Coleção pessoal de gustmachado
AQUELE QUE CAMINHA ENTRE OS MUNDOS
Caminho sobre a escuridão da alma e sobre o terror da humanidade; nem mesmo meus pés tocam a terra corrompida, onde o homem governa pela crueldade.
Sou o espírito consagrado, o primeiro verbo que acendeu a luz do mundo. Sou o iniciado das Eras, quando o mundo ainda era o primeiro som.
Sou a própria existência e aquilo que ainda não existiu. Sou o segredo do homem iniciado no mistério do Caos, que sobrevive à sua própria imperfeição.
O presente que o faz ser luz para o mundo e o propósito que os mestres conhecem e servem; o propósito que define a raça dos homens. Onde sou, não há portas e nem chão que nenhum mal consiga alcançar.
O MANTRA PARA O MUNDO
Bendita seja a voz do homem que anuncia o verbo, a intenção dos fracos e miseráveis que, mesmo sujos da lama do terror, mantêm imaculado o coração que sobrevive à iniquidade da humanidade.
Que canta o mantra que sustenta a alma do mundo.
Airton Gustavo M. Correa
A CALIGRAFIA DO ESQUECIMENTO
Sobre nós, nem mesmo a minha sombra que rasteja no chão sabe os versos que contávamos para o silêncio; e nem mesmo os lugares que guardamos na memória carregam lembranças sobre nós.
Um dia fomos presença em nosso pequeno instante, e fomos o próprio presente do instante. E, mesmo que eterno, o tempo leva tudo ao esquecimento.
Somos dois abismos no profundo de nossas memórias, memórias perdidas entre o real e as imaginações. Se um dia fui o herói nas tuas lendas ou o vilão na sombra das tuas lembranças, tudo o que posso esperar é a ausência de nunca saber.
Sou a sobreposição da verdade que jamais compartilharemos. Em nossos pensamentos, os versos que contávamos se vão em direção ao esquecimento — a caligrafia apagando o que um dia fomos.
Então, o último conto, um eco que retorna ao silêncio; e assim, restando em nós apenas a lenda, a verdade que jamais saberemos um do outro.
O LINEAR DAS ESCOLHAS
Eu sou a linha que separa o gênio do louco; sou a linha, o instante que separa a vida e a morte. Sou um pequeno instante onde tudo pode acontecer; sou o segredo que define a realidade.
Tolo é o homem que passa por mim e não reconhece meu poder de destruir ou criar. Sou o fruto que nasce da ordem e do caos.
Não subestime o meu poder, pois me subestimar é subestimar a si mesmo; sou a encruzilhada que define seu destino. Não sou justo e também não sou cruel: sou o espelho de suas decisões.
Tudo passa por mim, e o que eu mais vejo são seres que não entendem o poder de suas próprias escolhas.
Sou aquele que guarda os caminhos que ainda não foram escritos, porém não sou aquele que escreve o destino. Mas eu sempre estou em cada escolha e em cada decisão.
Sou o observador do desastre humano que, mesmo divino, optou escolher o maligno. Estou presente em suas escolhas, mas você nunca prestou atenção em mim.
O VERBO E A ANATOMIA DA ESCUTA
Verbum in Omni Audire Omne Verbum
Não advém o homem dar crédito entre as vozes do divino para que a mesma seja ouvida, pois a palavra, por si, é o próprio verbo e o próprio divino.
Assim, o peso de uma palavra pode ser ouvido equivalente à moral do mais puro entre os homens.
Saber ouvir torna-se o maior dom da consciência, para que, de fato, saiba ouvir a melodia das bocas dos homens mais impuros entre os miseráveis
e saiba reconhecer o verbo, que é puro, e que ali o divino faz morada.
A divindade reside no verbo, ecoa entre os sinos das catedrais e no som do tambor.
Um brilho, um cântico ancestral, o maior presente, a maior presença, que clareia o homem em sua própria escuridão.
"A vida precisa do vazio.
O mundo coloca rótulos,
quando deveria olhar com amor.
Em cada vazio, há um potencial."
"Muitos são aqueles que sabem onde estou; tão pouco são aqueles que sabem onde me encontrar. Sou um fantasma na penumbra dos olhares, um eco firme em um silêncio escolhido. Encontro poder na solitude do meu coração."
"Um poema sobre o tempo, a memória e a nossa busca por algo que dure para sempre. Você consegue imaginar a eternidade?"
UM ABISMO NO PROFUNDO CÉU SEM FIM (Gustavo Machado)
Lembrar é saudade, viver no coração as lembranças que temos,
ver a arte da vida em um quadro perdendo a cor.
Mesmo que eterno, o tempo leva para o esquecimento.
Um abismo no profundo céu sem fim... Ó vazio,
quantas memórias perdemos com o passar da vida!
Tão breve é viver, tão eterna a vida pode ser.
Então, conte-me as histórias daqueles que se foram,
conte-me sobre as estrelas, sobre a grandeza da existência,
dos momentos que nos fazem eternos em nossa breve passagem,
para que eu saiba viver e ser eterno em um pequeno segundo:
tão precioso segundo onde o infinito acontece,
onde a vastidão daquilo que é pequeno encontra a grandeza da vida.
Em cada segundo, a eternidade vive, vive para escrever um destino incerto,
incerto como a certeza de um ponto final.
"Ela era o ar da primavera,
por onde passava, refrescava a alma.
Mas, como o vento, ela foi brisa leve,
e, no céu do outono, a brisa argélida,
que traz o frio, o inverno e a impermanência,
passou e foi embora.
Deixou saudades:
saudade do que foi
e do que poderia ter sido.
Mas ela era o vento,
que assoprou em minha direção.
Apesar do pouco tempo,
passa-se igual a um furacão,
deixando marcas, sonhos e imaginação.
Foste tão rápido,
tão rápido como a eternidade.
E assim foi:
foi a amizade que não cabia no amor.
Todavia, deixaste um ponto final
em nossa história.
Queria que fosse eterno,
como a amizade,
mas o destino quis que fosse assim,
tão breve, tão passageiro...
Nossa história:
um poema sem final,
que levo comigo,
em cada verso,
em cada memória,
em cada batida do meu coração."
Eu sou o tempo, e tudo em mim se manifesta.
Sou tudo que você precisa, sou cada instante que te rodeia
Sou tudo que muitos queriam ter, e também sou a sobra desperdiçada.
Sou a criança que acabou de nascer.
O adolescente que se apaixonou pela primeira vez.
O adulto que seus sonhos realizou.
E o ancião que no leito de sua morte, olhou cada minuto do ponteiro do relógio.
Eu sou a certeza que tudo é passageiro.
Sou precioso para quilo que não é eterno, e eterno para aquilo que é preciso.
