Coleção pessoal de bruno_14

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Não tenha medo do escuro. É nele que consigo chegar mais perto sem que você perceba.


Bruno Bellotti

Sonhei com alguém que tinha meu rosto, mas não meus olhos.

Ao despertar, ouvi um sussurro vindo do quarto vazio.vazio...Vocênão deveria ter acordado.
Naquela noite, meu reflexo sorriu antes de mim.

E uma voz, dentro do espelho, murmurou...Agorasou eu quem vai dormir na sua pele.


Bruno Bellotti

Sonhei com alguém que dizia sonhar comigo. Ao acordar, ouvi sua voz...Vocêacordou de novo? Agora sou eu quem não consegue sair...Desde então, tenho medo de dormir. Masnão me lembro de ter acordado.


Bruno Bellotti

A última testemunha...Certanoite, lembrei-me de morrer. O estranho é que a lembrança era mais antiga que meu nascimento.
Procurei testemunhas, mas todas se lembravam de mim apenas depois que desapareci.

Então compreendi, talvez eu não tenha vivido para morrer...talvez tenha morrido para que alguém pudesse se lembrar de que vivi.

Mas, se sou apenas uma lembrança, quem está pensando em mim agora?



Bruno Bellotti

A lembrança do que nunca aconteceu...Lembro-mede um momento que nunca vivi, sinto saudade de alguém que nunca conheci e envelheço por acontecimentos que talvez só tenham existido no futuro.
O mais estranho não é esquecer o que aconteceu, mas recordar com tanta certeza aquilo que nunca teve a oportunidade de acontecer.



Bruno Bellotti

A origem do inexistente
Antes de existir, eu já faltava, depois de existir, nunca estive. Fui a causa de um efeito que me antecedeu e o fim de um princípio que jamais começou.

Se um dia eu deixar de não existir, quem provará que algum dia fui real?



Bruno Bellotti

O tempo que não passou
O futuro me recorda de um passado que não vivi, enquanto o presente espera por mim num lugar onde nunca estive.



Bruno Bellotti

A ausência do impossível
Procurei o que nunca perdi e encontrei aquilo que ainda não era meu. Desde então, sinto falta de algo que talvez só exista porque não encontrei.



Bruno Bellotti

A inexistência do que ainda não deixou de ser quandoo antes aconteceu depois do que nunca houve, compreendi que o espaço estava atrasado em relação à distância que o separava de si mesmo. Não porque o tempo tivesse passado, mas porque o instante anterior ainda não havia terminado de começar...Foientão que morri pela primeira vez no futuro de uma lembrança que não vivi, deixando para trás aquilo que ainda não tinha levado comigo. Desde esse momento, continuo aqui, embora o lugar onde estou tenha sido ocupado pela ausência de alguém que nunca esteve....ese tudo o que existe precisa de um princípio, quem começou a existir antes que o começo pudesse existir?
Talvez eu tenha encontrado a resposta, mas ela ainda não aconteceu.

Ou talvez já tenha acontecido tantas vezes que a pergunta se esqueceu de ser pergunta. Nofim, não foi o nada que restou de tudo.
Foi o tudo que, ao perceber que era alguma coisa, deixou de ser aquilo que nunca chegou a existir.

E eu?

Eu continuo sendo a dúvida que o próprio desconhecido tem quando se esquece de não saber.


Bruno Bellotti

A ilusão de pertencer
Talvez não estejamos perdidos no universo talvez apenas tenhamos confundido existir com pertencer. Ocupamos um espaço por um breve intervalo de tempo, atribuímos significado à nossa passagem e partimos sem descobrir se o universo sequer percebeu nossa presença.



Bruno Bellotti

O limite
Tudo existe dentro de algum limite, até aquilo que julgamos infinitoO tempo não anuncia seu prazo máximo, apenas continua avançando, enquanto nós confundimos a continuidade dos instantes com a promessa de permanecer.



Bruno Bellotti

O prazo máximo
Vivemos como se o tempo nos devesse eternidade, ignorando que existir é habitar um prazo cujo limite desconhecemos. Talvez o maior engano humano seja acreditar que ainda há tempo, quando até o instante presente já começa a pertencer ao passado.



Bruno Bellotti

Os escolhidos do céu
Antes de os homens aprenderem a questionar os deuses, muitos reis já afirmavam falar em seu nome. Ergueram espadas, conquistaram terras e chamaram suas vitórias de vontade divina. Mas, entre a ordem proclamada pelo céu e o sangue derramado na Terra, quem poderia
distinguir a fé da ambição humana?



Bruno Bellotti

Talvez o maior mistério não seja saber por que os homens matam em nome de Deus, mas como conseguem acreditar que a morte de outro ser humano pode tornar sagrada a própria violência.


Bruno Bellotti

Desde que a terra passou a ter donos, exércitos marcham para conquistá-la. Às vezes, levam bandeiras; outras, escrituras sagradas. Mas, sob os símbolos, permanece a mesma disputa, quem tem o direito de possuir aquilo que nenhum ser humano criou?


Bruno Bellotti

Chamam-nas de santas, embora os mortos sejam humanos, o sangue seja vermelho e a dor não reconheça religião. Talvez a santidade esteja no nome que dão à guerra, não naquilo que ela faz.


Bruno Bellotti

Desde os primórdios, homens atravessam terras com espadas nas mãos e Deus nos lábios. Conquistam territórios, erguem impérios e enterram vidas, como se o céu precisasse de sangue para justificar a vontade dos homens.


Bruno Bellotti

A morte talvez não seja o contrário da vida, mas o limite que nos faz perceber que existir nunca significou permanecer.


Bruno Bellotti

O tempo não me leva ao futuro; apenas me afasta, silenciosamente, de tudo aquilo que já fui.




Bruno Bellotti

Estou no instante que já passou, na palavra que ainda não foi dita, no espaço deixado por minha ausência e na possibilidade de que alguém, um dia, encontre em meus pensamentos um fragmento daquilo que fui.


Bruno Bellotti