Coleção pessoal de duluozDom
Depois que eu li "Eu que nunca conheci os homens" me peguei fazendo uma profunda reflexão sobre a razão da minha própria existência e no que eu quero pra mim mesmo e eu tenho ambições tão baixas que fico me perguntando se tudo isso não é só um ciclo repetitivo de dias até a morte.
Tudo que eu queria na minha vida é nunca mais trabalhar e passar meus dias indo tomar um sorvete na praça enquanto eu leio um livro, é só isso... então penso, isso é normal? Alguém querer tão pouco da própria vida? Alguém ser tão recluso como eu? Será que eu não poderia viver minha pobre vida no silêncio de uma página?
Então eu vou envelhecer ou talvez até morrer sem saber como é a tranquilidade de uma vida pacata com os livros, quando eu tiver velho e cheio de doenças, gastando todo meu dinheiro com plano de saúde e remédio, não vou ter como aproveitar do jeito que eu aproveitaria se fosse jovem.
O quão injusto é não termos o direito de desfrutar da nossa juventude? De termos 1 mês no ano pra tentar repor as energias para mais 11 meses ou mais de trabalho ininterrupto, eu não quero trabalhar, não quero acordar cedo, não quero nada disso, eu só quero ficar na minha casa, acordar 10hrs da manhã, tomar café, arrumar a casa, ler, tomar banho, assistir uma serie, ir na biblioteca, ir num restaurante no final de semana, passear na praia, ir no cinema, sem pensar que no dia seguinte eu tenho que voltar pra mesma rotina cansativa.
Eu não sou uma pessoa enérgica, todas minhas relações pessoais são de baixíssima manutenção, eu sou introspectivo, eu sou pacato e caseiro, essa é a vida que eu quero levar.
É impressionante a quantidade de vezes que eu preciso continuar me perguntando qual é o meu propósito na terra, por que estou aqui? Por que preciso fazer o que faço? Tem sentido ainda eu continuar? E por mais que eu insista em dizer pra mim mesmo que o sentido sou eu quem faz, no fim do dia tudo parece vazio, e eu continuo novamente mentindo pra mim mesmo, de novo e de novo, sem nunca conseguir me convencer.
Mas aqui eu estou, vivendo um dia após o outro, aceitando que talvez eu nunca tenha respostas pras minhas perguntas, que vou continuar lendo livros existencialistas e nunca me sentindo satisfeito.
Será que se eu fosse rico eu ainda ia pensar assim? Provavelmente não, mas quem sabe? Tudo que posso fazer é um exercício de imaginação.
Quantas perguntas mais eu preciso me fazer até me dar conta de que não existe porquê faze-las se nunca terei as respostas?
Os livros são o único lugar em que me permito viajar e vivenciar mais vidas e perguntas do que me cabem.
Queria me sentir digna de amor, desse amor que sinto falta, o mundo gira sem mim, o que eu faço, sinto falta de mim mesma, hoje sou diferente, mais fria, sem sentimento aparente, estou quebrada.
Desejo meus sorrisos de volta, aqueles sorrisos verdadeiros que outrora eu tive
Desejo alguém para ser minha razão de tudo
Desejo amar e ser amada na mesma intensidade
Desejo o mundo só pra mim, só meu.
O que significa viver pra você? pra mim significa tudo, desejar, querer, se entregar...
Quando tiver meus sorrisos de volta, quero dedicar eles todos a minha amada.
Estou embevecida com a possibilidade de ser feliz, quero gritar, gritar muito, para todo mundo ouvir.
Me leve ao paraíso, tenho sede da dança, do êxtase, das conversas, das brincadeiras, não quero o lúgubre, traga-me toda luz que puder me dar meu amor
oh felicidade como sinto tua falta, se lembra daqueles velhos e lindos momentos? eu me lembro, sempre me lembrarei
Me espere, estou chegando para ti, não demoro muito.
Escrevo sobre o que sinto, escrevo
sobre o que vivo.
Não peço entendimento, este é um
dom esquecido pelos ignorantes que
somos nós.
Escrevo a tristeza
Escrevo o sentimento
Escrevo o cansaço
Escrevo o embaraço.
Me rendo ao enorme mundo em que
vivo.
Sou pequena, sou ninguém.
Resta-me lagrimas que não valem a
pena
Não vale a pena ver esta cena.
Meu crescimento vem de dentro, ja
cresci faz tempo. e não digo que
entendo tudo.
O ser humano não precisa de
compreensão
Precisa ser o que é
Precisa se adaptar ao caos
Para ser o que é.
Indo trabalhar.
Penso que todos os dias tenho que ir.
Todo dia é assim.
O vento triste e a poeira nos meu olhos, todo dia.
As goteiras que não sei de onde elas vem.
As garotas de programa com caras tristes e perdidas.
O cheiro insuportável de bares imundos.
O cheiro insuportável de pessoas desconhecidas.
O ar condicionado das lojas de colchões que me fazem querer implorar para trabalhar lá.
Ao menos antes de sair de casa eu leio meu livro do iluminado Allen Ginsberg.
O único com poder de me fazer relaxar durante o viagem curta porém interminável.
Santo Uivo de Ginsberg, me inspira somente em pensar nele.
Santo Ginsberg, e tenho vontade de roubar suas frases.
Santo Allen e eu continuo a fazer isso.
Sinto muito por ter nascido quando você já tinha morrido.
Olho no céu e penso em você ALLEN GINSBERG.
Céu.. o único que não abandona ninguém.. pois está sempre lá.
Divino Ginsberg que esta lá.
E há somente duas coisas que eu posso fazer para me confortar...
... ler e criar.
todos nós temos um lado intelectual e somos capazes de criar algo extraordinário, nunca é tarde para ter pensamentos dignos de sábios.
Cada coisa que fazemos hoje,
amanhã é errado, porque o
mundo é cheio de mentiras,
incertezas e tolices.
