Coleção pessoal de joaquimcesario

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⁠Se está certo Schopenhauer que “viver é sofrer”, sei que estou amadurecendo na vida, quando tenho sofrimentos novos.

⁠Não busque ser feliz. Procure não ser infeliz. É na não infelicidade que a alma encontra a felicidade.

⁠Todo beco sem saída tem saída: o caminho da entrada.

⁠A noite levou de mim o sonho. Quando acordei, estava com uma lacuna na alma, como se tivesse sido roubado.

⁠Se pudesse resgatar meus pais da memória, não deixaria eles saírem de casa

⁠Ser avô é a remissão do pai

⁠AMOR TARDIO

Embora seja noite
agora é tarde
tarde demais para ela voltar

Quando esta madrugada acabar
vou vestir minha melhor roupa
usar o perfume importado
e retornar para aquele bar
que ficava no final do século passado
quem sabe ela ainda esteja lá

⁠Deitado na cama visitei Cairo, Roma, Marraquexe, Budapeste e Paris. Andei pelos quatro cantos do mundo, escalei o Everest, surfei no Havaí, cacei rinocerontes nas savanas africanas, pesquei marlins no alto mar de Havana, separei-me de Audrey Hepburn e me casei com Mariinha, a menina mais bonita da sala de aula.
Quando me levantei da cama o quarto era o mesmo, a casa era a mesma e o mundo era apático, distante, fosco e indiferente. Estava atrasado, havia perdido o metrô das onze, apenas porque passei da hora, inerte no leito quieto, batendo as asas e planando no teto do quarto.

⁠Visto de cima, onde moram os deuses, a Terra é um micróbio. Visto de dentro, eu sou a bactéria da molécula do piolho da pulga do elétron do átomo da menor célula do micróbio, que escapa do olhar do microscópio. Afora isso, considero-me grandioso.

⁠Quando era pequeno,
o mundo era largo, imenso e agigantado.
Agora que dobrei de tamanho,
o mundo continua largo, imenso e agigantado.
O que diminuiu de tamanho
foi o interior da casa de minha avó,
que continua tendo, por fora, a mesma fachada.

⁠Passei décadas buscando ser feliz. Fracassei. Decidi, então, ser calmo, sossegado e tranquilo. Agora que sou calmo, sossegado e tranquilo, sinto-me feliz.
Felicidade não é um fim em si mesmo, mas efeito colateral.

⁠Nascemos nus, mas enroupamos a alma com ideias, crenças e palavras.

⁠Para onde vão os amores findados? Deve haver algum céu em que o suor evaporado dos amantes se transforma em nuvem, que o vento leva no dissipar do horizonte.

⁠DIALETOS HUMANOS

O silêncio murmura,
os gestos dizem,
os olhos exprimem,
as roupas dialogam,
e as mímicas falam.
A ausência nos retratos
dos meus aniversários,
revelam o vácuo objetivo
do subjetivo desvio do teu sumiço.
Não há mudez na Torre de Babel humana.

⁠⁠Parte da minha história hoje é feita das sobras dos rastros das pessoas que por mim passaram.
Se eu fosse uma rua, seria uma rua repleta de buracos.

⁠Se pudesse descortinaria o tempo,
revelando a nudez da infinitude
encoberta por detrás de sua passagem.
No desaparecer das horas e dos relógios,
quando não houver mais calendários,
réveillons, natais e aniversários,
quando os despertadores se calarem
e todas as noites forem imutáveis,
como um único retrato nunca mais fotografado,
nada mais restando que o rio de Heráclito,
estático, imóvel, quieto e congelado,
é lá que encontrarei meus antepassados,
com a mesma fisionomia com que me deixaram

⁠O amarelar das páginas é a memória dos livros

⁠Se soubesse antes que o hoje amanhã seria lembrança, teria aproveitado melhor meus ontens.

⁠Minha esposa diz, de vez em quando, que estou errado.
E eu lhe digo que, de vez em quando, sou humano.

⁠Vivemos duas vezes na vida. Uma no presente, outra na memória.