espiritual, através do Espírito Santo em um verdadeiro avivamento. Demonstra uma provisão espiritual, capaz de satisfazer o desejo por uma espiritualidade que faz transbordar o cálice: restauração e restituição!
