Coleção pessoal de jaerciosantana
A morte é braba, ela não liga, não tem dó, nem respeita tempos. Ela devora em qualquer época, esbagaça os preparados e os despreparados. Ela divide tempos: o agora e o depois. Ela forma novos sentimentos, muda cenários. Disciplinados e indisciplinados irão morrer. E, para além de tudo, ela causa medo — e esses medos não vêm sós, vêm com correntes. E você decide usá-las ou não.
Do meu livro: Nem que morra.
Parábola da vaquinha no precipício
Um mestre passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer-lhe uma breve visita. Durante o percurso, ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também, com as pessoas que mal conhecemos.
Chegando ao sítio, constatou a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, os moradores – um casal e três filhos – vestidos com roupas rasgadas e sujas. Então, aproximou-se do senhor e perguntou-lhe:
– Neste lugar, não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como a sua família sobrevive aqui?
O senhor respondeu:
– Nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite. Uma parte do produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por comida e a outra produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo, e assim vamos sobrevivendo. O sábio agradeceu, se despediu e foi embora.
No meio do caminho, voltou ao seu discípulo e ordenou-lhe:
– Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e jogue-a.
O jovem arregalou os olhos e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família; mas, como percebeu o silêncio do seu mestre, cumpriu a ordem: empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.
Anos depois, ele resolveu largar tudo e voltar àquele lugar, pedir perdão e ajudar a família. Quando se aproximou, do local avistou um sítio bonito, com árvores floridas, carro na garagem e crianças brincando no jardim. Ficou desesperado, imaginando que a família tivera de vender o sítio para sobreviver. Chegando lá, foi recebido por um caseiro simpático, a quem perguntou sobre as pessoas que ali moravam.
Ele respondeu:
– Continuam aqui.
Espantado, entrou correndo casa adentro e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha):
– Como o senhor melhorou o lugar e agora está bem?
O senhor, entusiasmado, respondeu: – Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante, tivemos de fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos e, assim, alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora.
Muitas vezes temos que nos desvencilhar do que estamos habituados para podermos conhecer nossas verdadeiras habilidades. Cada dia, é uma oportunidade de refletirmos sobre a “nossa” vaquinha e empurrá-la morro abaixo...
MORAL DA HISTÓRIA
A história da vaquinha no precipício nos ensina que as dificuldades e os desafios podem ser oportunidades para o crescimento. Quando enfrentamos obstáculos, somos forçados a pensar criativamente e a descobrir novas habilidades que podem nos ajudar a superar as dificuldades.
Além disso, a história também nos lembra que devemos ter cuidado com as decisões que tomamos, pois elas podem ter consequências imprevisíveis e duradouras.
Desconexão
Quando nascemos tudo é normal e comum. Costumes, cultura e tradição vão preenchendo nossa forma de ser, de viver e de ver o mundo. A religião ou a falta dela também é passada de pessoas, que já ocupavam o espaço social, para nós, os novos habitantes do espaço. Com o passar do tempo todos os nossos pensamentos são reproduzidos, frutos de fatos sociais existentes na sociedade e que de forma automática começamos a reproduzi-lós. Emoções, fala, educação, comportamentos, espiritualidade, diversão. Tudo isso é massa, é passado, não é o livre arbítrio que tanto é falado, vivemos em uma sociedade conectada e conexão é forma, jeito e controle. Existe a forma de aprender, o jeito de ensinar e o poder de controlar. "Eu quero que você aprenda que esforço é menos importante que talento." "Eu quero que o povo de determinada região sejam considerados inferiores, pois assim controlaremos o espaço de trabalho que essa população deve ocupar." Tudo isso é bastante estranho, pois você, e eu, estamos automatizados por uma sociedade que força modelos de pensamentos. Conta uma história que uma jovem mãe adorava cozinhar bolo de macaxeira, mas diferente de cozinhar em uma assadeira convencional ela usava uma de torta. Certo dia a filha que adorava o bolo da mãe questionou porque a mãe fazia em uma fôrma diferente, a mãe respondeu: " Ah não sei minha filha, foi a sua avó que me ensinou assim, você deve perguntar a ela." Ela sendo uma jovem inteligente e curiosa foi questionar a avó e mais uma vez: "vó por que a senhora ensinou minha mãe fazer bolo em uma fôrma de torta?" Ela responde: "Ah minha neta, foi a sua bisavó que me ensinou assim, aproveite que ela tá acordada e pergunte a ela. A jovem garota correu até o quarto e repetiu a pergunta e a bisavó respondeu com a voz cansada e trêmula: "ah minha neta, no meu tempo eu vivia em uma situação muito difícil, na época que eu ensinei a sua avó ela estava prestes a se casar e uma tradição era a noiva saber cozinhar, no dia que eu fui ensinar a ela fazer bolo eu não tinha a forma certa, daí utilizei a de torta, o tempo passou, nem sua mãe, nem sua avó questionaram e eu resolvi deixar por isso mesmo, mas agora você já pode fazer bolo na fôrma certa." Esta pequena história mostra como nossos hábitos são uma reprodução de uma geração passada e quando não há questionamento estamos falidos a ser e a viver de uma forma que talvez não seja a melhor. Mas o que quero realmente dizer com essa mensagem é que podemos mudar nossos hábitos, nossa realidade, mudando nossa forma de pensar, conhecendo novos livros, aprendendo uma nova língua, forçando uma desconexão do mundo material e se concentrando em uma nova conexão, a conexão com a única parte do universo que podemos transformar, nós mesmo. Steven Jobs tem uma frase que diz: "Tudo a nossa volta volta foi criado por pessoas talvez tão inteligentes quanto nós." Todos os seres humanos são humanos, o que nos diferencia é o espaço que estamos inserido este mesmo passa crenças muitas vezes limitantes e devemos seriamente repensar, meditar sobre pensamentos ruins, degradantes, mesquinhos e limitantes. Hoje eu te entrego um dom, o dom da iniciativa, para que com ela você consiga ser o próximo transformador da realidade, não só sua, mas do maior número de pessoas possíveis.
