Coleção pessoal de johanajuliamendes_1128659
Encruzilhada
Afrodite fica em dúvida,
entre o lenhador e o rei.
Entre o homem da madeira
e a divindade do vulcão.
Entre o que constrói lentamente
e o que explode quente.
Ela fica contente,
e contida do não saber,
na dúvida da escolha.
Querendo amar os dois,
e sem saber se pode.
Ela se sente humana e não mais Deusa.
E nesse momento,
de tormento e escolha,
fecha a rolha da Ambrósia
e adentra inteira a encruzilhada.
Roga e pede a grande mãe,
sabedoria e pudor.
Mas,
sua alma é de torpor,
furor,
calor,
amor.
Inteiro e verdadeiro.
Pulsante,
sedutor.
Ela quer ir tal qual o vento,
tal qual nuvem,
alada,
fazer ninho em dois corações.
E tornar o lenhador um rei
e o rei,
um lenhador.
Tornar os dois inteiros
e seus,
amantes,
diamantes,
sacerdotes
e machos.
Mas ela ama
e tem medo,
de magoar algum.
Porque sabe,
embora sem entender,
que não pode ser dividida.
E por que não?!
Dividida,
divindade,
de verdade!
Correr em veias de dois corpos ao mesmo tempo,
era só o que ela queria...
Pulsar dois corações!
Duas orações,
que chegam a ela juntas,
no éter,
em duas canções,
lhe pedindo amor
e ela quer dar
e tem para oferecer,
mas,
parece que no mundo real tudo é tão difícil...
Talvez o Deus a dividisse,
mas e o lenhador...?!
E, como essa dúvida gera dor,
ela faz sua mala
e volta para o Olimpo.
Sozinha.
Natasha Treuffar
Poetisa com Z
Para mim,
poetisa é com Z,
não adianta!
Eu sei que poesia vem de poesis,
com S,
mas não dá para explicar.
Para mim é com Z,
que a poetisa se deleita...
Que encanta...
Que vira sacerdotisa...
(que também é com S,
mas para mim é com Z)!
Tá,
nada contra o S,
mas podemos deixar a minha poetisa ser assim?!
Como ela quer?
Ela até acha que poesia devia ser com Z...
Ahhhh!
Ela acha demais,né?!
É que ela é
Natasha...
Natasha Treuffar
