Coleção pessoal de erotildesvittoria
Medo...
Muitas vezes,
é o vento que bate na janela
e em outras, o medo,
produz o som das batidas.
Nossa mente distraída,
cria uma imagem
que viaja pela madrugada,
acreditando naquilo
que imaginou.
A noite,
costuma dar vazão aos sonhos
e a criatividade,
brota rapidamente.
Possui a capacidade
de transformar as gotas da chuva
sobre o telhado,
em um mar que transborda
e invade toda a casa.
by/erotildes vittoria
Cais...
Venho lá do outro lado
buscar o teu abraço
que cansada de esperar
resolvi te procurar.
Naveguei por tantos mares
voei com tantos pássaros
aportei aqui no cais
onde o mar cuida mim.
Bem cedo vou embora
não sei bem a hora,
mas será de madrugada
quando o barco vai partir.
Volto,
com a saudade que trouxe,
mas deixo aqui o meu abraço
embrulhado com um beijo
e também o meu perfume,
para saber que estive aqui.
by/erotildes vittória/manuscrito de 1997
E uma única lágrima, pode transbordar um oceano nesse mar sem barcos, com amarras eternamente presas ao cais.
by/erotildes vittória
Coisas da natureza...
Eu gosto de ficar na rede
e acompanhar a natureza
que parece um canteiro de obras.
Há pouco, fiquei observando uma folha
que insistia em não se desprender
do galho onde morava.
Acabou caindo, mas se pendurou
em um ramo logo abaixo
que parecia dançar
ao toque da brisa dessa manhã.
Na ilusão de que ainda viveria,
tentou resistir, enfrentou o vento
e se manteve ali sob um sol forte.
No final da tarde, desidratada,
foi levada pelas formigas
que estavam erguendo
uma nova moradia
no mesmo local onde ontem,
a água da chuva levou embora
a casa construída há uma semana.
by/erotildes vittoria
Saudade...
Saudade é uma árvore que cresce forte,
alimenta os poetas, dá asas para o amor
e se aloja no peito de quem ama.
Vai embora quando quer,
mas volta quando não se espera.
Arromba portas e janelas
e acabamos sempre na mão dela.
De qualquer forma,
quem não sente saudade,
não tem história para contar.
by/erotildes vittoria
Na casa da poesia...
Na casa da poesia
mora um poeta
que constrói um mundo feliz
com as palavras que desenha,
na curva de cada letra.
É uma casa diferente,
moram ali,
realidade e fantasia.
Ele cria viagens fantásticas
com situações inesperadas,
provoca corações,
depois, envia flores
com perfume especial.
Dele, tudo é possivel,
o seu mundo
é recheado de sonhos,
de viagens acima das nuvens
e de voos emocionantes.
Dê a ele um motivo,
escreverá uma bela poesia
com borboletas coloridas
e o telhado de sua casa,
será um céu cheio de estrelas.
Não duvide do poeta,
plantará um pé de amor
juntinho ao pé de jasmim,
e na varanda deitada na rede,
dormirá sempre,
a saudade de alguém.
by/erotildes vittória
A chuva cai...
De repente,
a chuva começa a cair
e a primeira reação
é correr, fugir dela,
mas há também,
uma grande frustração
quando não podemos
participar dessa brincadeira
de molhar cabelo, pisar na lama
e mergulhar nessas gotas
que enchem buracos
e criam tantas expectativas
em crianças ou até mesmo
em adultos que lembram
das tantas brincadeiras
quando chovia e a rua enchia.
Ver e tocar a água da chuva
é viver integrado nessa natureza
que envolve o corpo e a alma
como um abraço apertado,
cúmplice, de quem sabe viver.
by/erotildes vittoria
Não duvide do poeta,
plantará um pé de amor
juntinho ao pé de jasmim,
e na varanda deitada na rede,
dormirá sempre,
a saudade de alguém.
by/erotildes vittória
do meu poema - Na casa da poesia
A quinta estação...
Talvez seja essa, a quinta estação
onde o homem retorna
e vai em buca dele mesmo.
Perdido e desconhecido para o mar,
um navegante solitário
vai despejando sobre as águas,
o pouco que ainda resta
daquele corpo empobrecido
e carente de nobreza.
Deixa o barco, ao comando do vento
que o leva sem direção.
Sozinho, mergulha para dentro dele,
em busca de suas interrogações
para conhecer o melhor de sí.
by/erotildes vittoria
Perfume...
O jasmim,
sempre reserva um
perfume especial
para embriagar a alma
que se alimenta
das fragrâncias nobres.
Durante a noite,
misturado ao ar,
bate em nossa janela
pedindo para entrar
e fazer parte dos sonhos
que sabe, vamos sonhar.
by/erotildes vittoria
Saudade...(minha netinha)
Bem distante de mim,
moram, um sorriso
que me enche de saudade
e dois olhos castanhos
que falam sem palavras.
Neles, já ví lágrimas,
mas nada que impedisse
o brilho daquele olhar.
by/erotildes vittoria/
Ser feliz...
Felicidade
é abraçar o mundo,
e deixar o mundo abraçar.
Sair do chão e voar,
colorir o céu de mil cores,
colocar um sorriso no rosto
e sair por ai
sem saber o que falar.
Felicidade, contagia,
se expande rapidamente
porque ser feliz
é pendurar na alma,
qualquer coisa
que possa alegrar.
by/erotildes vittoria
Silêncio...
Há tantos sonhos guardados
não revelados
e dentro de mim,
silenciados.
Não foram perdidos,
tampouco, esquecidos,
dormem ainda
no silêncio
que o tempo os guardou.
erotildes vittoria (editado) em 30 de agosto de 2014
Saudade...
Do outono que se foi,
não restam mais lembranças,
é do inverno
que guardo saudade
em um canto do coração.
Fica lá escondida
se finge adormecida,
mas nas noites sem estrelas,
deita em meu travesseiro
e me abraça apertado
para eu não dormir sozinha.
by/erotildes vittoria/
Navegando...
Há sempre um dia
em que despertamos
com ideias e visões
bem diferentes sobre a vida.
Navegamos sobre o mar,
de um modo mais sereno
e sem pressa,
tornamos importante
aquilo que antes,
era uma eterna rotina.
A viagem, vai sendo desvendada
e de uma forma suave,
condicionando nossos olhos ao belo
que sem limites,
nos presenteia com o inesperado.
Sobre o mar ou perto do céu,
nos transportamos
para um infinito de opções
e acabamos abrindo nossas asas
para voar, a cada dia, mais longe.
Vento...
Pelo andar da carruagem,
melhor não mudar o itinerário.
Vento,
constuma soprar forte
quando encontra um campo aberto.
Com vontade de correr,
derruba o trigo
que começa a florescer
porque vendaval
é como uma colheitadeira sem condutor,
não possui noção do que seja,
esperar o trigo, amadurecer.
by/erotildes vittoria/
Lótus...
Mergulhei muitas vezes
até descobrir
que minhas raizes,
estavam fixadas
lá no fundo do lago.
Demorei para entender
que em minha prisão,
eu mesma,
construía as grades.
Estava livre para ir,
mas precisava aprender
a respirar fora da água.
Eu nasci flor e flor eu seria
e em forma de um lótus
na água viveria para ensinar
que não importa o lugar,
mas como vamos melhorar
o que nos cerca e nos faz chorar.
by/erotildes vittoria
Pranto...
Se eu regar com meu pranto,
não posso esperar nada desta terra
que eternamente úmida,
vai apodrecendo as raízes
de cada semente
que brotar ali.
by/erotildes vittoria
Meu rancho...
Andei pelos becos
em noites de tempestades
e deixei minha marca
gravada com ferro quente,
em cada pedacinho
dessa terra onde pisei.
Meu cavalo,
já cansado das andanças,
soltei em um pasto abastado
que feliz, corre pelas várzeas
em busca da liberdade
que ainda desconhece,
acostumado com meu peso
sobre seu lombo.
Construi meu rancho,
bem na beira do riacho
que rega meu pomar e minha horta
quando a chuva se demora,
lá por outras bandas.
A cerca é de pitangueiras
as mais doces que já provei
e o mel, é do laranjal,
dos meus tempos de guri.
Minha viola, anda comigo
dessa eu não me afasto
é minha companheira de tristezas,
mas também do meu sorriso.
by/erotildes vittoria
Sorriso...
Cada um,
possui sua cota de alegria,
alguns, não sabem sorrir,
outros, fazem sorrir
e há ainda,
os que além do sorriso,
sabem enfrentar a vida
de um jeito bem mais simples,
mas poucos, são tão felizes
com um pouco
do pouco que recebem.
by/erotildes vittoria
