Coleção pessoal de ivo_pereira

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Lembrei de ti


Lembrei de ti sem aviso,
como quem abre uma ferida antiga
e encontra nela ainda quente
o nome que nunca foi meu.


Te amei em silêncio, amor não devolvido,
fiz do olhar um abrigo e do sonho um lar.
Enquanto teu coração seguia outro rumo,
o meu ficava, esperando qualquer sinal.


Guardei teus gestos como quem guarda cartas
que nunca serão enviadas.
Sorri por fora, sangrei por dentro,
aprendi a te amar sem existir em ti.


Hoje lembro de ti sem pedir nada,
apenas com a saudade mansa de quem aceitou.
Amor não correspondido também é amor —
só dói mais, porque fica.

O tempo é vento traiçoeiro.



Eu te encontrei quando o mundo falava baixo,
quando meus dias cabiam em silêncio e rotina.
Teu nome surgiu como quem não pede licença,
e o coração, distraído, abriu a porta sem defesa.


Tuas mãos não prometeram eternidade,
mas ensinaram o agora a respirar melhor.
Nos teus olhos aprendi que o amor não grita:
ele fica, mesmo quando o medo chama mais alto.


Pintei futuros no contorno do teu riso,
mesmo sabendo que o tempo é vento traiçoeiro.
Ainda assim, escolhi te amar inteiro,
porque metade de amor também é solidão.


Se um dia fores ausência, não te culpo:
há encontros que existem só para salvar.
Ficas em mim como luz depois do pôr do sol —
não ilumina o caminho, mas prova que valeu brilhar.

Se for pra falar, fala com o coração.
Se for pra ficar, fica inteiro.
Porque o amor não sobrevive
onde o silêncio vira muro.

Aprendendo a sofrer em paz


Ela sorri

— e o mundo dela cabe em outro olhar, enquanto o meu desaba em silêncio.
Ela habita um mundo onde eu não existo, eem mim restam lembranças e um precipício.


O tempo parece zombar de mim,
Transformando sonho em algo sem fim.
O que era abrigo virou despedida,
E eu sigo distante, preso à antiga vida.


O amor que era refúgio virou dor,
Espelho quebrado do que restou do amor.
Ela segue sorrindo,
sem olhar para trás, eeu fico aqui…
aprendendo a sofrer em paz.

Eu sigo vivendo


Todo mundo diz que já passou,
Que esse amor não era pra ser.
Mas eu ainda acordo pensando em você,
Tentando entender onde foi que eu errei.


Me pedem pra superar, mas não sabem como dói,
Tem ferida aberta que o tempo não fecha.
Eu sigo vivendo, mas você ainda é nós,
Superar você tá mais difícil do que parece.


Não foi falta de vontade, nem falta de tentar,
Foi excesso de sentimento sem lugar pra ficar.
Ficou saudade demais pra pouco final,
E um amor inteiro sem poder amar.


Me pedem pra superar, mas meu peito não vai,
Tem lembrança que insiste em ficar.
Eu tô indo, eu sei…
mas dói demais,
Porque superar você não é só deixar passar.

Beijo que Não Devia


Havia silêncio entre nós,
Mas de repente, algo escapou.
Um beijo roubado, inesperado,
Que não queria acontecer…
e aconteceu.


Teu gosto ficou marcado,
Mesmo sabendo que era errado,
Mesmo sabendo que era impossível,
Ainda assim, não pude resistir.


No instante em que nos tocamos,
O mundo inteiro desapareceu.
Só restou o que sentimos,
Só restou nós,
mesmo que proibidos.


Não sei se foi loucura ou desejo,
Mas sei que cada vez que
penso em ti,
obeijo vem de volta,
inteiro e urgente,
como se pedisse pra
nunca ser esquecido.

Te vejo em cada canto,
mesmo você estando em outro ambiente.
Me confundo: é real ou alucinação da minha mente?


Fecho meus olhos,
vejo os teus olhos brilhando.
Ouço a tua voz,
sinto-me ao teu tocar.


Teu perfume flutua no ar,
teu riso ecoa entre minhas lembranças.
E mesmo que não estejas aqui,
cada instante contigo parece viver em mim.

Resta o vázio



Como decifrar a ferida do coração?
Ainda sangram quando olho suas fotos, quando você sorri para outro e não para mim.


Como decifrar a ferida do coração?
Quando a ferida ainda não cicatrizou,
Desde que você partiu
E nunca mais voltou.


E mesmo que o tempo tente apagar,
O eco do seu riso ainda me persegue, como um fantasma que não sabe partir, ea ferida…
ela sussurra seu nome em silêncio.


E no fim, só resta o vazio
que você deixou.

Estações


Te amei no verão dos teus risos soltos, quando o sol morava nos teus olhos e cada toque era incêndio manso que não pedia pressa, só presença.


No outono, te amei em silêncio,
entre folhas caindo dentro de mim.
Aprendi que o amor também amadurece, fica mais denso, mais verdade, mesmo quando o
vento leva o que sobra.


No inverno, confesso, doeu.
Teu nome virou neblina,
teu abraço, lembrança fria.
Mas foi ali que entendi
que amor não morre
— resiste.


E quando a primavera voltou,
voltaste diferente, ou talvez eu.
Flores nasceram onde antes era ausência, e percebi:


amar você é aceitar as estações,
porque até a saudade
faz parte do ciclo do coração.

A oração do casal


De mãos dadas, o silêncio fala,
quando o mundo pesa e a fé se cala.
Nossos olhos se encontram no mesmo céu, e a prece nasce simples, eu e você, e Deus.


Que o amor seja abrigo nos dias de vento, e paciência, quando faltar o tempo.
Que o perdão aprenda a chegar primeiro, e o orgulho descanse no travesseiro.


Abençoa nossos passos, mesmo em desacordo, que a verdade seja ponte, não um corte.
Que a alegria more nas pequenas coisas, no café partilhado, nas risadas soltas.


Guarda-nos na noite, fortalece a manhã, faz do hoje um “sempre” que se refaz.
E se a dor bater à porta sem avisar,
que a esperança saiba nos levantar.


Assim, em coro, pedimos sem pressa:
menos medo, mais ternura e promessa.
Que o amor seja nossa oração diária— amém no beijo, amém na caminhada.

Eu sou como um livro


Eu sou como um livro esquecido na estante do tempo, com páginas amareladas pelo que senti demais.
Nem todos leem a capa, poucos chegam ao índice, mas cada palavra minha carrega um silêncio que só o coração atento consegue decifrar.


Há capítulos escritos à lápis, cheios de dúvidas, outros gravados à tinta forte da paixão.
Entre linhas tortas, guardei nomes, promessas, e um amor que virou poesia quando não coube mais no peito.


Algumas páginas estão rasgadas pela ausência, marcadas por lágrimas que borraram o sentido.
Mas até os erros têm sua narrativa,
pois é no conflito que a história respira e aprende a continuar.


Nem todo parágrafo é alegria,
há noites inteiras escritas em prosa escura.
Ainda assim, sigo aberto, página por página, porque quem ama de verdade não pula os trechos difíceis.


E se um dia alguém me ler até o fim,
vai entender que não sou só palavras.
Sou memória, sou estrada, sou entrega.
Um livro que não termina na última página, mas recomeça em cada amor que ousa me ler.

“Deus nos convida a soltar o peso do ontem para enxergar a esperança do novo que Ele já está fazendo nascer hoje.


Quando Deus diz para não viver do passado, Ele não apaga a história — Ele prepara o coração para reconhecer o novo que já começou.”

Nós imperfeitos, encontro perfeito


Não cheguei inteiro, confesso,
trouxe rachaduras antigas no peito,
silêncios que aprenderam a gritar sozinhos e um coração que já apanhou tentando amar.
Você também não veio ilesa, mas quando nossos cacos se tocaram,
não cortaram — se reconheceram.


Foi no tropeço que o destino sorriu,
porque não foi perfeição que nos uniu, foi a coragem de permanecer mesmo frágeis.
Entre erros, aprendemos o ritmo do outro, e no desalinho dos dias descobrimos que o encaixe mora
justamente onde falta um pedaço.


Te amar não apagou meus abismos,
mas me ensinou a atravessá-los com luz.
Te amar não curou tudo,
mas deu sentido às dores que ficaram.
Porque quando você fica,
até o caos aprende a descansar
e o medo perde a voz.


Talvez amar seja isso:
não gostar apenas do que é bonito,
mas escolher o que é real, todos os dias, mesmo quando dói.
Dizem que nem tudo que gosta é amor, não acha?

O ano não muda quando o relógio vira, ele muda quando o coração decide.
Decide parar de carregar culpas que já ensinaram, e começa a carregar coragem pra continuar.


O que doeu não foi em vão.
Cada queda afinou a alma,
cada silêncio ensinou a escutar a si mesmo.
A vida não poupou…
mas também não desistiu de você.


Que no novo ano você seja menos duro consigo
e mais fiel aos seus sonhos.
Que aprenda a ir sem culpa,
a ficar sem medo,
e a amar sem se perder.


Não prometa ser perfeito.
Prometa ser verdadeiro.
Porque quem é verdadeiro cai, levanta, chora, recomeça —
e ainda assim segue inteiro.


Que o novo ano não seja mais fácil,
mas que você seja mais forte,
mais consciente,
e em paz com quem você está se tornando.

Vejo o céu quando
teus olhos me encontram,
negro e brilhante como ônix à noite,
profundo demais pra medir,
seguro demais pra eu cair.


Teu silêncio fala comigo,
teu toque acalma o caos que trago,
e mesmo na escuridão mais densa
teu amor reluz
— raro, intacto.


És pedra e constelação,
força que guarda,
Luz que conduz.
Se o mundo apaga
as estrelas, em você…
eu ainda vejo o céu. ✨

A vida não avisa,
ela vem de punho fechado,
não pede licença,
não mede o estrago.


Ela bate até faltar ar,
espanca sonhos no chão,
te ensina na marra
o peso da própria mão.


Ou você se ergue sangrando,
com a dor virando chão firme,
ou aprende a revidar
sem perder aquilo que te define.


Porque sobreviver não é sorte,
é decisão tomada no caos:
levantar mesmo tremendo
e transformar cicatriz em voz.


A vida não vai te poupar,
mas pode te forjar.
Ela só respeita quem cai
e escolhe, mesmo ferido, lutar.

Entre erros e aprendizados


Escolhi caminhos que
não deviam ser, Errei,
me perdi,deixei você sofrer.
Cada passo em falso
deixou minha mão vazia,
E noites longas pediam
tua companhia.


Mas do erro nasce a luz que
não se via,
Aprendo com a dor,
descubro a melodia.
Cada escolha falhada
me ensina a amar,
A valorizar teu riso,
teu jeito de cuidar.


Não posso voltar
o tempo que passou,
Nem apagar as lágrimas
que caíram ao chão.
Mas guardo em meu peito
a lição que ficou:
O amor verdadeiro exige coração.


E mesmo com cicatrizes,
sigo a caminhar,
Com olhos atentos,
pronto a escutar.
Que cada falha
me transformeem quem sou,
Mais sábio, mais teu,
e ainda te amando, enfim.

A vida é estrada de curvas e desvios, Onde tropeços revelam nossos vazios.
Cada erro, um espelho que nos desafia,
Cada queda, uma lição que nos guia.


Nos caminhos tortos que ousamos trilhar,
Aprendemos a levantar, a perdoar.
O tempo ensina, com paciência e cuidado,
Que o passo errado não é fracasso, mas legado.


Entre lágrimas e risos, vamos crescendo,
Entre perdas e ganhos, nos compreendendo.
O coração aprende a pesar com precisão,
O que vale a pena, e o que é ilusão.


E no fim, cada cicatriz, cada dor,
Se torna luz, esperança e amor.
Pois a vida é um poema em constante evolução,
Escrito com erros,
mas guiado pelo coração.

“O Amor Que Restou”


Disseram-me: o que é o amor para ti?
E eu fiquei sem resposta,
perdido em lembranças,
pois amei demais e cada gesto,
cada toque,
se tornou ferida aberta no peito.


Ela respondeu com a frieza
de quem se protege:
o amor não existe,
é ilusão, só sabe ferir.
E naquele instante, eu senti o eco
de todos os abraços que não me salvaram.


Ainda assim,
há uma chama teimosa,
que insiste em buscar calor
no que resta de ternura.
Mesmo sabendo das dores,
eu ainda tento
entender o que é amar,
mesmo que seja sofrer.


E se amar é ilusão,
que seja minha ilusão,
pois cada lágrima derramada
tem perfume de você.
Mesmo ferido,
mesmo quebrado,
eu guardo a esperança
silenciosa de um amor
que não dói só na lembrança.

Antes do olhar ( era você )


Quero sonhar com você quando eu dormir, porque acordado o coração já não se contém.
Acho que já te conheci antes,
quando te encontrei num lugar
de onde não se esquece um olhar.
Teu rosto me era familiar,
e minha alma nunca duvidou
que era você.


Você tem ideia do efeito que causa em mim?
É como se o silêncio dissesse teu nome, como se cada detalhe teu
desarmasse minhas defesas
sem pedir permissão.


Você chega sem pressa
e fica sem prometer,
mas muda tudo.
E eu, que nem planejava amar,
me vejo esperando você
até nos meus sonhos.