Coleção pessoal de JaniceRocha
Lembro que o Ara Ketu estava no auge.
Era 1995… o país dançava, as rádios tocavam “Sempre Será”, e, sem que eu soubesse, aquela melodia se tornava a trilha do meu próprio destino.
Cada verso parecia falar de nós, mesmo antes de nós existirmos.
Quando a música dizia “Tenho amor demais pra dar”, era como se meu coração respondesse em silêncio.
E hoje, tantos anos depois, cada vez que ela toca, sinto que o tempo volta pra aquele instante — o primeiro olhar, o arrepio, o pressentimento de um amor que viria pra ficar.
Porque o que nasceu em 1995, entre notas e promessas, ainda pulsa… e sempre será.
O que nasceu do olhar, o que resistiu ao tempo e às tempestades, o que sobreviveu ao “não pode ser”... esse amor foi abençoado por Deus.
Foi Ele quem transformou a loucura em paz, o impulso em certeza, o encontro em eternidade.
Como me calar diante da ingratidão, da incompreensão, do descaso que às vezes fere mais do que palavras duras?
Talvez a melhor decisão seja o silêncio... não aquele que nasce da desistência, mas o que brota da sabedoria.
Há momentos em que o coração clama por explicações, por reconhecimento, por justiça. Queremos ser entendidos, valorizados, acolhidos… e quando isso não acontece, algo em nós se contrai.
A ingratidão é uma das lições mais duras da caminhada. Ela nos obriga a olhar para dentro e entender que amar é correr o risco de não ser amado de volta. Que servir é, às vezes, ser esquecido. Que fazer o certo pode gerar ofensa em quem ainda não compreende o amor sem interesse.
O silêncio não é covardia, é maturidade.
É o descanso de quem confia que Deus vê o que o homem não enxerga, e recompensa o que não foi reconhecido.
Quando a ingratidão bater à porta, cale-se... não por fraqueza, mas por fé. Quando a incompreensão ferir, ore... não para ser entendido, mas para continuar amando. E quando o coração quiser desistir, lembre-se: quem caminha com Deus nunca perde, mesmo quando parece ter sido esquecido.
Quem carrega o coração cheio de cuidado também carrega asas invisíveis, que o próprio Deus sustenta quando as forças se vão.
Nem sempre é preciso fugir para recomeçar; às vezes, o voo começa por dentro, quando a alma entende que é amada e não está só.
A amizade verdadeira é um abrigo. É quando o outro se torna casa e você entra, mesmo nos dias de tempestade, sabendo que ali sempre haverá luz acesa, café quente e um coração disposto a te ouvir.
Quero envelhecer em paz, não por conformismo, mas por gratidão.
Porque se o tempo passa, é porque a vida continua… e Jesus continua comigo, me ensinando a encontrar beleza até no que envelhece.
O tempo não é o ladrão da beleza, é o escultor da alma. Ele tira o que é raso para revelar o que é profundo.Cada ruga tem uma história, cada dor tem um aprendizado, e cada novo amanhecer é uma prova de que ainda há propósitos a cumprir.
Os dias que virão são presentes embrulhados em graça, e cada amanhecer é uma nova chance de recomeçar, de amar, de perdoar, de viver mais leve.
Os anos que já se foram guardaram suas alegrias e dores, levaram consigo pessoas, lugares e versões de mim mesma que já não existem.
Hoje, restam-me os anos que ainda posso florescer e isso me basta.
Às vezes a alma só precisa de um abrigo onde possa chorar sem medo e, ao mesmo tempo, lembrar que o choro também é uma forma de cura.
