Coleção pessoal de EvandoCarmo
O poder tem o peso do outro,
e os que o têm sempre querem mais.
Isto torna Impossível ao ser humano,
ter poder e mar os que não têm
nem poder nem riquezas.
VINHO
O vinho apazígua o espírito
Refrigera o corpo
E aquece a alma
Exorciza os demônios
Da depressão
e da desesperança
Trazendo a paz e a calma
O vinho é divinamente profano
A áspide do paraíso
De olho mundano
Saliva o veneno mortífero
Que o diabo ofereceu
Ao ser humano
LONGE DO PARAÍSO
Oh, minha flor
Que fim levou aquele amor
Que era antes, feito de sonho,
Beijo e sorriso?
O que restou foi tom menor
Escala triste, como improviso
A nos expor tamanha dor
Longe das portas do paraíso.
Será possível um amanhecer
Um novo dia para entender
Que a vida é triste,
Mas se o amor ainda existe
Nós haveremos de renascer.
Oh, minha flor
Que fim levou aquele amor
Que era antes, feito de sonho,
Beijo e sorriso?
O que restou foi tom menor
Escala triste, como improviso
A nos expor tamanha dor
Longe das portas do paraíso.
IMPOSSÍVEL TE ESQUECER
Eu sei que não vai ser fácil
Esquecer, teu olhar,
Teu amor, teu prazer.
Como é que eu posso esquecer
De tudo que vivemos,
Das noites quentes em frente ao mar
Barco sem vela, sem direção
Dos dias frios, tarde chuvosas
sob as cobertas, teu cheiro de rosa
meu paraíso de perdição.
Como é que eu posso esquecer
O teu riso solto, teu abraço apertado
De andar ao lado pegado na mão
Com você tenho tudo
Paz e conforto, vida e paixão.
Eu sei que não vai ser tão fácil
Esquecer, teu olhar,
Teu amor, teu prazer.
EU PEÇO ARREGO
Eu peço arrego,
Por amor a Deus,
Perdoem a minha presunção
Por me achar maior que Nero
Um imperador moderno
Como dono do inferno
Quase pus fogo na nação.
Eu peço arrego,
Não quero outra opinião
Eu desisto de ser Deus
Não sou chefe,
Já me diz o cidadão
É povo quem decide
Quem escolhe como líder
Nesta grande procissão.
Eu peço arrego,
Tenho as mãos sujas de sangue
Sou culpado pela morte
De milhares de irmãos
Sou culpado,
Por fraudar creche e escola
Onde faltam luz e pão.
Por favor eu peço arrego
Não me levem pra prisão
Foi delírio, foi descaso
Foi engano, foi de fato a posição
Que fez subir tão alto
Não sou mito, sou falso arauto
Que propaga a falsidade
Junto com a corrupção.
Eu peço arrego,
Pois tenho medo
De ser vítima da revolta
De um povo engando
De ser morto no teatro
Onde ópera trágico-cômica do asfalto
Já tomou a direção.
LIBERDADE POÉTICA
Saí à rua,
Em busca de inspiração
Encontrei você, chorando,
Na esquina da desilusão.
Perguntei, por que chora?
Em resposta ouvi um longo sussurro
Depois um canto vibrante,
Melodia desconhecida
Porem afinada, sublime, celestial.
Reconheci você, nesse breve instante,
Era a liberdade, que antes chorava na esquina
E que hoje gritava em excelso pedestal.
Percebi que não preciso de inspiração
nem de musa de camões
A liberdade poética é clímax da poesia
Com ela crio meu universo
Canções e versos, sonhos, redenção.
NA CADÊNCIA DO SAMBA
Na cadência samba
conheci você,
dançando ciranda e o maculelê.
Morena brejeira dos olhos de mel
não és Julieta, e eu não sou Romeu
somos versos da história
que o amor escreveu.
Morena bonita
de endoidecer
eu fiz este samba pra lhe enaltecer
na rua ou no asfalto
meu partido alto é você.
Na cadência samba
conheci você,
dançando ciranda e o maculelê.
"Por mais dedicação de alma
que dispenses ao ciumento,
por mais zelo e atenção que o faculte
basta uma distração
para ele julgar, convictamente
que tudo que fazes
não passa de reles fingimento"
Hoje
Hoje tenho apenas a imagem de ontem.
Como arte impressionista
Indefinida, sem correção
Tenho as marcas do amor em mim
E em teu corpo as rugas do tempo
Elo perdido, um condenado sem redenção.
É tudo que temos do nosso desencontro
Tão distante
Um simples rascunho de aprendiz
Uma sombra do que fomos um dia.
Amigo que se tornou amante.
As canções que ouvimos juntos
Ainda ressoam em mim, trazendo-me calma
No mais recôndito abismo da minha alma
Encontro, como um jarro quebrado,
Razão para ter esperança.
Sonho, quimera, ilusão de criança.
Lembro fortuitamente da chuva de verão
Das folhas de outono colorindo a tarde
Sobre nossos passos distraídos
Quando juntos caminhávamos sem propósito
Em busca do paraíso perdido.
que acalentava-me o coração.
Ser poeta não é escolha,
não se trata de opção,
ser poeta é uma condição
imposta pela poesia.
Não há liberdade de escolha,
ou somos poeta ou não.
A arte é a última instância da liberdade de expressão, instrumento pelo qual alma humana reivindica seu direto à liberdade, à dignidade de pensar, agir e falar diferente.
Tenho dúvida quanto a se o amor suporta tudo.
Talvez seja porque nós nunca saberemos
o que é o amor que Paulo tentou explicar.
O estúpido também é capaz de amar,
o que ele não consegue é conter
seu instinto agressivo e até violento.
Todo verdadeiro poeta é cético
contudo, levam a vida a falar
de metafisica, de almas
e de coisas semelhantes
são sobremodo adoradores
da beleza e do amor
SETEMBRO
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
a vida parou, tudo fugiu
do horizonte azul
um dia sonhado.
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
sem brisa e mar
sem prima-vera
hoje é quimera
tudo que sonhei.
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
e o desespero me assegura
que não há paz e nem fartura
no amanhã de desventura
que semeamos com amargura
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
sem poesia, sem esperança
fiquei azedo com o desprezo
e a intolerância.
O TEMPO LEVA TUDO
As coisas efêmeras, como a paixão humana e a dor de consciência, costumam mudar rapidamente suas intensidades. Isto se dá de acordo com os pontos de vista de quem as sofrem. Até as coisas materiais, como rios, mares e montanhas, podem ser despercebidas quando um viajante cansado se enfada de admirar a paisagem.
Neste caso, a culpa é sempre do viajante que não consegue travar um diálogo perene. Segundo Rochefoucauld, assim se dá com os sentimentos, como o amor e amizade.
Os homens andam muito cansados para carregar para sempre o peso de uma amizade; e um grande amor pode emagrecer e até desaparecer se for apenas alimentado com mares, rios e montanhas de saudade.
