Coleção pessoal de ivo_pereira

281 - 300 do total de 418 pensamentos na coleção de ivo_pereira

Mas então existe você
Que não puxa, caminha junto
Não me prende, não me drena
Me ama avançando
— e eu avanço por nós.

Aqui o Brasil não é mapa —
é corpo em brasa.
A pele da terra rasga em fogo,
e a fumaça sobe como um grito antigo
que ninguém quis ouvir.


No peito, a bandeira ainda pulsa,
cercada por cinzas e promessas queimadas.
O verde virou carvão,
o azul resiste como céu ferido,
o amarelo tenta lembrar que já foi sol.


Cada labareda é uma história interrompida,
um rio que pede socorro,
uma floresta que reza sem língua.
O país arde, não por acaso,
mas por descuido,
ganância e silêncio.


Mesmo em chamas, há algo que não morre: a esperança teimosa que brota na rachadura.
Do fogo pode nascer semente —
se o povo acordar,
e decidir ser chuva.

Lá no fundo eu já sabia


Lá no fundo eu já sabia
que teu silêncio falava mais alto que promessas.
Havia um aviso discreto no teu olhar,
como nuvem fina antes da chuva cair.


Lá no fundo eu já sabia
que teu toque vinha com prazo escondido, feito flor bonita que nasce apressada e já carrega o cansaço da despedida.


Mesmo assim, fiquei.
Plantei esperança onde o chão era raso, fingi não ouvir o estalo do coração rachando devagar por dentro.


Lá no fundo eu já sabia,
mas amar também é isso:
escolher sentir, mesmo atento ao fim, e chamar de verdade aquilo que doeu.

Brasil, tu és braseiro


Brasil, tu és braseiro,
terra onde o calor se
mistura à esperança.
Teus rios correm como lava silenciosa, eas matas respiram fumaça e perfume, guardando segredos que só o vento entende.


No teu ventre, sementes queimam e germinam, raízes firmes entre brasas e pedras, e o povo, feito labareda, sobe em canções e lutas,
acendendo o mundo com o próprio ritmo.


Brasil, tu és braseiro,
mas não deixas que
o fogo consuma tudo.
Entre chamas,
brilhas em cores vivas,
mostrando que até a ardência
pode se tornar calor que abraça.

Raiz que não se arranca


A terra não é chão:
é corpo antigo,
é pele marcada pelo sol e pela memória.
Cada passo indígena é um traço no mapa do tempo,
onde a raiz aprende a resistir
mesmo quando tentam
chamá-la de invasão.


A luta não grita
— permanece.
É flecha feita de direito,
é canto que demarca o invisível,
é sobrevivência plantada no hoje
para que o amanhã não seja um deserto sem nome, sem povo, sem origem.


Sete de fevereiro
Não é data: é vigília.
É a história de pé, sem pedir licença,
defendendo o que sempre foi seu.
Enquanto houver terra respirando,
haverá luta
—e ela nunca esteve sozinha.

A presença que cura o invisível




Existem dores silenciosas que ninguém ao redor percebe. Há lembranças que você não menciona para não reabrir feridas. Há episódios que apenas seu coração conhece — e que talvez você tenha aprendido a varrer para o canto mais sombrio da alma. Mas o Salmo 139 afirma que Deus viu tudo desde o início. Ele estava presente antes mesmo que cada dia da sua vida existisse. Nada que te feriu está fora do alcance das mãos d’Ele. O Senhor não tem medo do seu passado; Ele o conhece profundamente e, ainda assim, o ama completamente. Sua presença cura não apenas o que você confessa, mas também aquilo que você esconde. Ele entra nos lugares internos onde ninguém mais poderia entrar. Ali, Deus reorganiza, limpa, ilumina e restaura. O que antes parecia uma prisão emocional começa a se transformar em terreno de testemunho. A presença de Deus cura o invisível porque Ele trabalha onde ninguém alcança.

Amor Enganoso


Chegou com voz mansa
e promessas que pareciam abrigo.
Tinha forma de cuidado,
mas peso de ilusão.


Me ensinou a confundir presença
com posse disfarçada.
Eu chamava de amor
o que já era controle.


Quando abri os olhos,
me vi menor dentro de mim.
O afeto cobrava preço alto
e nunca trazia paz.


Hoje recolho meus pedaços
sem pressa de amar de novo.
O amor verdadeiro não engana —
ele liberta.

Água Rasa


Caminho onde o fundo ainda aparece, mas o reflexo mente profundidade.
Teus olhos me chamam sem prometer afogo, eeu entro mesmo sabendo nadar pouco.


O sol toca a pele da água
e tudo parece seguro demais.
Mas há correntes mansas que puxam devagar o que não faz barulho.


Teu nome boia perto da margem,
não sei se âncora ou convite.
Fico com os pés no chão
e o coração já fora do lugar.


Água rasa não grita perigo,
só ensina tarde demais.
E eu, molhado de quase,
aprendo teu silêncio pelo frio.

Entre ir e ficar


Te encontro onde o chão ainda engana, espelho curto de céu quebrado, teus passos fazem círculos que fingem profundidade.


Bebo teu silêncio com sede antiga, mas a água não afunda o nome que penso; tudo flutua
— promessas, e o medo de molhar demais.


Há sol demais para ser abrigo, claridade que expõe o fundo antes do toque; amo o risco de nadar parado, de chamar de mar o que me alcança o tornozelo.


Se fico, é por não saber voltar seco, se parto, levo sal que não nasceu aqui; entre ir e ficar, aprendo:
há águas que não enganam
— não juram fundo antes da hora.

Há sol demais para ser abrigo, claridade que expõe o fundo antes do toque; amo o risco de nadar parado, de chamar de mar o que me alcança o tornozelo.

A mesa ainda está posta.
Não porque fomos dignos,
mas porque a graça chegou antes
e preparou lugar no deserto.


A mesa ainda está posta.
Pão partido lembra o corpo entregue,
o cálice anuncia aliança
que não depende do nosso acerto.


A mesa ainda está posta.
No meio, a cruz não acusa —
ela explica o amor
que escolheu ficar.


A mesa ainda está posta.
Senta sem medo. Aqui,
a graça não pergunta o passado,
apenas chama pelo nome.

O Beijo


Te calculei em silêncio
Tentando manter distância
Mas você acontece
Fora de qualquer previsão


Quando chega
Meu corpo responde
Antes da lógica
Terminar o raciocínio


Teu beijo altera o curso
Do que eu achava estável
E tudo que era linha
Vira movimento


No fim, entendo:
Não é sobre resolver
Você é sobre aceitar
O beijo

Quebra o silêncio


Quebra o silêncio
Antes que ele diga por você
Leio o ar nos teus pulmões
Descompassado
O corpo chega onde
a palavra não ousa


Quebra o silêncio
Sustenta o olhar
O medo é só
O nome errado
do que insiste


Quebra o silêncio
Fica
Eu escuto o que
não vem inteiro
Sem urgência
Sem escudos


Te toco
— o tempo perde função
Te cerco
— algo em ti repousa
Revelo o que nunca
Foi pedido
Esse intervalo
Onde a alegria aprende a ficar

SEP


Sentimento que pulsa
em cada torcida,
Olho atento aos gramados, buscando glória,
Coração verde que jamais se rende,
Inspiração para os sonhos de vitória,
Ecos de hinos que atravessam gerações,
Dedicação que nasce
em cada jogador,
Amor que se veste
de verde e branco,
Determinação que
desafia o impossível,
Esperança viva em cada lance.


Energias que se unem em celebração,
Sonhos que se tornam
realidade a cada jogo,
Paixão que transforma
simples partidas em épicos,
Obra de história escrita em vitórias,
Resistência que honra cada camisa,
Torcida que canta sem parar,
Impetu que corre pelos campos,
Vibração que invade arquibancadas,
Alegria que explode a cada gol.


Paixão que vibra
em cada coração verde,
Amor que transcende
vitórias e derrotas,
Luz que brilha nos campos
e arquibancadas,
Memórias que ecoam
glórias eternas,
Energia que move torcidas e sonhos,
Inspiração que nasce a cada gol,
Resistência frente aos desafios,
Alegria que explode em cada canto,
Sonho de campeões que nunca se rende.

Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.

Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.

Que eu não me perca
entre a brasa e a bruma,
entre o toque que destrói
e a mão que quer abençoar.

Labirinto Interior


As pedras falam,
mas ninguém escuta.
O sangue quente escorre
entre sombras que dançam na cabeça.


Há vozes que me atravessam,
rasgam o silêncio,
e deixam rastros de carvão no peito.


Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.


Senhor, você que vê meu coração no meio da confusão,
guarda-me da própria sombra
sem apagar o fogo que me lembra que existo.


Que eu não me perca
entre a brasa e a bruma,
entre o toque que destrói
e a mão que quer abençoar.


Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.

Já está preparado

Estou agitado
Vem, desacelera-me
Preciso focar
A ansiedade bate forte

Já não tenho mais controle
Preciso de ajuda
Meu coração está queimando
Quando você chega

Tenho medo de não estar preparado
Tenho medo do novo
Ouço você falar dentro do meu ser:
“Tudo vai estar bem”

Ficar tranquilo
No momento certo, te darei
Não tenha pressa de entrar no novo
Seu momento já está preparado

No recanto


O vento quente do sertão
varre a alma cansada,
E a ansiedade aperta
o peito como corda de viola.
O homem sente
o mundo pesado nos ombros,
E a esperança parece distante, escondida no céu de brasa.


Mas chega uma palavra doce, feita de calma e cheiro de terra molhada,
Um sussurro que floresce entre
o juazeiro e a laranjeira.
O coração se abre,
desata o nó que sufoca,
E a vida volta a dançar
na batida lenta do luar.


No recanto da paixão,
o olhar se encontra,
Mãos trêmulas se entrelaçam,
tão simples e certeiras.
O medo se dissolve
na música das palavras,
E o amor cresce no silêncio
que fala mais que tudo.


Ah, sertão que ensina
a alma a resistir,
Entre seca e chuva,
entre dor e sorriso.
Uma palavra bondosa
é a chuva na rocha,
E o coração do homem
volta a cantar seu próprio destino.