Coleção pessoal de gustavvo
Jarro de Barro
Vida fria.
Água entra, água sai.
A gota que um dia era quente,
por mais minúscula que seja,
sempre se torna fria.
Alguns saem,
por sorte
ou azar,
não sei.
Nunca saio.
Não consigo.
Ah, água,
que sorte tem.
Se eu pudesse ser água,
se eu pudesse sair...
Que saudades, minha aguinha.
Se pudesse voltar,
volte, minha gotinha.
Não deixe esse jarro vazio.
Eu sempre estou aqui.
Ônibus da Vida
Desce, sobe
Continua, para
Entro com esperanças de chegar.
Passo na catraca.
Continua, desce
Sobe, para
3 pessoas entraram.
Não sei quem são,
mas são como eu.
Sobe, buzina
Continua, para
Sinto que estou chegando.
Me sinto sempre perdido.
Continua, para
Continua, continua
Não sei mais onde estou.
Não sei quando vou descer.
Continua, continua
Continua, continua
Estou perdido.
Ele continuou
e parou no meu lugar.
Mas eu não desci.
Agora perdido estou.
Ele continuou
e eu fiquei.
Alma
O tempo vai,
o tempo passa.
Depois… o que vai ficar?
Nada.
Somente aquilo
que ousou pensar
no que permanecia.
O Que Sobra Depois?
O dinheiro corrompe a alma,
a morte consome o corpo.
E depois… o que resta?
A alma.
Semente
um dia eu plantei
com a esperança de que
aquilo que eu havia plantado
um dia, enfim, viesse a crescer
e esperei, em silêncio, em fé,
no tempo calmo daquilo que
não nasce no instante,
mas no cuidado
até que um dia,
cresceu
Realidade
— Pai, posso pintar o patinho de verde?
— Não, meu filho.
— Mas, pai, eu queria que ele fosse verde.
— Mas não dá, filho.
— Por que não dá?
— Porque não é real.
— Mas eu quero que seja real, pai.
— Filho, isso nunca vai ser real, tua ideia é irrealista.
— Mas o que devo fazer então, pai?
— Aceitar e pintar o patinho de amarelo.
— Mas dói e é difícil.
— Não importa, isso é real, você deve aceitar.
— Mas eu não quero aceitar.
— Você deve.
— Então não quero ser real.
— Você não pode deixar de ser real.
— Que saco.
O filho, então, que gostava de desenhar e imaginar, decidiu ser real e, então, futuramente viria a se tornar empresário. Foi infeliz, mas foi real.
