Coleção pessoal de diego_salvador_1
**O EPÍLOGO DE UMA FELICIDADE DISTANTE...**
Há momentos em que sou acometido por uma nostalgia quase inexprimível, uma espécie de saudade anacrônica de uma existência que outrora me parecia tão ordinária, mas que hoje reconheço como extraordinária.
Sinto falta da efemeridade dos encontros despretensiosos, das interlocuções desprovidas de artificialidade, das gargalhadas desmedidas e das andanças que, sem qualquer pretensão, eternizavam-se na memória. Sinto falta da cumplicidade, da espontaneidade e da inexorável sensação de pertencimento que outrora habitava meus dias.
É melancólico perceber como a inexorabilidade do tempo se encarrega de dissipar presenças, rarear afetos e converter momentos corriqueiros em reminiscências quase utópicas. Pessoas que outrora compartilhavam nossas trivialidades tornam-se ausências, e aquilo que antes era cotidiano passa a ser objeto de uma saudade indizível.
Hoje, entre o prosaísmo de uma rotina ininterrupta e os labirintos da própria consciência, travo embates silenciosos contra uma inquietude que não raramente me exaure. A ansiedade, essa antagonista insidiosa, subtrai minha serenidade, conturba meus pensamentos e transforma até os mais singelos afazeres em verdadeiras vicissitudes.
Há uma solidão peculiar em continuar existindo sem propriamente sentir-se presente; em atravessar os dias sem encontrar neles o mesmo fulgor de outrora. Não me faltam apenas companhia ou entretenimento: falta-me a leveza de outrora, a espontaneidade de existir sem a constante apreensão do amanhã.
Talvez não seja propriamente o passado que eu deseje recuperar, tampouco as pessoas que nele permaneceram. Talvez seja aquela versão de mim mesmo, ainda capaz de encontrar contentamento nas pequenas coisas, que hoje procuro, em vão, reencontrar.
**Afinal, existem saudades que transcendem pessoas, lugares e épocas. São saudades de estados de espírito, de sensações irrepetíveis e, sobretudo, de quem costumávamos ser antes que a vida nos tornasse tão silenciosamente absortos em nossas próprias inquietações.**
E talvez a mais pungente das melancolias seja justamente esta: permanecer em movimento perante o mundo, enquanto, em algum recôndito da alma, ainda habitamos os vestígios de uma felicidade que o tempo jamais nos permitirá reviver em sua plenitude.
