Coleção pessoal de irmosvoltaire4444_1120041

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Aparentemente não há saída. Tudo o que é rebelde, que contraria, já está previsto e acaba produzindo o contrário do que se propunha. Assim, os conservadores dominam a tudo e a todos. Mas isso não é verdade, esta engenhoca humana morreria se não fossem por nós, os criadores de problemas, os que propõem o impossível e não querem saber de nenhuma solução. Antes disso, quanto mais atrapalharmos, mais agitamos as formigas laboriosas de coisa nenhuma. Viver assim é uma doçura, ao incomodarmos criamos uma alergia, um mal estar que vai gerar frutos que nunca veremos. Somos os semeadores da morte do senso comum.

Tudo é mágico: é o que a minha imaginação permite.

Não há passado, presente ou futuro, apenas uma onda que descreve um desenho. É a música da esfera.

Os bobos ficam furiosos quando os ingênuos lhes apontam o absurdo das suas crenças. A reação é proporcional ao esforço para acreditarem no que acreditam.

O problema do homem é o humanismo.

Ninguém conhece o homem, apenas o imposto de renda.

Antes de tudo havia o Nada. É o futuro.

A música é a linguagem não representativa.

O sol doce lambe os meus cabelos, tão leve. Um carinho dourado.

O prazer de ser engraçado vale por si mesmo.

Cascavéis sibilam pelos candelabros.

Do labirinto podemos encontrar a saída, apenas seguindo a intuição.

A percepção é um ato de criação.

Agora


As pessoas vivem muito, embora só existam por um dia. Assim pensava eu, na poltrona, tentando descrever as sensações da tarde. Os ruídos da rebelião e do caos soavam lá fora e eu percebi que o ódio e a visão pessimista, que eram minhas, haviam se espalhado pelo mundo. Eu tinha medo pelo meu temperamento e aonde ele iria me levar, certamente longe daqui.
Temos apego à inércia e tememos o desconhecido. Quando a chuva fria chegou para acalmar os ânimos, parecia que Deus tinha se arrependido e procurava reverter a situação em que todos tinham perdido as estribeiras. Gritos, urros dos policiais contra a falta de dinheiro, o mundo havia deixado de ser familiar. Sentado aqui, eu examinava o funcionamento da vida. Parece que, a cada dia nascemos ao despertar e, no final, com o sono, morremos, para renascer no outro dia. Só que, ao nascer já éramos outros, melhorados. É uma bela ideia, mas, se formos humildes temos consciência da nossa ignorância. O que sabemos é que pela manhã acordamos com impressões vagas, fragmentos de sonhos, com um humor inexplicável que se manteve até agora. Temos muitos preconceitos para entender isso, e o preconceito errado: o de que eu posso antecipar e prever o que acontecerá até o fim do dia. Se nos basearmos em tudo o que sabemos, o que é muito, mas inútil, a vida começa pela manhã, transcorre pelo dia e termina quando dormimos. Isso é tudo. Mas, o que podemos saber, ao admitirmos a nossa completa ignorância? O que haverá daqui a um instante se a vida cabe num suspiro, como a gota que desgasta o rochedo?

Deus é a perfeição não revelada.

Os números significam quantidades de números.

Deus é benevolente: sempre nos dá outra chance.

Eu aproveito o pouco que sei.

A paciência é um bálsamo que sempre vem.

Não existe a realidade por si só, ela precisa ser construída para funcionarmos, por isso ela só existe na mente do homem.