Coleção pessoal de Jorgeanesquivel

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⁠Cores de um Amor Transbordante

Em terra caída, cai de amores. Feito tela pintada à mão, em tons de azul e rosa, o amor transbordou através dos meus olhos e fez de cais meu coração.

Cada toque da vida, cada nuance do sentimento, pinta no meu peito uma obra única. O amor não se limita a um único traço, ele se espalha, se funde, se torna infinito como a combinação perfeita entre as cores do céu e da terra.

Nas cores que o amor me oferece, vejo a beleza de um coração que se entrega sem medo, que se permite fluir como tinta sobre uma tela que nunca foi tão viva. O que é o amor, senão um retrato de quem somos, pintado com os tons que mais ressoam na alma?

Cada movimento do coração é uma pincelada que a vida faz, e em cada cor, vejo o quanto posso me perder para depois me encontrar.

⁠Cansada de tudo!

A dor e o sofrimento se confundem com poesia.

Mas há uma insistência em dizer: você está tão linda!
E se, pelo avesso, eu estivesse agora?
Quanto de beleza ainda sobraria em mim?

Quem consegue enxergar bondade em mim?
E se arrancassem meu coração do peito?
Certamente, a dor seria interrompida... mas, junto com ela, as coisas boas também deixariam de existir.
Será que, ao menos, eu seria lembrada com carinho?

Dizem que enxergamos o mundo como somos por dentro, que nosso olhar reflete nossa luz.

Já olhou através do meu olhar?
Quanto de beleza e bondade eu transmito no meu silêncio?
Ou preferem me ver com os olhos deles?

Mundo insano...
Deixamos as pessoas partirem para, só então, enxergá-las e desvendar suas almas.

⁠Entre Marcas e Promessas

A história um dia será contada, pois ela já está escrita no livro da vida. Aqui, chega o fim dessa página, que compõe um longo e extraordinário capítulo da minha jornada.

Sobre este momento, ainda me faltam palavras para expressar tudo o que vivi. Sei que não é hora de me pronunciar, porque entendo que tudo tem um propósito. Deus tem grandes planos para o meu falar, num futuro não muito distante.

Aqui está o retrato de alguém em desconstrução, implodindo por dentro, literalmente, e vivendo a exaltação da glória de Deus, diante dos olhos de todos, como promessa.

Chegar a uma nova versão de si mesma não é fácil. É um processo lento, doloroso e transformador, que deixará marcas irreparáveis. Mas essas marcas forjarão um novo caráter, preparando-me para o próximo capítulo da vida — uma nova história.

⁠
Limites Essenciais: A Jornada do Auto-respeito

A vida me ensinou que havia limites para tudo e que eu não podia ultrapassá-los.
Assim segui, extremamente cautelosa e obediente.

Mas nunca me disseram que meus próprios limites também precisavam ser respeitados.
Que dizer “não” ao outro seria, na verdade, honrar o limite mais importante de todos: o meu.
Que meu limite de tolerância precisava existir.
E que ser permissiva demais seria permitir que me invadissem constantemente.

Desrespeitar meus limites me custou um acúmulo de exaustão emocional, ressentimento e ansiedade,
além de uma perda gradual da minha identidade.
Ao ignorar minhas próprias necessidades, acabei me diluindo e perdendo o equilíbrio que tanto precisava para cuidar de mim.

Aprendi tarde, mas aprendi: meu limite não é um convite para ser testado.

⁠O Peso da Presença: Quando o Medo de Ser Incômoda Nos Faz Ausência

Ao meu medo de ser incômoda, atribuo meus afastamentos e ausências.
Já fui aquela pessoa extremamente presente, que ao menor sinal estava lá, de prontidão.
Ainda sou, mas hoje me blindo de informações — uma pausa do mundo para não exceder meus limites,
os quais já foram exaustivamente ultrapassados.

Se for realmente urgente, coloco minhas dores no bolso, me faço forte e estarei lá, presente.
Mas o receio de ser incômoda, de parecer forçar algo, inclusive a presença,
me faz recuar de imediato.
Ainda que meu desejo seja permanecer, escolho me afastar, recolher-me, curar-me.

De alguma maneira, encontro força na solidão escolhida,
para não me tornar um peso na vida de quem amo.

E assim, me torno ausência antes que me tornem excesso.

⁠Prefiro ser ausência que sufoca do que presença que pesa.

⁠Infinitos em Mim

Fecho os olhos e sinto,
dentro de mim, infinitos.
Há uma canção não cantada,
um soneto nunca escrito,
versos que se constroem no silêncio,
frases soltas que bailam no vento.

Uma coreografia à espera da melodia,
uma dança que aguarda nossos passos.

Nem tudo o que carrego em mim me pertence,
não posso guardar—preciso encontrar destinos.
Em mim, carrego também muitas faltas,
daquilo que precisa urgentemente me achar.

Não há possibilidade de ser feliz sem me permitir,
sem me deixar ser—em mim, me encontro.

Respiro fundo, tão fundo,
que me perco na imensidão.
Não compreendo—sou tão pequena, mortal.
Como não transbordar?
Quantos infinitos cabem em mim?

Lembro-me: não sou deste mundo,
apenas passo,
uma estação, um instante.
Mas tenho urgências—
meu tempo escorre entre os dedos,
e cada instante é um reflexo de mim.

E no vazio, cheia de infinitos, sou.
Buscando me permitir ser.

Conexão além de Mim

Há algo que me chama,
não é o eco de meus próprios passos,
mas o suspiro de algo que está distante,
como um farol que pisca no horizonte,
sussurrando meu nome,
não em palavras, mas em silêncio.

Carrego, talvez, o peso de um abraço
que ainda não sei dar.
E no meu peito, um campo vasto,
um vazio que pulsa, não como falta,
mas como uma promessa que ainda não se cumpriu.

Eu me entrego ao que não vejo,
à dança que não sei se já começamos,
mas sinto os seus ritmos chegando
como uma maré que inevitavelmente alcança
a terra seca da minha alma.

E no infinito do que sou,
surgem novas camadas,
como ecos que se multiplicam,
onde cada um é um mundo,
onde cada um é um ponto de partida
para algo mais vasto.

Em cada respiração, encontro um fragmento,
um universo que se expande dentro de mim,
tão grande quanto o que está por vir,
tão pequeno quanto o que já me pertence.

Há infinitos em tudo que toco,
em tudo que olho, em tudo que sinto.
E talvez, seja isso:
o movimento incessante de encontrar e ser encontrada
no eco de todos os universos que criamos juntos.

⁠
Orações Escritas
O Peso de Compreender – Entre a Razão e a Entrega

Ah, Senhor, sempre fui essa mínima que busca ter entendimento.
Que tento fazer uso da compreensão, que tenta se colocar no lugar de todos, mesmo quando falham comigo e me machucam.
Recolho-me em minha dor. Claro, sou humana, tenho o desejo de esbravejar, mas me calo e vou analisar, porque me pergunto: por que isso? Então saio de mim e me coloco no lugar do outro, tentando entender seus motivos e razões.
Assim, de uma perspectiva diferente, fazendo aquilo que o outro não se deu o trabalho de fazer, tentando justificar o outro para mim mesma.

Mas o que me justifica? Quem se coloca no meu lugar? Às vezes, quase sempre, me pergunto se estou fazendo o certo, o justo.
Mas como equilibrar, se muitas vezes falamos e agimos de maneira contraditória, querendo acertar? Se não falhamos com o outro, falhamos conosco.

Eu não tive tempo para errar, Deus, para aprender com os erros, constantemente cobrada, observada e manipulada a ser como sou.
Porque o direcionamento, na maioria das vezes, é isso: você segue caminhos, escolhas e toma decisões que nem sempre foram sua vontade.
Alguém plantou uma semente de medo, um desejo e até limites.

"E no fim, me pergunto: quem me justifica, quem me acolhe, quem me vê? Que ao menos Tu, Senhor, enxergues o que há em mim."

⁠Orações Escritas

Um Clamor de Filha – Encontro com o Divino

Ah, Deus, queria um encontro contigo, e ser digna dele.

Poder estar em Sua presença, mesmo em silêncio, poder olhar para Ti e ter a certeza de que estaria sendo compreendida em totalidade.

Não, eu não falo no sentido de "passar pano" para minhas falhas, digo no sentido de ser o único que pode dizer: "Eu sei quem tu és e como se sentes."

Eu Te conheço e Te entendo, mesmo que só pela troca de olhares. Queria estar face a face contigo.

Queria desfrutar daquilo que não tive: o cuidado de um pai.

É muita ousadia, sendo eu pequenina, imperfeita e mortal?

Eu sei, muita audácia minha, pedir ao grande Rei, Senhor dos senhores, e soberano, majestoso Deus, o grande "Eu Sou", o El Shaddai, Javé.

Mas me coloco no lugar de filha que sou, e que filha não precisa do colo e abraço do seu pai?

Qual filho não corre para o pai quando machucado e com medo?

Qual filho não deseja a segurança da presença e da proteção de seu pai?

Eu Te quero aqui, pertinho de mim, mesmo em silêncio.

Não, eu não ouso Te pedir nada, imagino quantos pedidos Tenhas que atender.

Eu agradeço por tudo, não sou merecedora de nada e, ainda assim, sei que cuidas de mim, mesmo que eu não compreenda essa tal de provação ou preparação.

Mesmo na dor, eu Te agradeço, mesmo sem conseguir louvar em Teu nome.

Fica aqui, meu Pai, não solta minha mão.

⁠Para Quem Ousa Sentir

Eu sei que não sou para todo mundo. Nem todo lugar me merece, porque não sei estar sem presença, e nem todo sentimento merece minha atenção. Nem toda conexão vale o meu investimento, porque não entro pela metade.

Sou para aqueles que sabem reconhecer boas e raras companhias, para quem valoriza vínculos verdadeiros e sentimentos profundos. Fui feita para a leveza, para a paz, para a sensação de estar em casa—porque eu me faço lar.

Fui feita para quem tem coragem de sentir e demonstrar, para aqueles que ousam colocar o coração em mim, porque eu também o deixo ali. Minha companhia não é para preencher vazios, mas para tornar o caminho mais bonito, mais intenso, mais verdadeiro.

Que tudo o que combina com isso me encontre.

⁠Nos Detalhes

Nos detalhes é onde as pessoas me ganham, e é nos detalhes que também me perdem. Não dá para exigir o que deveria ser simples, como reciprocidade, respeito e um tratamento básico. Forçar algo que desgasta não faz sentido, nem se prender a alguém que só traz peso e distância. Quando as relações nos machucam, é preciso parar de culpar o outro pelo que aceitamos delas. Elas sempre mostram, nos pequenos sinais, aquilo que, um dia, vai tirar nossa paz. Mas, muitas vezes, fechamos os olhos acreditando que o amor é capaz de sustentar tudo, que as pessoas vão mudar.

Não podemos exigir respeito, carinho ou atenção. O que realmente importa é saber o que sacia nossa alma e não negociar isso por menos do que merecemos. Precisamos manter ao nosso lado pessoas que nos tragam paz e prazer, sem precisar de lembretes para lembrar o que é essencial.

⁠Moça: Inteira em Tudo que Sente

Moça que não sabe ser metade, que não aceita meio-termo.
Que ama com força, mas sem se perder.
Que insiste até ter certeza, mas parte sem olhar para trás quando entende que já não há caminho.
Que não se prende onde o coração não responde, nem aceita um amor que não consegue devolver.
Que retribui na mesma medida—se recebe tudo, entrega tudo; se sente pouco, recolhe-se sem desafeto.

Moça de alma grande, que não quer ser segurada, quer ser escolhida.

⁠O Peso do Esquecimento

Dói. Dói ver as promessas se desfazendo no ar, como se nunca tivessem sido ditas. Dói perceber que o olhar que antes brilhava ao me encontrar agora desliza por mim sem se deter. Como se eu tivesse deixado de ser alguém e me tornado apenas um detalhe no fundo da cena.

Dói a fuga silenciosa de quem não quer mais ouvir, de quem se esconde atrás da indiferença como quem diz, sem palavras, que o amor acabou. Porque se ainda existisse amor, se ainda existisse um mínimo de cuidado, não haveria esse machucar consciente, essa escolha fria de ignorar o que fere.

O que mais pesa não é a ausência, mas a lembrança do que já foi. Porque eu fui transparente. Desnudei minha alma, mostrei minhas cicatrizes, confiei o mapa das minhas dores e ensinei como não me ferir. Você ouviu, aprendeu, cuidou. E agora, usa tudo isso contra mim.

Como alguém que um dia foi tão gentil se torna esse estranho indiferente? Como a mão que um dia segurou a minha com tanto carinho agora apenas solta, sem sequer hesitar?

O amor foi abrigo, foi promessa, foi cuidado. Hoje é ausência, frieza, silêncio. E nesse vácuo, só restam saudades e dúvidas ocupando um espaço que antes era cheio de nós.

Será que, um dia, você vai lembrar? Será que vai sentir falta daquilo que deixou para trás?

Ou sou eu quem precisa aceitar que, para alguns, o amor nunca foi casa, apenas passagem?

⁠A Dor do Esquecimento

Lembro-me das conversas longas, daquelas em que o tempo não existia, onde as palavras fluíam como se cada uma fosse uma promessa, uma descoberta. O brilho no olhar, o interesse genuíno, como se cada frase minha fosse uma novidade que valia a pena ser ouvida. Havia uma admiração que preenchia o espaço, onde as horas se tornavam invisíveis e a presença se tornava tudo.

Era uma troca constante, um cuidado silencioso, onde a preocupação com o outro se via em gestos pequenos, mas imensos. Como foi seu dia? Como posso ser o seu colo quando o mundo se torna pesado? O outro se tornava parte de nós, um reflexo de amor e carinho que parecia eterno.

Mas então, algo foi se perdendo. O olhar já não brilha da mesma forma. As conversas se tornam vazias, as palavras se dissipam no ar, como se já não houvesse mais interesse, nem admiração. O que antes era constante, tornou-se silêncio. E o amor, que deveria ser vivo e pulsante, começa a cair no esquecimento. Será que caímos no abismo do esquecimento de quem realmente nos amou de verdade?

O que acontece quando a presença já não é sentida? Quando a ausência, que antes era apenas uma pausa necessária, se transforma em um vazio sem fim? Será que, ao longo do tempo, a memória do amor se apaga, como as lembranças de um sonho esquecido ao amanhecer?

⁠Entre Inspirações e Desafios: O Que Nos Impede de Nos Apoiar?

Me sinto uma mulher privilegiada por trabalhar ao lado de tantas mulheres brilhantes, talentosas, competentes e profissionais inspiradoras. Elas me motivam com suas vidas, tanto pessoais quanto profissionais, e me mostram, dia após dia, o que significa ser dedicada, forte e comprometida com aquilo que amam. São esposas sábias, mães que equilibram a vida familiar com o trabalho, mulheres que são responsáveis por moldar e educar a nossa sociedade, inclusive no meu município.

Ao longo da minha vida, minhas amizades sempre foram com mulheres que me inspiram: professoras, empreendedoras, lojistas, cabeleireiras, manicures, médicas – mulheres bem-sucedidas e que, com muito esforço, conquistaram seu espaço em um mundo que muitas vezes não facilita a caminhada.

No entanto, vejo uma diferença importante entre essas mulheres. Algumas formam redes de apoio entre si, se tornam amigas, clientes e incentivadoras. Elas não se abandonam, sabem a importância de se fortalecerem juntas e caminham lado a lado em busca de crescimento mútuo. Esse tipo de união é um exemplo claro de como podemos transformar o espaço à nossa volta, tornando-o mais colaborativo e mais inclusivo.

Mas, infelizmente, a realidade é que a maior parte das mulheres não age assim. Em vez de apoiar, muitas se tornam concorrência desleal. Observando ao meu redor, percebo como a competição, os julgamentos e as intrigas acabam tomando conta. Elas não se preocupam em buscar o próprio crescimento, mas em ver a outra fracassar. Falar mal, derrubar e competir de maneira desleal se tornam atitudes recorrentes.

E por que isso acontece? Por que tantas mulheres não se apoiam e, ao invés disso, se colocam como barreiras umas para as outras? O que nos impede de entender que o sucesso de uma não diminui o da outra? Talvez seja o medo, a insegurança, ou talvez o reflexo de uma sociedade que nos ensina a ver a outra como uma ameaça. Mas, no fundo, sabemos que juntas somos muito mais fortes.

Precisamos lembrar que o verdadeiro empoderamento vem da união. Que, ao nos apoiarmos, criamos uma rede que nos fortalece e que nos eleva. Só assim conseguiremos quebrar as barreiras da competição desleal e construir um espaço onde todas possam prosperar.

⁠Reflexões e Questionamentos de Uma Mulher em Busca de Seu Espaço

Às vezes, me pego questionando o que realmente significa ser mulher em um mundo que constantemente exige de nós mais do que somos. Como posso ser eu mesma sem que os outros decidam o que sou ou o que posso ser? Será que sou refém das expectativas alheias ou tenho o poder de ressignificar minha existência?

Quantas vezes me vi diante de uma mulher brilhante e, em vez de celebrar sua conquista, senti o peso da comparação? O que acontece em nós que, ao invés de apoiar, nos sentimos ameaçadas? Onde está a linha entre a inspiração e a inveja? Por que esse ciclo nos enfraquece, quando poderia nos unir?

O olhar crítico, muitas vezes, não vem de fora. Ele nasce dentro de nós, alimentado por uma sociedade que faz da competição entre mulheres algo natural. Somos ensinadas a ver o sucesso de outra como uma ameaça e não como uma oportunidade de crescimento. E, ao nos compararmos, deixamos de enxergar a força que poderia nos conectar.

Mas percebo que toda essa insegurança, essa luta interna, não precisa ser minha prisão. Acredito que posso transformar esses questionamentos em forças, em ferramentas para redefinir minha relação com o mundo. Cada insegurança é um passo em direção à compreensão de quem eu sou e do que sou capaz de alcançar. O autoconhecimento que nasce da dúvida pode se tornar minha maior aliada, me levando a espaços onde a confiança floresce.

Agora, mais do que nunca, sinto que devemos parar de olhar a outra mulher com medo e começar a vê-la com admiração. Precisamos nos unir, trocar forças e entender que não há espaço para competição, mas sim para crescimento conjunto. Quando uma mulher sobe, todas nós subimos. Quando uma mulher se fortalece, todas nós somos mais fortes.

A verdadeira força feminina não reside na comparação, mas na colaboração. Quando começarmos a apoiar umas às outras, em vez de nos sentirmos ameaçadas, criaremos uma rede onde o sucesso de uma é o reflexo da possibilidade de todas.

⁠Força em Rede: O Poder de Se Apoiar

Nos ensinaram que o sucesso de uma mulher é muitas vezes uma competição. Quando uma de nós brilha, a comparação parece ser o reflexo imediato. Somos levadas a nos medir contra outra, a questionar nosso valor quando vemos a prosperidade da outra. Em vez de celebrar a conquista, muitos de nós sentimos o peso da insegurança e, às vezes, da inveja.

Mas por que isso acontece? Por que em vez de sermos uma rede de apoio, muitas vezes nos tornamos obstáculos umas para as outras? A verdade é que fomos condicionadas a ver o sucesso feminino como algo raro, algo que tira o nosso próprio lugar. Mas, se pararmos para refletir, podemos ver que, ao apoiar a outra, ao celebrar as vitórias umas das outras, estamos, na verdade, criando um espaço onde todas podemos prosperar.

Enquanto os homens constroem redes de apoio e se ajudam a alcançar mais, muitas vezes sem a mesma pressão que sentimos, nós, mulheres, precisamos aprender a fazer o mesmo. Precisamos entender que o sucesso de uma não diminui o valor da outra. Que quando uma mulher conquista algo, todas nós conquistamos algo. Quando uma mulher sobe, ela nos lembra de que também podemos chegar lá. O sucesso de uma deve ser visto como a vitória de todas.

Precisamos parar de olhar para as outras com os olhos da comparação e começar a olhar com os olhos da solidariedade. Se uma mulher está crescendo, acredite, o crescimento dela é um reflexo de que o nosso também é possível. Não podemos permitir que o medo da competição nos afaste da verdadeira força que temos quando nos unimos.

Vamos ser a mão amiga que ergue outra mulher. Vamos ser a rede que se apoia, que se protege e que se fortalece em qualquer circunstância. O poder de cada uma de nós é multiplicado quando estamos juntas, e isso é algo que nenhuma sociedade ou comparação pode destruir.

⁠O Valor que Vem de Dentro

A necessidade de validação está enraizada em nós porque, desde cedo, aprendemos que nosso valor é medido pelo olhar do outro. Somos seres sociais, e o reconhecimento externo pode, de fato, reforçar nossa autoestima, nos oferecendo a sensação de pertencimento e aceitação.

No entanto, essa busca pela validação externa pode se transformar em uma prisão quando se torna mais importante do que a nossa própria percepção. Especialmente nós, mulheres, somos ensinadas a nos moldar para agradar, para corresponder às expectativas dos outros – seja na aparência, no comportamento ou nas conquistas.

Precisamos de validação porque fomos condicionadas a acreditar que só existimos plenamente quando somos vistas e aprovadas. No entanto, a verdadeira liberdade surge quando aprendemos a nos validar primeiro, quando percebemos que nosso valor não está no olhar alheio, mas no que construímos e somos por dentro.

⁠O mérito é dela, e o apoio não a diminui

Por que, quando uma mulher é bem-sucedida, insistem em dar o crédito a um homem? Como se ela não fosse capaz de trilhar seu próprio caminho sem que alguém a conduzisse.

Durante séculos, fomos ensinadas que nosso valor estava atrelado a uma figura masculina – ao pai, ao marido, ao chefe. Quando conquistamos algo grande, muitos tentam justificar: “Deve ter alguém por trás”, “Teve sorte”, “Alguém abriu as portas para ela”. Como se esforço, competência e resiliência não bastassem.

Isso não significa que o apoio masculino não tenha valor. Pelo contrário, um homem que respeita e incentiva uma mulher fortalece sua caminhada. O problema está na ideia de que uma mulher só alcança o sucesso porque um homem permitiu, e não porque ela lutou por isso. Um parceiro, um pai, um mentor podem ser aliados importantes – mas o mérito de suas conquistas ainda é dela.

O homem pode ser provedor, pode estar ao lado, pode ser suporte. Isso não anula a força da mulher. E a mulher, ao ser independente, também não invalida o papel do homem. O que precisamos é equilíbrio: reconhecimento sem subestimação, apoio sem apagamento.

Porque, no fim, sucesso não deveria ter gênero – mas sim mérito.