Coleção pessoal de EgnaldoBarros
Todo coração que se fecha é um jardim em greve, rejeitando a primavera para evitar o outono. A frieza que vestimos é um casaco costurado com as linhas da traição alheia, mas o maior ferimento é a solidão autoimposta do desamor.
A liberdade só se manifesta quando não há mais ninguém externo para servir de bode expiatório para a nossa infelicidade ou o fim da história. Enquanto a sombra da culpa for projetada, estaremos presos na escuridão de um luto que não nos pertence.
A questão é: como desprezar a Autoridade interna? Que nos foi transmitida em forma de valores,enquanto comiamos à mesa ou quando iamos dormir.Como livrar-se de conceitos tão arraigados,mesmo admitindo conscientimente que esses valores são apenas imagens e falacias,com o intuito exclusivo de dominação e domesticação.
Isso é um fato. Para viver se deve morrer todos os dias para todas as acumulações que você adquiriu ao longo do dia. Terminar todos os dias morrendo, de forma que a mente está fresca todos os dias, está nova a cada manhã..
Para se descobrir os segredos entre a morte e a vida, é necessário compreender o motivo pelo qual as pessoas morrem.
E claro, alguém que descobrisse a eternidade, descobriria para si próprio, pelas razões descritas a cima.
As pessoas simplesmente aceitam a morte e elas precisam morrer mesmo, não estão preparadas para viver eternamente.
Não aceitar a morte é passar a vida estudando genética. Mas isso não seria perda de tempo?
Não...
Às vezes, nossa vida é colocada de cabeça para baixo, para que possamos aprender a viver de cabeça para cima.
Há atos humanos que, considerados isoladamente, são impregnados pela nossa sensibilidade valorativa com as cores mais deslumbrantes, mas que, pelas consequências a que dão origem, acabam fundindo-se na cinzenta infinidade do historicamente indiferentente, ou que antes, como geralmente sucede, entrecruzando-se com outros eventos do destino histórico, acabam mudando tanto na dimensão como na natureza do seu sentido, até tornar-se irreconhecíveis.
A palavra política significa elevação para a participação no poder ou para a influência na sua repartição, seja entre os Estados, seja no interior de um Estado ou entre os grupos humanos que nele existem.
A idade não é decisiva; o que é decisivo é a inflexibilidade em ver as realidades da vida, e a capacidade de enfrentar essas realidades e corresponder a elas interiormente.
Por mais que a vida tenha um sentido, só conhece o combate eterno que os deuses travam entre si, ou, evitando a metáfora, só conhece a incompatibilidade dos pontos de vista últimos possíveis, a impossibilidade de regular os seus conflitos e portanto a necessidade de se decidir a favor de um ou de outro.
