Coleção pessoal de igor_cabral

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Ela vem.
Mais cedo ou mais tarde,
já não importa —
ela vem.

Obscuridade,
vazio existencial,
abismo além do bem e do mal.

Nos tornamos parte
daquilo que tememos,
acolhidos por um frágil mecanismo de fuga,
despertados como nunca antes.

Vida — eu vi a sua face.
Quando percebi o seu olhar voltando-se para mim,
eu sofri.

Eu desejei voltar,
não ao coma,
mas ao nada,
bem além da morte.

eu estou morrendo...
estou morrendo a cada segundo.

trazer pra vista o que não se traduz

há coisas que não cabem em palavras,
como o silêncio entre dois olhares,
ou o peso leve de uma saudade que não se nomeia.

há gestos que falam mais do que a língua alcança,
como o toque que diz “fica”
sem nunca ter dito “vem”.

trazer pra vista o que não se traduz
é como tentar mostrar o cheiro da infância,
o som da ausência,
a cor de um pensamento que nunca foi dito.

é desenhar com vento,
escrever com pele,
falar com olhos.

é fazer do sentir uma linguagem,
mesmo que o mundo não saiba ler.

porque há verdades que só o coração entende,
e há presenças que só se revelam
quando o verbo se cala.

Nada se torna tão difícil depois de conhecer o nível de dificuldade.

memória apagada


me apagou da sua memória feito arquivo,
como quem fecha uma janela sem olhar o céu.
fui palavra que não coube na tua página,
fui verso que não rimou com teu tempo.

e no teu gesto simples, quase sem peso,
desinstalou-se o que em mim era inteiro.
não houve drama, nem despedida
só o silêncio de quem não quer lembrar.

mas eu, que ainda guardo tua voz em pastas invisíveis,
sigo abrindo arquivos que você renomeou como nada.
sigo lendo entre linhas o que você quis esquecer,
como quem revisita cartas que nunca foram enviadas.

porque há amores que não se apagam,
mesmo quando deletados.
eles ficam —
em cache, em sombra, em sonho.
em mim.

24/10/25

Impetuosa

⁠Eu não estou aqui.
Já faz um tempo, mas não estou aqui.
É como se minha consciência pairasse
em outro lugar.
Enquanto isso, o meu corpo se encontra fixado no tempo,
onde há folhas mortas e paredes desbotadas.
O céu está como jornais molhados — quase pingando, querendo cair.

E eu... um ser tricotômico,
que se iguala a mais uma natureza: o êxtase do momento.
Meus olhos, cheios de água, não aguentam tamanha tristeza que o céu expõe.
Se expande em mim léguas e léguas, mas não há horizontes, pois não sei pra onde ir.

Como voltar pra casa, se já não me sinto em casa dentro de ti?

Minha vida...
Entendo o tempo lá fora.
O que há em ti que me abrigue de volta?
Por onde me levará o meu caminho, se ando perdido?
Sem horizonte, sem mulher e sem direção.

Ela vem...
Ela vem como quem não quer muito,
e sim o suficiente para apaziguar suas emoções.
Por dentro da janela, eu a espio nervosa,
como se fosse a única maneira de retribuir através da dor.
Sem se importar com o que virá depois,
ela simplesmente se derrama na cidade cinzenta,
onde pessoas andam como cápsulas vazias em meio ao temporal.
A chuva cai, e em meu coração troveja...

A paz do coração é o paraíso dos homens.

A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável.

Cada um alcança a verdade que é capaz de suportar.

Amar é dar o que não se tem a alguém que não o quer.

Você pode saber o que disse, mas nunca o que outro escutou.

Precisamos amar para não adoecer.

Todo prazer é erótico.

Não me lembro de nenhuma necessidade da infância tão grande quanto a necessidade da proteção de um pai.

Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai.

Fica-se muito louco quando apaixonado.

Quem não ama adoece!

Nunca fui capaz de responder à grande pergunta: o que uma mulher quer?

Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.

Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!