Coleção pessoal de Buckler

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Em tudo que amei, fracassei.


Sinto-me um personagem mal contado de Dostoiévski,
mas não o Idiota.
Talvez “O Patético”.
Aquele que vê demais,
sente demais,
entende demais,
e mesmo assim espera.


Eu vejo a maldade.
Eu a sinto antes que ela fale.
Ela entra pelos gestos,
pelos silêncios,
pelas pequenas traições que ninguém nomeia.


Eu sei.
Eu sempre sei.


E mesmo assim eu espero.


Espero que, dessa vez,
algo de bom aconteça.
Que alguém fique.
Que alguém não minta.
Que alguém não desista quando perceber que amar exige mais do que encanto.


Mas não acontece...


E o pior não é a maldade.
É continuar esperando depois dela.


É olhar o mundo já sabendo do fim
e ainda assim desejar um começo.


Talvez meu erro não seja amar.
Talvez seja não aprender
a endurecer.


Mas há algo em mim que insiste,
não por ingenuidade,
não por burrice,
mas por uma fé involuntária
de que o bem pode, em algum momento,
vencer a própria tendência de falhar.


E se isso é patético,
então que seja.


Porque entre ser pedra
e ser alguém que ainda espera,
eu ainda escolho
esperar.

⁠DE DUAS, UMA!

Não vivemos só de amor porém o orgulho estrangula aquilo que termos de mais bonito.

Então eu fico.
Sem dizer que fico.
Sem jurar que permaneço.

Eu só encosto a alma na tua,
como quem encosta a testa no vidro,
e olhe para fora
o mundo ainda respira.

Não te ofereço futuro,
não te vendo eternidade,
não te distraio com promessas bonitas.

Só deixo o calor existir.
Só deixo o instante acontecer.

Porque às vezes
o nada não quer ser preenchido,
quer ser acolhido.

E no silêncio entre um sentir e outro,
se existir verdade,
ela não grita.
Ela só… fica.

Em uma rotina atravessada por pequenas urgências.

Somos micro fragmentos da expressão finita de um Ser infinito.

Inegociável: onde não há respeito, a saída é um ato de dignidade.

No meio do caminho, entre pedras e passos, descobri que parar também é caminho.

Só o amor é contrário a divisão. O amor une, o amor não divide.

Conversando com a Lua


Ho terrível noite que não findas, foras feita aos bêbados, às putas e aos que sobrevivem apenas da saudade.

Temo mais a queda que a morte,
já que o fim é breve, mas o fracasso se repete.

Aos fracassados, o sol, o suor, a incerteza; aos perdedores, restou abraçar a sombra.

⁠BOM DIA MATERNAL

"Acordei."

Cadê ele? Tá aqui. Dorme.
Respira pequeno. Graças a Deus.
Aproveita que não acordou...

Levanto devagar.
O corpo dói onde ninguém vê.
A cabeça pesa.
Mas sigo. Sempre sigo.

Na cozinha, o silêncio me acompanha.
O relógio fala alto demais.
Não tem ninguém perguntando se dormi.
Nem se sonhei. Nem se comi.
Só ele. E eu.
E esse tempo que parece não passar ou passa em cima de mim.

Ser mãe é isso?
É amar tanto que esquece até de existir?
É ser presença inteira…
Mesmo quando tudo te falta?

Eu me calo. Porque ele dorme.
E enquanto ele dorme, sou só silêncio, café frio, e um nó na garganta.

Mas sigo. Sempre sigo.
Porque ele acorda, me olha, e eu lembro:
Sou casa, sou colo, sou mundo;
Mesmo sendo tão sozinha dentro de mim.

⁠MELANCOLIA

Entre o que aperta hoje e o que já apertou ontem, nasce o cansaço do existir; Uma constante briga de pequenas urgencias e afetos nostagicos.

⁠O destino não cria, apenas revela.

⁠O coração pode até ser bondoso, mas sem a vigilância da mente, é como um tesouro sem guardião, vulnerável a saqueadores.

⁠Com Suor e Com Silêncio

(Letra inspirada em "Com Açúcar, Com Afeto" de Chico Buarque)

Aguentei o peso do mundo,
pra te dar leveza e paz.

Qual o quê
Teus olhares me diziam
Que eu valia o que eu tinha
E o amor ficou de lado

Eu lutei pra ser escolhido
Pra ser abrigo, ser porto, ser chão

Qual o quê
Teu desejo era aventura
E eu, na minha loucura
Te esperei de coração

(Refrão)
Mas tu voltas, já cansada
Com histórias na mão
E promessas amassadas
Eu, que aprendi a ser forte
Te abraço em corte
Sem nada dizer

Te escuto, mesmo sabendo
Que sou só tua opção
Que sou tua última escolha
Eu, que sonhei ser teu homem
Te amo em dores
Mas sem você

Eu vesti os fardos do mundo
Trabalhei dobrado, paguei cada conta
E no fim do mês sou cobra
Se me atraso numa sobra
E não tenho quem me afronta

Eu chorei sem ter quem visse
Sem colo, sem verso, sem força, sem ar

Qual o quê
Pois tristeza de homem é muda
Só se escuta quando é culpa
Ou quando é hora de pagar

(Refrão)
Mas tu voltas, já cansada
Com histórias na mão
E promessas amassadas
Eu, que aprendi a ser forte
Te abraço em corte
Sem nada dizer

Te escuto, mesmo sabendo
Que sou só tua opção
Que sou tua última escolha

Qual o quê
Eu, que sonhei ser teu homem
Te amo em dores
Mas sem você

As flores que achei pelo caminho

Se achei flores pelo caminho,
Tive que andar, e por andar
Tive que ir devagar.
Cansa andar e, por cansar,

Deixei de pensar e apenas sentir,
E percebi o que existe
Pelo pleno existir.
Elas sempre estiveram ali,

Mas só pude ver,
Seguindo o caminho.
O caminho das flores,
Não sei se encontrei ele,

Ou sempre esteve ali.
Pude perceber a beleza tardia,
E por tardar, vi que no tempo da flor,
Seja ela qual for, é única, é ela.

Ela, somente ela,
Sem por quê nem pra quê,
Ela faz o que sabe fazer
No tempo que tem que ser.

MUNDO SUBJETIVO DICOTÔMICO

Não existem respostas certas, apenas a escolha mais confortável; E, em geral, as escolhas que mais confortam provêm das respostas mais incertas.

⁠Quatro da manhã no UR Cinco Barro, apenas silêncio,
Carregado de sonhos e cansaços.
Como navios negreiros modernos,
Transportam histórias, vidas e infernos.

Nos assentos, rostos marcados,
Pelo peso da vida e seis dias contados.
Tudo isso pra quê? Moradia e comida?
Libertos, mas vítimas, ilusões de mudança,
Presos em migalhas, sem esperança

Coletânea de amores fracassados
Embora alguns não tenham nem tocado,
Mas de todos eu ouvi, vivi e vi;
Que meu melhor nem tinha chegado...
Dissimulado? Por muitas vezes não permiti ser amado.
Não soltei a mão dos medos passados,
Não carregarei mágoas, e sim o peso da tua ausência.