Coleção pessoal de JoniBaltar
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Entre zeros e infinitos,
a poesia é o número
que define a
alma humana.
Há músicas que
navegam em todas
as marés do peito.
Um coração
que rejeita
o outono
não aprende a
amadurecer a dor.
São os acordes do teu sorriso
que fazem o refrão
do meu coração.
- Posso?
- Sim, sim podes.
- Hummm, soube a poesia!!!
Quero ir contigo a um lugar
onde as árvores suspiram
e escrevem nos solos
a caligrafia do outono.
Esta folha de papel
em branco quis
ser poema: tu.
Esta forma cega
de te ver
sem os olhos.
Esta forma cósmica
de sentir fortemente
a tua presença
quando tu não estás.
Há verdades que
só a chuva do outono
sabe descrever.
O idioma de outono
é um dialeto secreto
entre o poeta e a chuva.
Não ando sozinho,
carrego comigo a
humildade, sabedoria
e a proteção dos que
vieram antes.
Quem entende
a profundidade da
caminhada,
não teme o desvio.
O sentido da vida
é ter o coração
preenchido,
e a alma eterniza
os instantes.
Esta casa tem vista
para o agora.
Rasguei a pele,
encontrei um poema.
Quando as
epidermes falam
o mesmo idioma:
outubro ferve verão.
Sonhei contigo:
a realidade salivou.
O cérebro é ponderado,
o coração arrisca— e é nesse desequilíbrio perfeito
que de forma lunática surge a paixão.
O cérebro vaticina caminhos,
o coração inventa asas.
E é a voar sem mapa
que se chega até ao Amor.
Quem ouve a rouquidão
do mar aprende a arte
de ser infinito.