Coleção pessoal de IsaacRamoan
Que nunca possamos perder o otimismo que nos move. O otimismo anunciado por lábios de vento e feito ponte de névoa sob o rio da vida. Ponte essa que liga o ínfimo desejo de ter e o tédio de pertencer. O otimismo anuncia a eternidade de uma vida finita, nos move a alimentar um corpo que sucumbe por si só e nos guia a acreditar que mesmo que, se aqui não bastar, há outro lugar melhor, no porvir, que um dia virá. Virá? Que nunca possamos perder o otimismo.
Até quando vou aceitar migalhas do meu próprio eu? Se meus objetivos fossem favores de alguém ou ordens do patrão, já os teria feito em um prazo curto.
O que os olhos da razão veem que nem mesmo os lábios da verdade podem descrever?
O que se mostra por trás do véu do achismo?
Se uma bandeira tivesse olhos e boca, o que ela nos diria?
São perguntas desconfortáveis que não aceitam respostas prontas. Aquele que se dispõe a respondê-las, dá largos passos no estreito caminho da verdade.
O sentimento da visualização é o mesmo — se não semelhante, ao de ouvir uma música que te transporta para outra dimensão. Uma sonata, uma música instrumental, um canto lírico ou algo transcendental. Se utilizar dessa mesma força para visualizar seus objetivos, não há quem te intente algum mal.
“É preciso saber viver.”
Mas quem o sabe? Uma vez que essa passagem não tem bilhete de volta e nem roteiro de viagem.
A verdade é que ninguém tá bem genuinamente, só se ocupa de mais afim de não perceber a dimensão da própria ignorância.
Mas sim, eu sigo buscando a quietude da mente frente ao saber, até porquê, o simples fato de viver não vem com manual de instruções.
O sentimento da raiva é como uma “fera verbal”, cujo controle de quem a sofre é mínimo, uma vez completamente entregue aos domínios do ser irracional. Só se pode fazer uma coisa: olhar nos olhos e se mostrar maior do que aquela diminuta mente que tampouco se vê, nem sabe o nome do que sente — apenas está lá, fria e veemente, intentando sobre si seu veneno insolente.
Quer saber a forma de matar um homem sem o tocar?
Tire a importância dele e faça com que nada do que ele fizer seja necessário.
Sigo apenas gastando energia com o denso fardo de existir, enquanto tento postergar a lida indefinida de minha consciência no vasto campo da vida.
O que sou? Será que sou o que penso ou será que penso que sou?
Hoje a única certeza que tenho é do presente, e disso grato sou.
Prometemos eternidade com lábios feitos de vento.
Corpos que se desfazem no tempo sonham com o sempre,
como se a areia pudesse segurar o mar.
Mas é na brevidade que mora a liberdade.
Quando aceitamos a morte como vizinha,
a vida deixa de ser prisão e vira dança.
Ser é ser por instantes —
e isso não é pouco, é tudo.
Pois quem abraça o efêmero
conhece a eternidade que cabe num agora.
A brevidade dos dias são como os orvalhos em folhas ao resplandecer da aurora, se formam e logo evaporam.
Os ponteiros são alados e mesmo que calados voam alto de forma tal que não podemos alcançar.
Ele não para, não volta e não pula fases, só existe agora. Não se preocupe com o que não pode controlar.
