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Coleção pessoal de gildersonsantos

21 - 40 do total de 66 pensamentos na coleção de gildersonsantos

Como é estranho e belo o poder da imagem e das experiências.
A criança que corria e sorria não sabia.
Crescia, e sem perceber, as raízes que a sustentavam
se desfaziam em silêncio,
na mesma medida em que o mundo se abria diante dela.

A criança agora é jovem.
Reconhece-se no espelho sem se reconhecer.
Não é mais a infância.
O familiar, de tanto se conhecer, já é outro.
O conhecido também desconhece.

O mundo, ele próprio, é uma imagem.
Flutua, muda de forma, de cor, de sentido.
E ao mesmo tempo é pequeno,
e tão imenso quanto os astros.
Um enigma:
quem o conhece, o perde.
Quem o desconhece, o encontra.

Quando o mundo se torna cruel, pergunte-se: é melhor atravessá-lo ou permanecer entre as crueldades? Seguir adiante é conhecer mais da dureza do mundo, mas também é encontrar corações que ainda sabem ser bondade.

Ohh doce empatia que aos ventos se espalha,
que ao tentar semear amor, abandona a energia de quem estende as mãos.

Ohh doce gratidão, agraciada por muitos rostos conhecidos,
rostos que veem sem perceber o esvaziar do tempo, e simplesmente dizem: obrigado.

Obrigado simples palavra,
que, sem gratidão, é a hipocrisia do mundo terreno,
um parasita que invade corações
que, decepcionados, dizem não ao que poderia ser
um genuíno “obrigado”;
um olhar que nem mil vidas poderiam abarcar
o sentimento entrelaçado que ninguém vê.

Ohh empatia.
Espalha-se pelo vento, mas esquece quem a chama.
Ama, e abandona.

Gratidão.
Rostos conhecidos.
Dizem “obrigado” sem ver o tempo se esvaziar.
Palavra vazia, quase morte.

Obrigado.
Se não houver olhar, é hipocrisia.
É parasita que invade.
É não.
É o que poderia ser, e não é.

Um olhar que nem mil vidas conteriam.
Um sentimento que ninguém vê.

É hilário perceber que quanto mais desejamos algo,
mais perto estamos do grande anseio,
mas, ao usufruir, às vezes não passa de uma sensação tola.
Por causa do vazio existente em nós,
tentamos preenchê-lo com qualquer coisa.

A verdade é que chegamos a um momento
em que precisamos decidir: continuar ou recusar algo falho.
Podemos mais, e esse “mais” não precisa ser carregado todos os dias,
mas é preciso cuidado — cuidado com as muitas mãos estranhas
que nem conhecemos.

Acho que é isso: o hilário da vida é perceber
que preenchemos nossa existência com coisas inúteis,
que nem precisamos ter.
Se o mundo pudesse nos dar uma escolha verdadeira neste instante,
seria apenas: ter a coragem que meu esconderijo interno tanto esconde.

Em bela tarde, um olhar sutil, olhar indecifrável.
Olhar de quem viu mundos, olhar que sentiu tremores.
Olhar que transcende o tempo para ver o real sentido da vida:
Conhecer as obras da natureza e conviver com elas.

Esse olhar vem de um indivíduo que, por um breve momento, recusou sair da realidade projetada
para sentir o olhar de um mundo fechado em um outro ser.
Olhares cansados, olhares alegres, olhares profundos, olhares transparentes,
olhares sutis que levam ao indecifrável.
Do indecifrável aos tremores da vida terrena,
entre a sensível camada de alegria e tristeza,
através dos olhos que não apenas veem, mas sentem,
atravessam e se perdem nas entrelinhas do existir.
Olhos que revelam o que as palavras não alcançam.
E, por um instante, tudo silencia e só o olhar fala.

A vida não é um problema a resolver, mas um milagre a decifrar.

O tempo é passageiro, e nossas escolhas, bilhetes que decidimos honrar. Embora a viagem seja breve, cada mudança no céu a transforma em algo belo e único. Viajar, no fim das contas, é como ouvir uma música: quem entende o ritmo, dança. E no futuro, ao lembrar, sentimos no ar a turbulência, as risadas... e a saudade suave de quem soube viver o momento.

Eu sabia de cor que as estrelas eram azuis;
Eu sabia de cor que a tinta escorria pelo papel;
Eu sabia de cor que és ilustre quem sonha;


E não sabia que você LERIA ESSA PROSA.

O mundo é feito de escolhas,
compreendê-las nem sempre alivia o peso.
Mas o tempo, com paciência,
ensina a suavizá-las.

E no fim, até as mais duras
encontram seu lugar no entendimento.

Escolhas, mesmo compreendidas,
nem sempre serão aceitas.
Seguir em frente é o curso da vida,
rever o caminho nem sempre é a solução.

Contemplar, sim,
é o combustível do que ainda virá.

Siga, meu caro aventureiro,
e, na dúvida, confie:
a paisagem é linda do topo.

⁠Alcançar e o invisível são faces da mesma moeda.
O sucesso nasce onde habita a persistência.
O futuro ainda que nomeado é bruma,
e só a decisão o atravessa.

⁠Vivemos num mundo de sorrisos ensaiados, forjados pela hipocrisia, que brota do esquecimento do que é ser, de fato, feliz.

⁠Em uma casinha de taipa, uma garota corre feliz,
E, rajado de som, o silêncio é interrompido em uma pausa feroz.
O céu celeste, em rosa, se transforma, e o som vem, cheio de sentido e coração.
A menina, que corre, é uma senhora em um campo no outono,
Sem uma casa, mas com uma lagoa entre pássaros.
O céu rosa é celeste, e o som, mais feroz, vem à tona.
Embora o correr da menina senhora sinta falta,
O bem te vi voa, voa, em um quintal entre risos

⁠Poesias jogadas ao vento, rostos revirados pelo ego.
Países em desafensa, mundo em caos, leis e princípios desorientados.
Mas por quê?
Por que o certo, dando certo, torna-se errado como uma criança
que corre desafreadamente pelos pais ao se distanciarem,
pelo medo do desconhecido.

Triste considerar, mas o “não” precisa surgir.
Triste reconsiderar, mas o “sim” precisa surgir.
Lamentável dizer que ouvidos tampados não fazem sumir os gritos —
as dores do esquecimento de um povo, de uma luta em comum.

O progresso...
Extermínio de valores que se perderam com aqueles que os fizeram surgir.
Não precisa de palavras — precisa de ações.
Precisa destampar ouvidos,
para que as mãos possam ajudar quem precisa levantar.

A criança que corre desfreadamente
não consegue acompanhar aqueles que, em direção contrária, se vão.
Mas nutre, a cada passo,
a coragem que não sonhava ter.

Assim é possível que países em desafensa façam o impossível acontecer —
como a poesia que dá luz ao impensável.
Basta soltar os óculos escuros
e ajudar tudo que venha ao seu caminho.

⁠O mundo é perverso, mas encantador.
É triste perceber que o antes se passou,
mas um novo amanhecer nasce,
jogando fora o que passou.

Apesar de utopia e invisível ao olho nu,
ainda permanece o ontem enquanto o hoje se faz presente,
mas o futuro já passou e também é futuro agora.
Tudo está entrelaçado e sufocante,
como as amarras da jiboia na presa,
que vê a última imagem do fim.

Mas também é lindo,
pois foi uma experiência única.
Nada pode ser jogado fora.
O mundo é feito disso:
entre desastres de cataclismo e de criação.

E a lição que vem em meio a tudo é:
tudo vai passar
e será uma parte do que virá.

Mas os rostos, os sacrifícios,
as alegrias, os costumes... passaram.
E talvez o fim de tudo já tenha acontecido,
pois o mundo é cíclico.
Civilizações desapareceram
e você desaparecerá.

Então, seja o ser único que veio ao mundo
entre tantas possibilidades.
Traga a unificidade
que a presa, nas garras da jiboia,
viu ao encarar seu último dia.

Relembre, entre suas memórias,
o momento de euforia
que teve ao sobreviver
em um belo dia.

⁠Captura insana que é olhar
Que saturação é a ação que pela empatia
Traz o dia a quem com medo deixou de pensar.
O foco ajusta, a luz clareia,
A lente revela o que antes era sombra.

No clique da vida, o instante se fixa,
E, mesmo sem planejar, a foto sai perfeita.

Um mundo irreal
cujo olhar é felicidade,
choro tristeza
se a ambiguidade é desprezo,
o mundo é irreal, afinal
a hipocrisia é ápice do final
que abres o início
de um ciclo vicioso,
onde a verdade se mascara
e o sorriso é duvidoso,
em corações que se calam
quando a alma dispara.

E se o tempo é um espelho
que distorce o essencial,
caminho entre sombras
de um querer tão irreal,
tateando o incerto
em busca do que é vital.

Mas se o mundo é ilusão,
que reste então a poesia,
como farol da contradição
e abrigo da utopia.

⁠Livros que transformam, livros que se abrem,
Livros que anseiam, livros que se fecham.

Outrora, a vida que se fazia simples e costumeira,
Sem margem à dúvida, moldava-se heróis;
Vilões eram apenas vilões. Mas o arco da história tornou-se trivial,
E novos papéis surgiram da velha história contada,
Passamos a entender que o simples, às vezes, era equivocado,
E que o vilão, na verdade, era vítima de um sistema opressor,
Trancafiado na cela do tempo, uma parte omitida,
Sequer mencionada, pois exibi-la traria ao conto um tom cruel.

O bom, ao tornar-se errado, perde o traço do amável.
Como antes se dizia: livros se fecham para que novos e complexos livros se abram,
Mas continuam a história, rasgando em tiras a omissão dos detalhes belos e dourados.
E para isso, é preciso começar pelo rosto amável que a história massacrou,
Forjando, assim, o vilão intrínseco e indescritível,
Que, desde o início, ninguém resguardou,
Outrossim, apenas condenou.

⁠Pensamento, como canário, salta no céu azulado,
canta entre penas caídas que conectam
e penetram a memória de caminhos, ora turvos, ora triviais,
e, ainda assim, se põe a resguardar.

Oh, doce caminho que se transforma
diante de inesperados obstáculos,
paisagem rústica, elementar, tortuosa e inexplicável.
Assim flui o grande vento do destino,
e o canário, sem recuar, encontra na força
o impulso para avançar.

Como o pensamento, é preciso encarar.
Não é vergonhoso mudar,
exceto parar.

Assim é o pensamento humano:
sempre em transformação,
mas nunca trancafiado,
pois sufocá-lo seria punir sua essência,
privando-o das aventuras e do singular céu azulado.

⁠Música, como bela arte, flutua.
Flutua como a lente de uma singela luneta,
que aspira o horizonte.
Música, traço entre hostis rabiscos,
cuidadosos ou ásperos,
faz a paisagem seca e amarga ganhar cor.

Flutuar é preciso:
sentir a brisa que move.
Assim como a luneta, que ao horizonte nos põe,
é preciso um guia,
que ajuste o foco e a direção,
sem deixar que se embaralhe
o muito que guardamos.

A música é poderosa,
basta senti-la e, com a alma, segurá-la.
Pois, assim, o mundo pode ser melhor.
Defina-a:
Como seria a música para você?