Coleção pessoal de EvertonArieiro

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E são dias essas horas
De espera para depois
E o antes é agora
E a trilha de nós dois.

A música que ecoa
Em um rádio bem antigo
A menina não magoa
Porque ela está comigo

O meu eu que sabe pouco
Mas entende o coração
O poeta não é louco
E não se perde na ilusão

A ilusão é a mentira
A que diz e gaba o eu
A ilusão é a própria ira
A que sente que perdeu

A poeta é o que sente
A paixão que vem no ar
O poeta que não mente
Ele vive a amar

⁠Temos um cuidado enorme com o pecado, porque queremos morar no céu; então nos tornamos “Santos “
Mas antes disso, temos que viver na terra, e por isso precisamos da ética.
A falta de ética é um “pecado”, e não é possível ser “santo” se não for ético.

A necessidade resolvida faz com que muitos digam "adeus".
A necessidade não atendida também o faz.
Ser querido é diferente de ser necessário.

⁠Como é linda, a morte!
Por controverso que seja, o pensamento procede.
A morte ressuscita virtudes;
A morte faz amigos;
Ela coloca fim aos desafetos;
Aos mortos fazemos os elogios que jamais fizemos aos vivos.
Linda é, apesar de extrair lágrimas, ela faz refletir como não se faz na vida, na saúde.

⁠Um homem do interior fez uma viagem para comprar uma máquina de lavar para dar de presente à sua esposa.
Quando chegou na cidade sua bonita descolou, e ele precisou comprar uma cola, e colá-la.
Feito o processo de colagem foi à loja, olhou a máquina que queria, tinha uma última unidade, e por não ter a caixa o vendedor se dispôs a dar um desconto de 30% (trinta por cento).
No caminho de volta um pneu do carro furou, e ele teve que parar num acostamento e usar o estepe do carro. Então por volta das 17 horas estava em casa.
Na hora que o filho mais velho foi ao carro para tirar a máquina, ele bradou: "cuidado com o que vai fazer! Hoje estou numa onda de azar muito grande!"

Ele havia saído para comprar uma máquina e o fez; ele foi à cidade e voltou.

Onde está o azar?
Botinas descolam e pneus furam mesmo em dias de sorte.
Precisamos valorizar as outras coisas do dia ao invés de focarmos na botina e no pneu.

⁠Entre tantas coisas, o ser humano vive a fazer contas.
Conta dinheiro, conta pessoas, conta acréscimos, conta perdas; conta pessoas como se fossem dinheiro. E nessa forma calculista, fria, subtrai anos sem saber o valor humano, apenas a conta do que elas podem acrescentar à expectativa criada. Seleciona-se grupos de X pessoas, com X qualidades, para se ter o que se quer. E o resultado é uma sociedade fria, calculista e a cada dia mais individualista.

⁠Não se iluda com o momento bom;
Não desanime por causa do momento ruim;
É tudo vaidade; vaidade é algo que passa.

⁠Caso queiras regar uma planta, faça-o;
Antes de começar certifique-se de que ela está viva;
Caso esteja morta, não desperdice a tua água, nem o teu tempo.

⁠Ontem

Lembro teu olhar;
Aquele do outro dia;
Tua boca me beijar;
Meu sorriso de alegria.

Ontem teve a hora;
A de ter a companhia;
Foi difícil ir embora;
É que a noite eu passaria.

A boca e o sabor;
A memória do beijo;
O sentimento é amor;
A mistura é de desejo.

A lembrança faz sofrer;
A distância me destrói;
Minha vontade é de ter;
O amor que nos constrói.

Venha ser só minha;
Deita-te na mesma cama;
Em meus braços se aninha;
E diga que me ama.

Diga com o teu olhar;
Diga com o teu abraço;
Use a boca pra beijar;
Deixa o resto que eu faço.

⁠Os nossos defeitos são as nossas características que testam as pessoas.
Quem gosta de nós por virtudes, não gosta, na verdade.
Quem nos aceita, apesar dos defeitos, está apto a desfrutar de virtudes.

⁠Pensar positivo deve ser um exercício constante.
O negativismo nunca fará com que a vida tenha dó. A vida é do jeito dela, e felizes são os que a entendem.

A lei é se entregar;
É a regra para viver;
O único jeito de amar;
É ao amor corresponder.

Corresponder é a resposta;
A que quebra o silêncio;
Quem ama nunca gosta;
De dar ao rosto um lenço.

⁠Anoiteceu

Pode ser que eu adormeça;
Antes de você chegar;
Mas espero que eu mereça;
Teu carinho a me amar.

A noite já chegou;
De ruim é a distância;
Tua boca me beijou;
E isso tem importância.

Lembro o gosto do beijo;
O calor de envolver;
O teu nome é desejo;
Minha fonte de prazer.

Venha e chame o nome;
O nome que você me deu;
Me chame de teu homem;
Diz não me esqueceu.

Diz que a noite já chegou;
Que comigo vai sonhar;
Diz Que a luz se apagou;
Mas me ouviu a te falar.

Te falar sempre de amor;
Te falar sempre de paixão;
Te falar quem eu sou;
Te abrir o coração.

⁠Medo nas águas

Beto, o barqueiro, acostumado às águas do Rio Tapajós. Numa noite quente de setembro, em aparente calmaria, termina seu dia. No bar, senta-se em uma cadeira desconfortável, bebe um refrigerante em uma garrafinha de 600ml. Ele gosta dessas, a garrafa de vidro, que parece de cerveja.
O dia tem agora a calmaria, e é bom porque desde cedo o que passou nessas águas foi medo. Parece que o valor que ganhou nem é tão considerável levando em conta os contratempos do dia.
Na primeira viagem, às 6 horas da manhã, depois de 45 quilômetros pelas águas e quase 2 horas de trajeto, o vento agitou muito as águas, e o barco sentiu dificuldade em desbravar. A cada onda levantada, o Beto manobrava o barco para não bater de frente com as águas agitadas. E nisto, o barco se enchia de água, e o medo entrava junto, de maneira que os 6 passageiros gritavam a cada vez que uma onda se levantava. Ao avistar uma margem, dois dos passageiros pediram para descer. Desistiram de ir até o final da viagem.
Na hora do almoço, enquanto Beto amarrava o barco, seu telefone caiu na água. Enquanto tentava resgatá-lo – sem sucesso –, os ponteiros do relógio não pararam. Foi tempo suficiente para que o único restaurante do pequeno distrito de Fordlândia fechasse, e ele ficasse sem almoço. Comeu uma coxinha fria, com gosto de celular molhado, estragado, e de prestações a vencer.
Agora, termina os afazeres com a sensação de calmaria para seu dia turbulento. Pensa na terça-feira e na família, que está sem notícias suas desde cedo. Na hora que iria dar notícias, o telefone caiu na água e não funcionou mais. E pelo visto não mais funcionará.
Sentados em volta de uma mesa, à frente, quatro rapazes esperam a partida de Beto. Planejam ir de Itaituba até o distrito em que Beto encerra seu dia, Fordlândia. Um lugar pequeno, com muitas casas de madeira, suspensas, uma praia bonita, e duas pousadas, sendo que nenhuma delas tem televisão no quarto. Algumas construções abandonadas, projetadas por americanos, do princípio do século passado.
Os rapazes comentam o medo que passaram durante o dia, já na hora do crepúsculo, nas estradas de terra, quando o pneu do carro estourou, e o motorista, inexperiente, perdeu o controle do automóvel. Por um momento, todos pensaram que morreriam, pois em meio à poeira, só viam um par de olhos brilhantes se aproximando do veículo. Quando conseguiu parar o carro num cantinho bem apertado, o caminhão passou em alta velocidade, levantando mais poeira e sumindo no meio dela.
Pelo visto, tanto os rapazes quanto o Beto precisam descansar.
Um amigo, seu Neves, faz a carga no barco enquanto Beto espera. O desânimo é muito grande. O seu plano era esperar ali, olhando status no seu whatsapp, no smartphone novo, rindo de alguns, criticando outros. Tinha feito isso no sábado e gostou muito.
Neves grita, "Betão, tudo ok aqui".
Beto acena para os rapazes, que o seguem. Caminham em direção ao barco.
Ao chegar na embarcação, Beto fica olhando, sem coragem de entrar. Um dos rapazes chega a entrar, senta-se no banquinho duro, mais à frente do barco.
Neves, com muita calma diz, "É bom que tem quatro passageiros. Cada um segura uma alça do caixão. Quando chegar lá, leva para a igreja. A família está à espera do corpo, estava desaparecido nessas águas há uma semana."

O lenço

Todo dizer é pouco;
Queria dizer o bastante;
Não que seja louco;
Prolongar esse instante.

Buscar o olhar bandido;
Que não me permite viver;
Quer roubar meu ouvido;
Para ouvir só a você.

Faz tempo que não penso;
Há tempos não sou eu;
Apenas me sinto propenso;
A tornar-me tudo teu.

Cuido de mim para ti;
O coração te entreguei;
Não é cada um por si;
Embora não tenha lei.

A lei é se entregar;
É a regra para viver;
O único jeito de amar;
É ao amor corresponder.

Corresponder é a resposta;
A que quebra o silêncio;
Quem ama nunca gosta;
De dar ao rosto um lenço.

⁠O pior jeito de "politicar", é fazendo fofoca ao invés de política.
Política que destrói amizade, não é política.
Amizade que se desfaz por causa de política, nunca foi amizade.

Ama-se às pessoas
Ama-se ao animal
As companhias boas
Não esperam o natal.

⁠Há do lixo um forte cheiro;
Há no rosto muito choro;
Há nuns bolsos o dinheiro;
Há pedidos de socorro.

Quem és tu jurando amor?
E quais são tuas promessas?
Quem és tu espalhando dor?
Quem és tu vivendo às pressas?

O empreendedor

À beleza tu ofuscas;
Quando vens a caminhar;
O que tens são tuas buscas;
Só vontade de ganhar.

Tinha brilho bem aqui;
E moravam muitas flores;
Mas passastes e eu vi;
Não importas com as dores.

Onde está teu romantismo?
És tu mesmo conquistador?
Se o que vê é egoísmo;
E um estilo avassalador.

Há do lixo um forte cheiro;
Há no rosto muito choro;
Há nuns bolsos o dinheiro;
Há pedidos de socorro.

Quem és tu jurando amor?
E quais são tuas promessas?
Quem és tu espalhando dor?
Quem és tu vivendo às pressas?

Escreva tudo em teu livro;
Imite os sons da natureza;
Procure alguém que esteja vivo;
Mesmo cheio de incertezas.

Por que fulano é, faz, tem, e eu não? Fulano é melhor do que eu?
-Não.
-Fulano é fulano, e eu sou eu. Nem melhor nem pior, cada um com sua história, com seus fardos, com seus risos.