Coleção pessoal de caio_ferreira_carvalho

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Dias de chuva nem sempre são tristes,
Algumas gotas,
Caem para revigorar.


Crescem de dentro para fora,
Expulsando tudo pelo caminho,
E mesmo assim,
A chuva cura.

SONETO LXXXVIII

Quando me tratas mal e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.

Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.

A luz mais brilhante,
Ilumina até mesmo,
A escuridão mais tenebrosa,
Sendo ele, muito rancoroso.


Tendo esperança,
Não vinga o desespero,
Cresce forte, e o coração bate,
A escuridão desaparece, e o corpo compadece.