Coleção pessoal de FrancismarPLeal

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Balanço...

As mãos seguram as correntes.
Sinto vento em minha face, cabelos...
Após o auge, o retorno, de dorso...

Cartas Sem Destino...

No baralho cigano...
Cartomante verá meu futuro.
Súbito, uma ventania...

Arrepio...

Tuas unhas longas...
Suavemente correm meu corpo,
Eriçando a libido...

Arrepio, Mais Forte...

Levemente, puxo teus cabelos...
Que perfume de chocolate, e quente...
Tua orelha: sente minha língua...

Por Cima...

Percorro teu corpo...
De começo, apenas com o olhar.
E por fim, sem olhar...

Insaciável?...

Olho estrelas, após te amar.
E uma cadente me encanta...
E você, ainda incandescente...

Te Admirando...

Dormindo, parece um anjo...
Instantes atrás, me devorava.
E eu, aqui, aos pedaços...

Catedral de Maringá...

Um grande cone...
Ora iluminado pro Natal.
Luz na noite...

Olhando Filhos...

Queria ser criança.
E, de novo, inocentar-me...
Sem mundo nos ombros...

Chovendo...

Chuva densa...
Tudo embaça.
Menos a alma...

Abrigo da Chuva?...

Galhos, acima.
Água desce o tronco.
Pés, molhados...

Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos

Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.

Esnobar
É exigir café fervendo
E deixar esfriar.

Roda, Gira...

E o mundo gira, roda, gira...
Ou eu que giro a sua volta?
Tudo passa rápido, célere.
Visão distorce, vai e volta.

E o vento sopra orelhas.
Aquele zum, zum, zuum.
Será Deus fazendo "fuu"?
E de repente, tudo azul...

Como nos filmes, alentece.
Câmera lenta, "slow motion".
E um silêncio que aquece...

É assim a ágil roda da vida...
Assim é o brinquedo que gira.
Segue a girar, rodar, vertigem...

Meu Deus, Vou Morrer...

Trabalho com a morte
Dia após dia, "sempre".
Todos os dias vejo uma
Vida deixar este mundo.

Apesar desta "vivência",
Talvez pela louca rotina,
Talvez pela luta pela vida,
Não percebo minha finitude.

Quero dizer, não percebo
Que também vou morrer...
Ou melhor, quase esqueço.

E quando então lembro que
"Meu Deus, vou morrer...",
Iluminado, sinto: "Sou vivo!"

Abraço dos Filhos...

Cansado, exausto, só pó,
Após outro dia de labuta.
Até abrir a porta de casa
Torna-se difícil, uma luta.

Mas assim que adentro,
Na penumbra, pela sala,
Ouço as vozinhas: papai!
E sinto algo que avassala!

E envolto pelos bracinhos,
Finalmente suspiro, respiro.
Fecho olhos, abro sonhos.

E ouço até mesmo sininhos.
Viajo longe, até quase piro...
Doce abraço de meus filhos...

Toca o Violão, Menino...

E o menino toca o violão.
Dedilha belíssimos acordes.
Toca para amansar o vilão.
Pra que o tumor não acorde.

A música adormece os dedos,
O câncer, as dores, os medos.
Todavia, acorda esperanças,
Colore a fé com suas nuanças.

Sim, toca o violão menino...
Porque só a música te cura.
Nas entrelinhas, o destino...

E se Deus te der nova vida,
Melodie até a noite escura...
Dirá, ao final: missão cumprida...

Síndrome do Pânico?...

Às vezes me dá um medo...
Tá tudo bem, e de repente
O mundo parece desabar...
Um peso, amargo na boca.

Estranho, fica difícil explicar...
E quando ocorre, me escondo.
Corro pra cama, pro cobertor.
E vira pra lá e pra cá, ânsia...

Então, acabo adormecendo.
Sonho muito, pesadelos até.
Horas passam e desperto...

E, olhos abertos, novo mundo.
Mais calmo, suave, tranquilo...
Pânico? Passou... Ora, reviver.

Vento Norte, Quente Vem...

Vento norte, vento quente...
Surge do nada, nos abraça,
Nos envolve, simplesmente...
Trazendo pra vida a "graça".

Vento quente, lá do norte?
Caminho em direção oposta,
Tentando rançar a má sorte
Que levo em minhas costas...

Vento de Santa Maria, vem...
Traz de volta minha inocência,
Sem a qual eu sou ninguém...

Limpa minhas sujeiras, retém
Meu bom caráter, a decência,
Neste corpo que valhe vintém...