Coleção pessoal de ednafrigato
Escrever é rasgar o peito, soltar amarras, quebrar os grilhões que aprisionam as emoções. É permitir que os sentimentos voem para além da masmorra de nós mesmos, ganhem significados distintos e façam ninho na singularidade de outros olhos.
Estes meus versos que soturnos singram pelo mar da solidão representam o fracasso do veleiro que, ao se render à tempestade, tornou-se náufrago nos abismos de si mesmo.
Amar é um processo contínuo de recepção e doação; ganho e perda; erro e acerto; construção e desconstrução; tristeza e alegria; dor e prazer, sem que nunca cheguemos a perfeição. Nesse processo dinâmico de desenvolvimento emocional, algumas pessoas nos estendem pontes, degraus, escadas, que acabam nos levando a outras pessoas, outros olhares, outras paisagens, outros mundos... Quando temos muita sorte, acabamos chegando do outro lado de nós mesmos. Só então percebemos que continuamos inacabados, no entanto, prontos pra continuar com muito mais segurança e consciência do nosso papel na vida de outra pessoa.
A sabedoria não está propriamente na fala ou no seu oposto. Está na capacidade ímpar de discernir entre um e outro para, na hora exata, empunhá-los com a mesma precisão de uma espada de samurai.
Quando damos corda apenas para o que nos encanta o relógio do tempo costuma trabalhar com mais leveza.
Na pós modernidade a evolução do ser humano como pessoa é inversamente proporcional ao desenvolvimento tecnológico que ele desfruta.
